Fim de século, fim-de-século, finissecular...

Em suma, ficamos a perder


      «Atrás do monumento, flutuando no ar cálido, via-se a silhueta do hotel Taj Mahal, enorme pastel, delírio de um Oriente fim-de-século, que como uma gigantesca bola não de sabão mas de pedra tivesse ido parar a um recanto de Bombaim» (Vislumbres da Índia, Octavio Paz. Tradução de José Colaço Barreiros e revisão de João Carlos Alvim. Lisboa: Relógio D’Água, 2017, p. 15). 
      Ai sim? Mas na ficha técnica juraram que «esta tradução segue o novo Acordo Ortográfico». A propósito, o dicionário da Porto Editora não o regista, mas tem (e temos) o adjectivo «finissecular», sempre preferível, e que é o termo usado por Octavio Paz. O Houaiss, contudo, regista-o como locução (que é) e o VOLP da Academia Brasileira de Letras como adjectivo de 2 géneros e 2 números, mas isso é porque os académicos estavam a dormir, ou então foi o informático que decidiu mostrar que também tem opinião, que, sabemos agora, mais valia guardar para si e para sempre. 
      Mas nem tudo são ganhos: o Houaiss distingue três acepções em «fim de século», ao passo que a Porto Editora só regista uma em «finissecular».

[Texto 23 439]

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