«Shutdown», de novo

Em Angola sabem

      «“Façam a votação. Parem com esta farsa e acabem com a “paralisação” (shutdown em inglês) agora”, disse o Presidente aos representantes republicanos no seu programa semanal de rádio» («Obama aumenta pressão sobre os republicanos», Jornal de Angola, 9.10.2013, p. 10).
[Texto 3371]

Ortografia: «auto-emprego»

Não pode ser

      «A associação “Dar Vida à Vida” é uma organização filantrópica, cujo objectivo principal é combater o desemprego da juventude e promover o auto emprego, mediante a concessão de microcrédito» («Jovens e ex-militares recebem microcrédito», Valentim Cavindi, Jornal de Angola, 10.10.2013, p. 38).
      Caro Valentim Cavindi, deixa assim à solta, sem mais, um elemento de formação de palavras? Veja lá ele não caia ou desapareça. Auto-emprego como «auto-educação» ou «auto-escada». E claro que o nome da associação não precisa das aspas para nada.
[Texto 3370]

Ortografia: «Cuíto»

Está quase

      «No quadro do programa do Governo de construção de mais infra-estruturas escolares, oito salas estão a ser acrescidas na Escola de Formação de Professores (Marista São José) no Cuito, província do Bié» («Cidade do Cuito com mais salas», Jornal de Angola, 10.10.2013, p. 39).
      Ah, mas até nos jornais angolanos escrevem este topónimo com c, e não com k. (Vejam aqui.) Só falta o acento.
[Texto 3369]

«Situação», uma acepção

As aspas são mesmo uma doença

      «A segunda fase (1945-1961), que se caracteriza por um táctico abrandamento do regime e pela admissão de algum pluralismo limitado, em que a Assembleia Nacional passa a ser presidida por um dos mais “liberais” líderes políticos da situação, que na tradição republicana de que era oriundo mantinha uma postura de franco apoio e empenho, mas sem subserviência» (Os Deputados da Assembleia Nacional 1935-1974, J. M. Tavares Castilho. Lisboa: Texto Editores, 2009, p. 141).
      O autor — não este, outro — quer forçosamente aspas em «situação», na mesma acepção. Porque o pobre leitor pode julgar que é literalmente o acto ou efeito de situar. Isto é que é confiança na inteligência do leitor.
[Texto 3368]

«Salto», uma acepção

As aspas são uma doença

      «Naquela época, dar o salto para França era uma empreitada dura, arriscada. Construíra casa na aldeia, mais para mostrar aos vizinhos que fizera fortuna, já não era um jornaleiro pobretão» (O Rei do Volfrâmio, Miguel Miranda. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2008, pp. 18-19).
      O autor — não este, outro — quer forçosamente aspas em «salto», na mesma acepção. Porque o pobre leitor pode julgar que é literalmente o acto ou efeito de saltar. Isto é que é confiança na inteligência do leitor.
[Texto 3367]

Léxico: «imunoprevenível»

Avancemos para Angola

      Tenho de ler mais vezes o Jornal de Angola. Ao menos diversifico os erros e os acertos que leio, e o segredo da vida é esse mesmo, a diversidade. E quero ter leitores em Angola, naturalmente. «A febre tifóide, que consta das doenças consideradas epidémicas e imunopreveníveis, causou um óbito, de um total de 2.147 casos registados» («Sarampo provoca mortes», Delfina Victorino, Jornal de Angola, 9.10.2013, p. 38).
      Imunoprevenível significa que é doença que pode ser prevenida com a vacinação. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora nunca se avistou com ela. Nem eu, até agora.
[Texto 3366]

Léxico: «matamba»

Resolvido

      «A esposa, a dona de casa é, regra geral, a cozinheira da família. O fungi, preparado à base de farinha de bombó ou milho, constitui a principal dieta alimentar, que é normalmente acompanhado de carne, peixe, matamba (quizaca), mulembwe (quiabo), temperado com ginguba, semente moída de abóbora ou de girassol» («Lumege Cameia transformada em vila moderna», Adão Diogo, Jornal de Angola, 9.10.2013, p. 39).
      Não sei, pareceu-me mal que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora registasse «quizaca» e não acolhesse «matamba». Às 9h16 sugeri a inclusão do vocábulo e agora já lá está, para alegria dos Angolanos.
[Texto 3365]

Léxico: «chana»

Isso não é cá

      «O município [de Cameia], tido no passado por celeiro da província, devido às elevadas cifras de produção de arroz, possui chanas em abundância, 25 rios e quatro lagoas, que impulsionam a agricultura e a pesca artesanal» («Lumege Cameia transformada em vila moderna», Adão Diogo, Jornal de Angola, 9.10.2013, p. 39).
      É o nome que se dá em Angola às grandes planícies desprovidas de arvoredo e alagadas na época das chuvas.
[Texto 3364]

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