Definição: «metabolito»

Não satisfaz ninguém


      «Segundo Jack Brand, da Universidade Sueca de Ciências Agrícolas, “foi realmente o metabolito, que sabemos ocorrer em concentrações mais elevadas na natureza, que teve um efeito muito mais profundo no comportamento e na movimentação dos peixes”, alertando que a ausência destes compostos nas avaliações de risco pode levar a uma subestimação significativa do impacto ambiental» («Cocaína nos rios está a deixar salmões mais ativos (e com comportamentos estranhos)», Olímpia Mairos, Rádio Renascença, 21.04.2026, 16h05). 

      Não bastavam os mocados que por aí vemos, agora também os salmões andam na ganza. Bem, olhemos ali para metabolito, que a Porto Editora define assim: «BIOQUÍMICA qualquer substância resultante do processo de metabolismo». Para o leigo, é potencialmente enganadora, porque sugere apenas o produto final. Para o especialista, é insatisfatória, porque omite aspectos estruturais do conceito (intermediários, vias metabólicas, actividade biológica). Não fiquem tristes: a definição do Houaiss, apesar de o dar como «qualquer composto intermediário das reações enzimáticas do metabolismo», está longe de ser perfeita, já que pode levar a entender-se que exclui os produtos finais, quando, em uso científico, estes também são metabolitos. Apenas a conjugação das duas resolve o problema, o que fazemos propondo ➜ metabolito BIOQUÍMICA molécula resultante da transformação de uma substância no metabolismo, incluindo produtos finais e compostos intermédios das vias metabólicas; pode conservar, alterar ou perder a actividade biológica da substância de origem.

[Texto 22 854]

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