«Camisola de cavas»

Há variantes

      «Várias testemunhas descreveram o atirador como um homem branco, 30 e tal anos, careca e vestido com uma camisola de cavas» («Ataque a templo ‘sikh’ é “terrorismo interno”», Helena Tecedeiro, Diário de Notícias, 6.08.2012, p. 22).
      Até já li (não revelo o nome da autor, porque não tenho a referência bibliográfica completa) «t-shirts de manga-cava»... Mal traduzido de sleeveless shirt, é o que é. Talvez se ouça mais no singular, mas, de facto, as cavas, as aberturas no vestuário onde se pregam as mangas, são duas. Ainda mais usado é «manga (à) cava», em que, curiosamente, até se omite o termo «camisola» ou outro.
[Texto 1944]

Descodifique-se

Assim percebem-me

      «“A principal razão é a dificuldade de aceder a créditos para aquisição de casa própria, mas com a existência de uma percentagem muito significativa de famílias que são já proprietários da casa que habitam (cerca de 74%), mesmo com facilidades de acesso ao crédito, esperava-se um abrandamento na aquisição de bens imobiliários. Não se compra nem se fazem upgrades de casas todos os dias”, explicou Luís Lima, presidente da APEMIP, em declarações ao DN/Dinheiro Vivo» («Imobiliárias estão a vender menos 110 casas por dia», Bárbara Barroso, Diário de Notícias, 6.08.2012, p. 34).
      Dizer o mesmo mas em português não seria tarefa fácil, pois não?
[Texto 1943]

«Taxa-crime»

Isto não é estranho?

      «GNR detém 35 condutores por dia com taxa-crime de álcool» (Rute Coelho, Diário de Notícias, 6.08.2012, p. 16).
[Texto 1942]

Como se escreve nos jornais

Mais caaquela que soya

      «Nas eleições municipais de 2006, apareceu claramente embriagado num desses vídeos, que se tornou um sucesso no YouTube. Questionado sobre se estava bêbado, deu uma resposta que se tornou famosa: “Não mais do que no costume”» («‘Papá’, o boémio e excêntrico ex-ministro socialista belga», S. S., Diário de Notícias, 7.08.2012, p. 41). «Pas plus que d’habitude», respondeu Michel Daerden. «Não mais do que de costume.» «Ajente que aly era nõ serja mais caaquela que soya», escreveu Pêro Vaz de Caminha na carta do achamento do Brasil.
[Texto 1941]

«Nitrato/nitrado»

Confusões substantivas

      «O porta-voz do Movimento de Utentes dos Serviços Públicos de Ferreira do Alentejo, Paulo Conde, também ele morador num monte e também ele afetado pelo fim do abastecimento, garante que a decisão da autarquia está a fazer com que algumas pessoas consumam água sem qualidade. Por temer que esteja em causa a saúde pública da população, Paulo Conde fez chegar ao delegado de saúde do concelho o resultado de análises efetuadas à água de um furo localizado nas proximidades da Aldeia de Rouquenho e que revela níveis de nitrados três vezes superiores ao limite máximo está [sic] fixado na lei em vigor» («Análises revelaram contaminação de poços», Diário de Notícias, 6.08.2012, p. 15).
      Como quase sempre, podia ser, mas não é: «nitrado» é adjectivo. O jornalista queria escrever «nitratos».
[Texto 1940]

Léxico: «abeberamento»

Outra que falta

      Esta também não se encontra nos dicionários: «A Câmara de Ferreira do Alentejo justifica o fim do abastecimento de água aos montes isolados com a necessidade de “racionalizar o serviço e garantir a equidade” de tratamento entre os munícipes. “Existem 542 montes isolados no concelho. Para os abastecer nem todos os bombeiros do Baixo Alentejo chegariam”, diz o vereador Manuel Reis. A solução foi acabar com uma prática instalada há anos. O autarca diz “não se tratar de uma questão de despesa municipal” mas de racionalização dos serviços, pois terão sido detetadas “situações de abuso relacionadas com o uso indevida [sic] de água potável para abeberamento de animais e rega”» («Falta de água está a desesperar populações que vivem isoladas no Alentejo», Luís Godinho, Diário de Notícias, 6.08.2012, p. 15).

[Texto 1939]

«Assunções»

Não passava

      «No início dos anos 80, muitos economistas começaram a questionar as assunções de John Maynard Keynes» («O conselheiro presidencial que lutou contra a inflação», Diário de Notícias, 6.08.2012, p. 41).
      Lá andam eles com as assunções, e não são as Cristas nem as Esteves. Não passava o exame Vieira.

[Texto 1938]

«Planeta Vermelho»

Há sempre quem não saiba

      «Ao mesmo tempo que desbrava caminhos em Marte, com a Curiosity para explorar o planeta vermelho, a NASA anuncia o montante que representa a aposta americana nas empresas privadas que levarão, a partir de agora, os astronautas para a Estação Espacial Internacional» («NASA investe quase 900 milhões em naves espaciais de privados», Rita Carvalho, Diário de Notícias, 6.08.2012, p. 33).
      «Bem empacotado e protegido, o robô Curiosity, da NASA, aproxima-se do seu destino, a superfície de Marte, onde descerá na madrugada da próxima segunda-feira, se tudo correr bem. Objetivo: estudar pela primeira vez o subsolo do planeta (a uma profundidade de 25 cm), para se perceber, de uma vez por todas, se já houve (se haverá ainda) vida no Planeta Vermelho» («Robô ‘Curiosity’ a três dias de chegar a Marte», Diário de Notícias, 3.08.2012, p. 24).
[Texto 1937]

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