Definição e etimologia: «marisma»

Não é qualquer poça


      «Peces y bivalvos muertos, aguas estancadas, verdosas y malolientes; nutridas bandadas de mosquitos en cuanto se pone el sol y abandono de una de las zonas de baño más populares para las familias con niños pequeños. Esta es la situación actual de Baldaio, la marisma de Carballo que es un punto crítico de descanso e invernada en el noroeste ibérico para más de 200 especies de aves silvestres» («Baldaio se ahoga con su propia arena», Cristina Viu, La Voz de Galicia, 29.07.2026, p. 10). 
      Na primeira acepção de «marisma», vocábulo castelhano de que nos apropriámos, Porto Editora, dizes que é o «terreno alagadiço à beira-mar; sapal». Qualquer terreno? Conheço terrenos alagadiços à beira-mar que não são marismas. Logo, não. Eu defini-lo-ia antes assim  marisma 1. terreno costeiro baixo, lodoso e pouco drenado, periodicamente inundado pelas marés, onde se desenvolve vegetação adaptada a águas salgadas ou salobras; sapal. 
      Já quanto à segunda acepção, afirmas que é a «alga que cresce nesse terreno, utilizada na alimentação de animais». E isso o que significa, que é uma qualquer alga que cresce nesses terrenos, ou uma específica cuja identificação omites? Escavando, acha-se ➠ marisma 2. regionalismo algarvio designação de uma alga ou planta marinha que se recolhia para alimentação dos animais.
      Falar em alga ou planta marinha decorre apenas da precaução que, na falta de documentação mais rigorosa, se tem de ter. Tanto mais que as plantas dominantes das marismas são plantas vasculares halófitas, como as salicórnias e espécies de Spartina, e não algas. Mais: no castelhano das Canárias, marisma também designa uma planta chamada saladillo, identificada como Atriplex glauca, que também não é uma alga. 
      Quanto à etimologia, vem do castelhano marisma, «idem», provavelmente através do moçárabe, a partir do latim maritĭma [ora], «orla marítima».

[Texto 23 404]

Etiquetas ,
edit

Sem comentários:

Arquivo do blogue