Ortografia: «Perúgia»

Está mal

      «O Supremo Tribunal de Itália anulou ontem a absolvição da americana Amanda Knox e do italiano Raffaele Sollecito pela morte de Meredith Kercher, uma estudante britânica, em 2007, em Perúgia» («Knox vê anulada absolvição por morte de amiga», Patrícia Viegas, Diário de Notícias, 27.03.2013, p. 25).
     Nem mais. Perúgia, pois claro, e não Perugia nem Perúsia. Contudo, no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, em que abundam os aportuguesamentos toponímicos, sobre «perusino» diz-se que é «relativo ou pertencente a Perúsia (actual Perugia), antiga cidade da Etrúria (Itália), ou que é seu natural ou habitante».
[Texto 2721]

Ortografia: «alto-duriense»

Também têm culpa

      Ontem à tarde, passei perto do Mercado de Benfica e reparei num cartaz em que se anunciava uma «feira de produtos transmontanos e altodurienses». Errado, e a culpa é em parte dos dicionários. É em vão que procuramos a palavra no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, por exemplo. «Note-se que às locuções toponímicas, como a quaisquer locuções do vocabulário comum, não se aplica o hífen: Alto Alentejo, Alto Douro, Beira Alta, Costa do Sol, Entre Douro e Minho, etc. Mas escreveremos alto-alentejano para designar o habitante do Alto Alentejo, como alto-duriense, baixo-alentejano, etc., das respectivas regiões» (Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, vol. XIII, p. 204).

[Texto 2720]

Tradução: «wind chime»

Ainda não está

      Estava à espera de encontrar no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora o vocábulo «espanta-espíritos», que oiço e leio tantas vezes, mas não. «Sino de vento», como acabei de ver, não me parece um termo muito feliz para traduzir wind chime. Mas, enfim, há-de haver quem pense o contrário.

[Texto 2719]

Léxico: «ázimo»

Vá lá

      «Judeus ortodoxos participaram, no domingo, no mayim shelanu, uma cerimónia em que recolhem água de uma nascente natural, perto de Jerusalém. A água é utilizada para fazer matza, o pão ázimo tradicional para ser comido durante o período judaico da Páscoa, que começa na segunda-feira. Durante este período é proibido aos judeus consumir qualquer produto com fermento. A Páscoa celebra a fuga dos judeus do Egito antigo, como descrito no Livro do Êxodo» («Mayim shelanu: a Páscoa judaica», Diário de Notícias, 27.03.2013, p. 6).
      Quase milagroso, como se lembraram do termo. Conhecendo-os como nós os conhecemos, mais natural era que traduzissem o inglês unleavened. Vá lá. Há ainda a variante asmo, como lembrei há sete anos no Assim Mesmo.
[Texto 2718]

«Camauro» e «portenho»

Tu quoque

      «Eu sei que alguns — que já lhe tinham lido várias obras antes de Ratzinger ter escolhido o “camauro” com bordas de arminho e souberam, então, relacionar os pensamentos do filósofo bávaro com o vestuário litúrgico — sorriem, agora, com as minhas esperanças nos sapatos cambados do porteño» («Qual a gama dos BMW para o Estado?», Ferreira Fernandes, Diário de Notícias, 27.03.2013, p. 56).
      Para quê as aspas em «camauro», que até está — e nem era preciso — nos dicionários gerais da língua portuguesa? E mais: para quê porteño, se se usa aportuguesado, portenho, há muito? Lá está, por exemplo, no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que remete para «buenairense».

[Texto 2717]

«Obra-prima/obra-mestra»

Prima de primeira

      João Gaspar Simões — autor injustamente esquecido, e de quem tenho ali três obras que me ofereceram recentemente e que aguardam vez para as ler — distinguia («mau grado a significação idêntica dessas expressões», acrescentava) entre obra-prima e obra-mestra. Castelhanismo ou não, o certo é que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora acolhe o vocábulo «obra-mestra», embora remeta, e bem, para o verbete «obra-prima».
[Texto 2716]

«Entreter correspondência»

Uma acepção em falta

      «Durante todo ele, entreteve correspondência regular com o embaixador português em Paris, Conde da Vidigueira, que centralizava a atividade internacional da Restauração; nela fazia, religiosamente, a crônica, muitas vezes pitoresca, de sua atormentada missão» (A Arte de Furtar e o Seu Autor, Afonso Pena Júnior. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras, 2001, vol. 1, p. 118).
      O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não acolhe, estranhamente, esta acepção do verbo «entreter», que o Aulete, por exemplo, regista.
[Texto 2715]

Ortografia: «grão-priores»

A medida do desmazelo

      «O anúncio foi feito na sexta-feira, no encerramento do congresso que durante a última semana juntou os 20 grão-priores da ordem, da Europa e da América, em Portugal. [...] Os Grãos Priores queriam avaliar os espaços prometidos pela Secretaria de Estado da Cultura» («Convento de Tomar vai ter sede cultural da Ordem dos Templários», Maria João Caetano, Diário de Notícias, 25.03.2013, p. 46).
[Texto 2714]

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