Panoias

Alguém lhes explica?

      «Cinco pessoas sofreram ontem ferimentos ligeiros na sequência de um choque em cadeia que envolveu cinco viaturas ligeiras no IC1, na zona de Ourique. O acidente ocorreu às 15.39, junto à localidade de Panoias. Os cinco feridos receberam tratamento no local, uma vez que apresentavam apenas “escoriações”, acrescentou fonte dos bombeiros» («Choque em cadeia causa cinco feridos», Diário de Notícias, 10.09.2012, p. 23).
      Era bom que percebessem que, segundo o Acordo Ortográfico de 1990, que adoptaram, também se passou a escrever Saboia. Mas não há meio.
[Texto 2078]

Os Ianomâmis

Erros e ausências

      «Segundo um grupo de representantes dos yanomami, o massacre terá sido levada [sic] a cabo por garimpeiros brasileiros, que utilizaram um helicóptero para passar a fronteira e investir contra os índios» («Massacre de índios», Diário de Notícias, 10.09.2012, p. 10).
      Em alguma imprensa brasileira, podemos ler «os ianomâmis». Cá, vai-se quase sempre pelo caminho errado. E os nossos dicionários também não ajudam. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não regista o termo. Já o Dicionário Houaiss, por sua vez, diz que Ianomâmis é um substantivo masculino plural.
[Texto 2077]

Vladivostoque

Um retrocesso

      «“Não faz sentido passar uma resolução sem consequências porque, como já vimos muitas vezes, Bachar al-Assad vai ignorar e continuar a atacar o seu próprio povo”, afirmou ontem a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, à margem do Fórum de Cooperação Económico Ásia-Pacífico, que decorreu durante o fim de semana na cidade russa de Vladivostok» («Proposta russa para a Síria vetada por Clinton», Catarina Reis da Fonseca, Diário de Notícias, 10.09.2012, p. 24).
      Um retrocesso, evidentemente, já que de quando em quando escrevem Vladivostoque: «Se Alexandre III promoveu a construção do expresso Transiberiano (em 1981, para ligar os 9289 km que separam Moscovo de Vladivostoque), já Estaline aproximou a Sibéria de Moscovo, deportando milhões de cidadãos em vagões de carga» («Rússia cresce depois de erupção vulcânica», Bruno Abreu, Diário de Notícias, 20.11.2009, p. 34).
[Texto 2076]

Ortografia: «motobomba»

A persistência do erro

      «Na noite da tragédia, as informações prestadas pelas autoridades e por populares indicavam terem sido informados pelo proprietário da quinta de que os trabalhadores teriam levado para o poço uma moto-bomba, que teria provocado a intoxicação. “Mentira”, afirma Manuel Martins, garantindo que “no fundo do poço não estava qualquer motor ou bomba e o gás tóxico vinha da mina, lateral, ao fundo do poço”» («“Ainda estou em choque, não sei como saí dali vivo”», José António Cardoso, Diário de Notícias, 10.09.2012, p. 19).
[Texto 2075]

«Espoletar»

Não é necessário

      «O visconde, deputado nas Cortes, ter-se-á atrasado para um sessão do órgão monárquico, tendo sido censurado por um marquês, que lhe chamou “cão tinhoso”. Irritado com a situação, o visconde foi tirar satisfações com o marquês. Este último não gostou da atitude e atirou-lhe as luvas ao rosto. A reação provocatória e a ausência de desculpas espolotou um duelo» («Mudança da estátua da Justiça de Fafe não reúne consenso», Cynthia Valente, Diário de Notícias, 10.09.2012, p. 22).
      Abstraindo do erro ortográfico — é linguagem bélica, mesmo que em sentido figurado, escusada. Há alternativas.
[Texto 2074]

Jórgia, de novo

Não a inventei

      «South, cujo nome verdadeiro era Joseph Souter, morreu com um ataque cardíaco na sua casa em Buford, no Estado norte-americano da Jórgia» («Morreu o compositor de ‘Games people play’», Diário de Notícias, 7.09.2012, p. 43).
      É a terceira vez que estamos a ver, aqui no Linguagista, esta forma de nos referirmos ao Estado norte-americano. (Ah, a propósito: Rebelo Gonçalves, na página 611 do seu Vocabulário da Língua Portuguesa, regista «linguagista». Não, não é a minha profissão: é o nome do blogue. Não a inventei, mas também trata de ruínas.)
[Texto 2073]

Conselho

Devia servir para toda a gente

      «Num livro escrito por Paul Fletcher, antigo dirigente do Burnley, o autor conta que o clube da II Liga inglesa, e que em 2010 jogou no escalão principal, esteve perto de ser treinado por André Villas-Boas. “O seu [de Villas-Boas] currículo e apresentação em powerpoint eram incríveis. Até pelos padrões de exigência atuais, tinha algumas coisas complicadas que eu não percebia”, refere Paul Fletcher, que tinha referências do então treinador da Académica como tendo grande potencial, embora o vocabulário que usava fosse complexo. “Tommy Docherty [antigo jogador e treinador escocês] explicava que não dizia nada aos seus jogadores que o leiteiro não percebesse. Será que os jogadores o teriam entendido se ele lhes dissesse para ‘solidificarem’, ou algo parecido?”, pergunta-se Fletcher, que ainda especula se o clube se teria mantido na Premier League ao comando do português, que acabou por rumar ao Dragão» («Vilas-Boas e o leiteiro», O. M., Diário de Notícias, 8.09.2012, p. 35).
[Texto 2072]

Sobre a Wikipedia

Um novo paradigma

      «O escritor Philip Roth criticou a enciclopédia online Wikipedia por não lhe ter permitido efetuar uma emenda numa entrada sobre A Culpa Humana, um livro seu. Numa carta aberta que publicou na New Yorker, explicou que a informação na Wikipedia era baseada num texto crítico e continha informação errada» («Escritor critica Wikipedia», Diário de Notícias, 9.09.2012, p. 50).
      Só me espanta — e não devia, porque já vi muita coisa — que esta enciclopédia seja citada até em trabalhos académicos, dissertações, teses.
[Texto 2071]

Arquivo do blogue