Nuremberga? Então Bamberga

Já agora, se não se importa

      «Na Francónia (região da Baviera de que fazem parte Nuremberga, Bayreuth e Bamberg) é normal encontrar pouca informação noutra língua que não seja o alemão» («Nuremberga, uma cidade a contas com o passado», Patrícia Carvalho, «Fugas»/Público, 13.07.2013, p. 7).
      Francónia Central (Mittelfranken, em alemão), melhor. E porque não escreveu a jornalista Bamberga, se escreveu Nuremberga? Não se percebe. Bamberga já no Vocabulário de Bluteau aparece registado.
      «Dessa mesma época ou nela principiadas, são, entre muitas outras, a catedral de Bamberga, que guarda uma estátua equestre de excelsa execução, embora influenciada pela escultura de Reims; a de Friburgo em Brisgóia, de frontaria copiosamente ornada com figuras de expressão germânica» (Obras de Ferreira de Castro, vol. 4. Porto: Lello & Irmão, 1979, p. 702).
[Texto 3081]

«Bebidas largas»?

Pôr: RIP

      «Como para a próxima terá de ficar também a experiência de colocar os pés na areia da praia artificial da cidade. Não tem espaço suficiente para se deitar ao sol, mas, durante oito semanas, pode sentar-se nos cadeirões e deixar que lhe sirvam bebidas largas. Procure-a junto ao rio» («Nuremberga, uma cidade a contas com o passado», Patrícia Carvalho, «Fugas»/Público, 13.07.2013, p. 5).
[Texto 3080]

Ortografia: «preto-e-branco»

E vê-se bem

      «Fotografias a preto e branco do tempo do centro histórico do pós-guerra mostram que da enorme estrutura [da Igreja de São Lourenço] apenas sobreviveu a fachada gótica com as suas duas torres» («Nuremberga, uma cidade a contas com o passado», Patrícia Carvalho, «Fugas»/Público, 13.07.2013, p. 5).
      No entanto, seja filme ou fotografia, a combinação do preto e do branco grafamo-la preto-e-branco.

[Texto 3079]


«Haveria de»

Mais avarias

      «No pós-guerra chegou a considerar-se a hipótese de não reconstruir a cidade, deixando-a como uma memória do horror da guerra. Nuremberga, contudo, haveria de ser reconstruída, embora se tenha optado por reabilitar apenas os edifícios mais emblemáticos» («Nuremberga, uma cidade a contas com o passado», Patrícia Carvalho, «Fugas»/Público, 13.07.2013, p. 5).
[Texto 3078]

O mundo da edição

Copiamos sempre o pior

      «Em Milão, 11 tradutores trabalharam sete dias por semana, até às oito da noite, num piso subterrâneo do edifício Mondadori, editora italiana. Todos os dias à entrada os tradutores entregavam os telemóveis e qualquer outro aparelho que lhes permitisse a comunicação com o exterior» («Tradutores de Inferno estiveram fechados para evitar fugas de informação», Catarina Moura, Público, 12.07.2013, p. 51).
      Já não chega a palavra dos tradutores, agora têm de ficar sequestrados. Mas cá já vão surgindo, aqui e ali, semelhantes comportamentos paranóicos, como, por exemplo, não facultarem a ninguém o PDF das obras com receio de pirataria. Puf...
[Texto 3077]

Exame de Português

As piores de sempre

      Mais de metade (38 785) dos alunos do 12.º ano (70 807) tiveram negativa no exame nacional de Português. Uma razia (sem metáfora). A média nacional foi de 8,9 valores, inferior à média do ano passado, que tinha sido a miséria de 9,5. A explicação (que também se transformará, a seu tempo, em desculpa) é que as perguntas de gramática deixaram de ser de escolha múltipla. A Latim também houve descida de nota. Dos pouco mais de cem alunos que fizeram a prova, 48 foram chumbados.
[Texto 3076]

Figuras: de estilo e outras

C’est de ta faute, Simone

      «Não podemos deixar, como dizia a Simone de Beauvoir, que os nossos carrascos nos criem maus costumes.» Já estamos habituados a estas desculpas: ah, a minha frase foi descontextualizada, ah é uma metáfora. Desta vez, diz que foi este recurso expressivo. «Mas foi mal entendida e está a ser muito criticada pela forma como se dirigiu aos manifestantes», contrapôs a repórter da RTP a Assunção Esteves. «Paciência!» E, supremo argumento, entre muitos risos: «não foi para os manifestantes, foi para os trabalhos do plenário» que se dirigiu. Outra figura de estilo.
     Só me teria surpreendido mais se a citação fosse em francês: «Comme dirait Simone de Beauvoir, nous ne devons pas laisser nos bourreaux nous donner de mauvaises habitudes.» Ou em alemão: «Mit den Worten Simone de Beauvoir’s gesagt, dürfen wir es nicht zulassen, dass uns unsere Henker schlechte Gewohnheiten anerziehen.»
[Texto 3075]

Léxico: «grabatário»

Acamado permanente

      A autora diz que a institucionalização e sobretudo a hospitalização «fabrica mortos e grabatários, provoca dependência, regressão, infantilismo e perturbações mentais». Tudo verdade, mas nunca eu tinha visto o vocábulo «grabatário». Para quem sabe um pouco de latim que seja, o sentido não lhe escapará. Grabateiro, o fabricante de leitos na Idade Média, já eu conhecia. O Houaiss regista que é um regionalismo brasileiro e que significa «doente cronicamente acamado». Para o Aulete, por sua vez, «diz-se do doente condenado à total e permanente imobilidade no leito».
[Texto 3074]

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