Definição: «norovírus»

Porque é o sintoma mais característico


      «O norovírus — conhecido como o “vírus dos vómitos” — é a infeção mais frequentemente associada aos cruzeiros. Numa revisão de estudos anteriormente publicados, os investigadores identificaram 127 relatos de surtos de norovírus em navios de cruzeiro, muitos deles associados a alimentos contaminados, superfícies contaminadas e transmissão entre pessoas. Um relatório mais recente dos Estados Unidos demonstrou igualmente que o norovírus pode propagar-se muito rapidamente de pessoa para pessoa num navio de cruzeiro» («Hantavírus, norovírus e Covid-19. Porque é que os surtos se espalham tão depressa nos cruzeiros?», The Conversation/Reuters/Rádio Renascença, 10.05.2026, 8h00). 

      Tanto assim é que eu proponho definir desta maneira ➜ norovírus BIOLOGIA, MEDICINA designação comum aos vírus do género Norovirus (que inclui o agente responsável pela maioria dos surtos de gastroenterite), frequentemente conhecidos como «vírus dos vómitos», que apresentam alta resistência e capacidade infecciosa, causando sintomas como vómitos, diarreia, febre e cólicas abdominais.

[Texto 22 961]

Léxico: «floresta primária»

Reunidas as condições


      Vi ontem o filme Ouro Verde (La Promesse Verte, de Édouard Bergeon, 2024) e, ao falarem, e foi várias vezes, em florestas primárias, também ditas primevas, vi que tinha tudo para ir para o dicionário. Afinal, não está lá já «floresta urbana», Porto Editora? Que, diga-se, é designação mais auto-explicativa. Assim, proponho ➜ floresta primária ECOLOGIA floresta de regeneração natural composta por espécies autóctones, sem indícios significativos de actividade humana e cujos processos ecológicos se mantêm pouco perturbados.

[Texto 22 960]

Definição: «fitonutriente»

Não é para especialistas


      «Des études ont démontré un effet protecteur du café, en particulier contre les cancers du sein, du foie et de la prostate. Cet effet positif s’explique principalement par la présence dans le café de phytonutriments. Ces composants naturels des plantes, qui font partie des principales substances végétales secondaires, neutralisent les radicaux libres grâce à leur action antioxydante. Or, en résumant à l’extrême, ce sont ces radicaux libres qui, provoquant un stress oxydatif, favorisent la croissance des cellules cancéreuses» («Le café, c’est bon pour la santé. Mais sans lait!», Stefan Aerni, Le Matin Dimanche, 10.05.2026, p. 44). 

      A sensação que se tem ao ler a definição de «fitonutriente» no dicionário da Porto Editora é de que falta o principal: «substância biologicamente activa, presente em diferentes alimentos vegetais, que se crê ser benéfica para a saúde, nomeadamente pela sua capacidade para prevenir diversas doenças». Só isto, «biologicamente activa»? Assim, proponho ➜ fitonutriente BIOQUÍMICA composto orgânico biologicamente activo, produzido por plantas e presente em alimentos de origem vegetal, geralmente associado a efeitos benéficos para a saúde, nomeadamente por acção antioxidante ou anti-inflamatória.

[Texto 22 959]

Léxico: «palácio mental/ da memória»

Memorizem também isto


      «Sans viser de tels sommets, une étude publiée en 2017 dans la revue “Neuron” montre que des individus comme vous et moi peuvent eux aussi tirer un bénéfice notable du palais mental. Dans ce protocole, des participants sans entraînement préalable retenaient au départ 26 à 30 mots, en moyenne. Après quelque six semaines d’entraînement régulier à cette technique, ils mémorisaient en moyenne 35 mots supplémentaires. Et quatre mois plus tard, ils conservaient encore un gain de 22 mots» («Entraîner son cerveau, c’est bon à tout âge!», Caroline Zuercher, Le Matin Dimanche, 10.05.2026, p. 16). 

      Devia estar nos dicionários, assim ➜ palácio mental/ da memória PSICOLOGIA, PEDAGOGIA técnica mnemónica que consiste em associar mentalmente informações a diferentes lugares de um espaço imaginário familiar, de modo a facilitar a sua memorização e evocação posterior; palácio mental; método de loci.

[Texto 22 958]

Léxico: «literatiço»

Exilado no Brasil


      «Em conclusão, todos estes preitos de literatos e literatiços não eram mais que o incensório normal à marquesa de Rambouillet portuense» (O Romance de Camilo, Vol. 2, Aquilino Ribeiro. Lisboa: Livraria Bertrand, 1974, p. 60).

[Texto 22 957]

Léxico: «mnemonista»

Memorizem


      «De quoi s’agit-il? Nous sommes ici dans une discipline qui consiste à mémoriser rapidement, et de manière précise, des informations arbitraires, telles que chiffres, cartes, mots, images, dates fictives ou associations de noms et de visages. Ces pros de la “carte mémoire” ont un nom: les mnémonistes» («Un jeune prodige de la mémoire livre ses secrets», Ivan Radja, Le Matin Dimanche, 10.05.2026, p. 15).  

      Ora, também o temos, só não está onde devia. Assim, proponho ➜ mnemonista pessoa que pratica técnicas de memorização intensiva, geralmente com o objectivo de reter e reproduzir com rapidez e exactidão grandes quantidades de informação arbitrária, como números, palavras, cartas, rostos ou datas; especialista em mnemónica.

[Texto 22 956]

Definição: «latência»

Porque não é


      «Deverá desenrolar-se ao longo do ano e trará “clara vantagem para o cliente”, explica a empresa, prometendo maior velocidade de navegação e menor latência (ou tempo de espera) com o reforço das redes 4G e 5G» («Portugal segue movimento global e desliga este ano as redes 3G», Ana Brito, Público, 9.06.2024, p. 18). 

      Portanto, faz muito mal a Porto Editora em restringir à informática o termo, como se vê: «INFORMÁTICA período de tempo decorrido entre o momento em que é dado um comando e a efetiva execução da respetiva operação». Aliás, não é o único problema da definição, pelo que proponho ➜ latência INFORMÁTICA, TELECOMUNICAÇÕES período de tempo decorrido entre o momento em que é dado um comando ou enviado um sinal e a execução da respectiva operação ou a recepção da resposta.

[Texto 22 955]

Definição: «borrada»

E pronto, é isto


      «Fizeste borrada da grossa com as reformas, Andrezito» (João Miguel Tavares, Público, 7.05.2026, p. 40). Há sempre alguém a fazer borrada, quando não burrada. Em sentido figurado, são mais ou menos o mesmo. A mesma merda, digamos. De borrada diz a Porto Editora que é a «coisa mal feita». Deve ter pretendido exemplificar com a própria definição, porque correcto é como está na 2.ª acepção de chachada: «coisa malfeita».

[Texto 22 954]

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P. S.: Pode ser falha minha, Porto Editora, mas não estou a ver, por mais voltas que lhe dê, a jocosidade da designação «escama-peixe».



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