«Taxinomia/taxionomia»

Duplas, triplas e mais

      Acabei de ler aqui, num texto sobre educação e estratégias pedagógicas, «taxionomia de Bloom». Só trabalhando diariamente com a língua vamos sabendo como há inúmeras formas duplas e mesmo triplas. Em alguns casos, algumas variantes provieram de erros de imprensa, dos copistas ou de algum autor menos cuidadoso ou sabedor, que pôs a nova grafia em circulação. Não sei se «enxambrador», que ontem vimos, não provém desta última fonte.

[Texto 2933]

Esmirna, e não Izmir

Até os pastores

      A jornalista Alexandra Sofia Costa, da Antena 1, está na Turquia, de onde mandou ontem esta pérola: «Entretanto, esta madrugada, a polícia turca deteve pelo menos 25 pessoas na cidade de Izmir por terem publicado comentários no Twitter considerados difamatórios.»
      Há séculos que em português se escreve e diz Esmirna, mas agora uma amnésia quase colectiva obrigou os jornalistas a rebaptizarem-na em turco. «Podeis fazer que cresça de hora em hora/O nome Lusitano, e faça inveja/A Esmirna, que de Homero se engrandece», canta Camões na Écloga IV. («Que de Homero se engrandece». Pois é, mas foram sete as cidades que disputaram essa honra.) E, já agora, talvez seja prudente, tendo em conta o que por aí vai, lembrar que o gentílico é esmirneu.

[Texto 2932]

«Por cento/porcento»

Pensai, ó homens, pensai

      Hoje, numa prova de Português realizada numa escola deste lindo país, no cabeçalho via-se um espaço para a nota (ou cotação, como se diz na gíria académica) e, à frente, entre parênteses, isto: «porcento». Ou seja, os infelizes que fizeram a prova, professores de Português, pois com certeza, julgam que «por cento» e «porcento» são sinónimos. E não devia haver centros de reeducação para esta gente?

[Texto 2931]

Léxico: «fóssil vivo»

Em vez de palha

      «O primeiro anfíbio a ser declarado extinto pelo principal organismo mundial de conservação [União Internacional para a Conservação da Natureza, UICN] foi considerado um “fóssil vivo”, depois de terem sido descobertos exemplares vivos no norte de Israel, revelaram hoje investigadores» («Encontrada rã declarada extinta em 1966», Diário de Notícias, 5.06.2013, p. 41).
      Em vez das aspas e de palavreado mais ou menos vão, uma explicação do que são fósseis vivos era muito mais útil. Ver aqui.

[Texto 2930]

Léxico: «enxambrador»

Para não nos esquecermos

      Já tinha lido numa obra de Mário Cláudio, mas não liguei muito e creio que até já tinha esquecido, mas agora voltei a ler a palavra «enxambrador», que, tanto quanto vi, nenhum dicionário regista. Conhecia, isso sim, as variantes ensamblador e enxamblador. É o nome que se dá ao marceneiro que ensambla, isto é, que faz embutidos em madeira; embutidos de madeiras raras, embutidos de madrepérola, embutidos de metal, etc.
[Texto 2929]

Há sempre melhor

Afinal, não é preciso «líder»

      «Para o coordenador do grupo, Bin He, este é um passo decisivo para a criação de futuros equipamentos que tornarão mais fácil a vida de pessoas paralisadas devido a acidentes ou doenças degenerativas» («Helicóptero voa só com a força do pensamento», Filomena Naves, Diário de Notícias, 5.06.2013, p. 41).
[Texto 2928]

«Príncipe Guilherme»

A tradição continua

      «Isabel II subiu ao trono em fevereiro de 1952, mas só foi coroada a 2 de junho do ano seguinte. Ontem, 60 anos depois, a Rainha de Inglaterra voltou à Abadia de Westminster para as celebrações oficiais. A monarca fez-se acompanhar por duas dezenas de membros da família real, entre eles o filho Carlos, herdeiro do trono, e o neto Guilherme, segundo na linha de sucessão» («Isabel II. Festa dos 60 anos da coroação», Diário de Notícias, 5.06.2013, p. 9).
[Texto 2927]

«Tendem a haver»!

Mais um erro, e dos piores

      «Reconhece, porém, que nos cancros em que está presente o HPV [sigla inglesa de vírus do papiloma humano] tendem a haver melhores reações ao tratamento» («Tabaco e álcool superam sexo oral no risco de cancro», Diana Mendes, Diário de Notícias, 4.06.2013, p. 16).
      A jornalista refere-se sempre ao papilomavírus humano, nunca a vírus do papiloma humano, cuja sigla portuguesa, que é a que interessa, é VPH. Muito mais grave, não é ocioso recordá-lo, é o «tendem a haver», imperdoável num texto de um jornalista.
[Texto 2926]

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