Ortografia: «menino bem»
21.8.26
Ora sobra, ora falta
«Tudo ia calmo no pátio, mais calmo do que o habitual, não havia gritaria nem serenata, só se ouviam as vozes e os gatos a miarem pelos cantos, uma vez por outra um carro que passava lá fora na Avenida de Ceuta, o tio Artur puxou a conversa, temos de levar o rapaz ao Atlético, e logo o Lúcio da tasca que dizia as coisas duas vezes respondeu, quando vier o Belém, quando vier o Belém, e riu-se, riram-se todos, o Victor não percebeu do que se riam eles, que mal tinha o Belenenses?, o Belém, e o tio explicou, quando vem o Belém há sempre sarrabulho, e o Victor perguntou porquê, e o Lúcio respondeu, ora, operários contra meninos-bem já se sabe que não pode acabar aos abraços, depois verás, depois verás» (Pés de Barro, Nuno Duarte. Revisão de Madalena Escourido. Alfragide: Leya, 2025, 3.ª ed., pp. 36-37).
Há-de ser confusão com «menino-bonito». Nunca vi o adjectivo invariável «bem» ligado por hífen neste caso. Mais valia ter guardado o hífen para outros casos em que é necessário e não o usou, como em «um tipo mal encarado» (p. 27), «passadeiras de madeira mal amanhadas» (p. 33), «o cardeal patriarca Manuel Gonçalves Cerejeira» (p. 38), por exemplo.
[Texto 23 418]
edit
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