«Catequese» e «catequizar»

Saibam de cor

      Em parte, temos de o admitir, a jornalista tem razão: catequizar, a par de sintetizar e de sifilizar, é uma excepção, pois -izar só se usa nos verbos derivados de vocábulos sem s. Domício Proença Filho pergunta, com muita graça, se, no caso de «catequese» e «catequizar», estamos perante divergências de família. Não, responde, apenas tem que ver com caprichos da origem, grega, das palavras. Os Gregos só nos arranjam problemas. Ainda hoje.
[Texto 1949]

Léxico: «qatari»

Que remédio

      «Muitos já o consideram uma espécie de “homem dos sete ofícios” do desporto. A esse propósito, o qatari chegou mesmo a afirmar, antes dos Jogos Olímpicos que estão a decorrer na capital britânica: “Para conduzir e para disparar preciso de uma cabeça limpa e de uma mão firme.”» («Ás do volante e certeiro no tiro. O que falta ao príncipe do Qatar?», Octávio Lousada Oliveira, Diário de Notícias, 1.08.2012, p. 32).
      É estranho, como estranha é a grafia do topónimo. Mas não havendo outro...
[Texto 1898]

Léxico: «fuzo»

Desconheço

      «A GNR e a PJ, apoiada por fuzileiros da Marinha, desconheciam que ambas tinham efetivos prestes a intervir na operação noturna de combate à droga realizada em Odemira no fim de semana, o que poderia ter resultado num “banho de sangue” entre “forças amigas”, garantiram ao DN fontes envolvidas no caso» («GNR e ‘fuzas’ quase aos tiros na operação do rio Mira», Manuel Carlos Freire, Diário de Notícias, 1.08.2012, p. 16).
      «Fuças», sim, existe. O jornalista queria escrever «fuzos», que é o nome na gíria para fuzileiros.

[Texto 1897]

Léxico: «encosto»

Desencosta-te

      Na minha vida, não são nada raras estas coincidências. Ontem de manhã, vi pela primeira vez o termo «encosto» na acepção de espírito que acompanha uma pessoa viva, prejudicando-a com vibrações negativas. Coisas do espiritismo. Nem os dicionários actualizados ao minuto a registam. No 5 para a Meia-Noite (com D. Januário Torgal Ferreira como convidado?!), mesmo no fim, José Pedro Vasconcelos leu um anúncio de um jornal em que se usava a palavra nesta acepção.
[Texto 1896]

Léxico: «caipirosca»

Semiburlesco

      Um artigo do Diário de Notícias revela-nos onde beber as melhores caipirinhas em Lisboa. Pelo meio, também fala das variantes: caipirosca, em que em vez de cachaça se adiciona vodca, e caipirão, quando em vez de cachaça se acrescenta Licor Beirão. E não é que o seriíssimo Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista «caipirosca»?! E «caipirão» também regista, mas somente como diminutivo de «caipira».
[Texto 1895]

Léxico: «malhassol»

Fora, mas usada todos os dias

      O engenheiro queimado por mil sóis africanos não quer rede galinheira no terraço, mas malhassol. E o vocábulo não devia estar nos dicionários? Malhassol = malha + soldada. Welded steel mesh, se preferem em inglês...
[Texto 1894]

Sobre «condimento»

Não faltam condimentos

      «Para evitar os assaltos no parque de campismo, a segurança foi reforçada. Além de mais iluminação, há também, segundo Luís Montez, mais arruamentos e um segurança em cada cruzamento. Os campistas contam ainda com um supermercado, inovação introduzida no ano passado, para fazerem as suas compras. No entanto, admite o responsável, nota-se que quem já chegou ao recinto vai carregado de condimentos para evitar gastos maiores. Um reflexo da crise, tal como a tendência verificada na venda de ingressos» («Eddie Vedder obriga a criar pista de helicóptero», Sofia Fonseca, Diário de Notícias, 31.07.2012, p. 45).
      Parece ser uma citação indirecta, e nesse caso é erro de Luís Montez, mas a jornalista devia ter corrigido. Condimentos, meus caros, são substâncias que realçam o sabor dos alimentos: ervas aromáticas, especiarias, etc.
[Texto 1893]

«Idêntico/semelhante»

Repetimo-nos

      «Os materiais da caverna Border são, por outro lado, muito idênticos aos que posteriormente – há 24 mil anos – foram produzidos e utilizados pelas populações pré-históricas na região, conhecidas por povo San» («‘Flinstones’ africanos já eram modernos há 44 mil anos», Filomena Naves, Diário de Notícias, 31.07.2012, p. 33).
      Já o perguntei várias vezes: a identidade tem graus? Ora, se temos o vocábulo «semelhante», porque havemos de usar sem propriedade o vocábulo «idêntico»?
[Texto 1892]

Arquivo do blogue