Como se traduz por aí

Pobres leitores, isso sim


      «Mais tarde ela contou-lhe que tinha vindo na carreta funerária com o cadáver da mãe, mas apenas até à porta da capela, em obediência às instruções de Deborah» (Silverview, John le Carré. Tradução de Maria de Fátima Carmo e revisão de Clara Joana Vitorino. Alfragide: Publicações Dom Quixote, 2023, 3.ª ed., p. 182). 
      Mais conhecida no mundo moderno ocidental por... carrinha funerária ou carro funerário. Reaparece mais à frente, e já com o adjectivo desatrelado: meramente «carreta». Pesquisem então «undertakers’ van» no Google Imagens e depois digam-me o que aparece. Que raio de disparate... A única carreta que chegou aos nossos dias, em todo o universo lusófono, está no Brasil, onde é sinónimo de «camião»: «Ao menos 23 pessoas morreram na madrugada desta quarta-feira (19) em um acidente entre uma carreta e um micro-ônibus no km 209 da rodovia BR-373, em Ipiranga, a cerca de 171 quilômetros de Curitiba, no Paraná. [...] O caminhão tinha placas de Erechim, no Rio Grande do Sul, e seguia no sentido de Carambei para Prudentópolis» («Acidente entre micro-ônibus e carreta deixa 23 mortos no Paraná», Cristina Camargo, Francisco Lima Neto, Bruna Fantti e Catarina Scortecci, Folha de S. Paulo, 20.08.2026, p. A34).

[Texto 23 425]

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