Léxico: «ortóstato»

Só pode ser confusão


      «Cualquiera que se sitúe frente al “obelisco” de Avebury, un ortostato de más de 6 metros de altura y 3 de diámetro, se sentirá sobrecogido contemplando aquella piedra alzada hace 5.000 años en el centro de un círculo de piedras de casi 100 metros de diámetro» («Megalitismo: qué sabemos hoy sobre los gigantes de piedra», Diego Suárez Martínez, La Razón, 12.04.2026, p. 50). 

      A Porto Editora regista o termo, com duas acepções. Vamos esquecer a segunda, relativa à medicina, e concentremo-nos na primeira: «ARQUEOLOGIA, ARQUITECTURA laje ou bloco de pedra vertical que forma a parte inferior de um muro, parede ou outra estrutura erigida no solo». Não é assim. Caiu no erro de reunir numa só acepção, sob os domínios Arqueologia e Arquitectura, dois sentidos distintos de «ortóstato»: o da arquitectura antiga, em que o termo designa uma laje vertical usada sobretudo na parte inferior de um muro ou no revestimento de uma parede, e o da arqueologia do megalitismo, em que designa uma grande pedra fincada verticalmente e integrante de uma estrutura monumental. A fusão destes dois valores semânticos gera uma definição híbrida e, no respeitante ao megalitismo, errada. 

      Assim, proponho ➜ ortóstato ARQUEOLOGIA (megalitismo) grande pedra alongada disposta verticalmente e fincada no solo, que constitui elemento estrutural de construções megalíticas, servindo de suporte ou de delimitação, nomeadamente em dólmenes, antas ou outros monumentos afins; 2. ARQUITECTURA (antiga) laje ou bloco de pedra disposto verticalmente, utilizado sobretudo na fiada inferior de muros (basamento) ou no revestimento de paredes em construções da Antiguidade, especialmente na arquitectura grega. 

      E vamos lá deixar a etimologia mais compostinha, porque, na verdade, vem ➜ do lat. orthostāta, e este do gr. ὀρθοστάτης (orthostátēs), comp. de ὀρθός, «direito, vertical», e στάτης (de ἵστημι, «pôr de pé, fazer estar»), «o que está de pé», «pedra erguida».

[Texto 22 810]

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