Definição: «caça-gralhas»
22.4.26
Não me revejo
Pois bem, «caça-gralhas» já está onde deve estar: no dicionário. Não sei é se deve ficar com a definição actual. É coloquial, isso de certeza, mas, como eu a vejo ser usada, pelas pessoas do meio, não é o revisor pleno, que mexe, altera, sugere (por vezes fazendo as vezes do editor, ora pois). Não: o caça-gralhas é isso, e dentro da sua limitada competência (já conheci telefonistas que, nos intervalos, tinham de fazer revisão), um caça-gralhas, alguém alfabetizado que apanha gralhas, no que até pode ser proficientíssimo. Quanto ao que as pessoas fora do meio entendem, pouco importa: bem sei que, para algumas, é tudo o mesmo. Em apoio do meu entendimento, cito a seguinte carta que Luiz Pacheco mandou, a acolitar umas provas, a Luís Amaro, poeta, jornalista, revisor, editor, crítico literário, fundador da revista Árvore e colaborador durante mais de cinquenta anos em iniciativas de âmbito literário: «Creio ter cumprido, para além da função caça-gralhas, e o melhor possível, a minha tarefa de revisor: esta terceira versão (mantendo os erros de estrutura que, a emendarem-se, obrigavam a um livro novo) está quase decente. B. B. é inteligente e tem talento: o que é, é precipitado, um tudo-nada alifante num jardim...» Estoutra citação vai no mesmo sentido: «Tarquínio tinha o culto do belo curvo e modelado apolíneo e, vindo de um publicismo nocturno e caça-gralhas, revisor embora não geral, incomodou-se com as brutalidades marujas da revolução» (A Manobra de Valsalva, Artur Portela. Lisboa: Quetzal Editores, 2002, p. 59).
[Texto 22 851]
edit
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