Definição: «olho do furacão»
14.4.26
Com olhos de ver
Na SIC Notícias, no sábado, o comentador Duarte Costa, especialista em alterações climáticas, explicou, até com recursos a gráficos, quadros, mapas, a diferença de cuidados entre o Governo português perante o comboio de tempestades, e sobretudo a Kristin, e o Governo neozelandês. Bem, mas foi aqui que nascemos e temos de aguentar. Num dos mapas, aparecia um olho do furacão, que a Porto Editora acolhe, mas que pode estar melhor, já que 1. omite um traço definidor essencial: a relativa acalmia dos ventos no interior do olho, que o distingue claramente das regiões circundantes; 2. não menciona o contraste estrutural com a parede do olho, zona onde se concentram os ventos mais intensos e a maior actividade convectiva; 3. inclui um elemento acessório como se fosse definidor, o diâmetro (30 a 70 km), quando este é altamente variável e não integra a essência do conceito; 4. não refere uma característica típica, ainda que não absoluta: a presença frequente de céu limpo ou pouco nublado no interior do olho; 5. formulação pouco precisa em «tendencialmente circular», que acrescenta pouco valor descritivo e não compensa a ausência de traços mais relevantes; 6. limita-se a uma descrição geométrica e barométrica, sem captar a dinâmica atmosférica fundamental do fenómeno (subsistência do ar e consequente estabilidade relativa).
Assim, proponho ➜ olho do furacão METEOROLOGIA região central de um ciclone tropical, aproximadamente circular, caracterizada por pressão atmosférica muito baixa e por condições de relativa calma (ventos fracos e, frequentemente, céu pouco nublado), rodeada pela parede do olho, onde se registam os ventos mais intensos e a maior actividade convectiva.
[Texto 22 805]
edit
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