«Malapata»?

Azar

      «Jesus quebra malapata de Olhão e está há um ano sem perder» (Gonçalo Lopes, Diário de Notícias, 8.04.2013, p. 34). Parece português, pois parece, mas é castelhano e está mal grafado: é mala pata. Má sorte, azar.
[Texto 2745]

Sobre «clubístico»

Como estava enganado

      Decerto que se lembram de eu ter dito que o revisor antibrasileiro ficava transtornado de cada vez que lia a palavra «clubístico». «“Clubístico” não existe. Veja.» E mostrava-me a 4.ª edição do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Agora, na edição em linha — e não fui eu que a mandei pôr lá — já está registada. E bem.
      Ontem li de um jacto a obra A Língua Inglesa e a Vida em Londres, de Vasco Botelho de Amaral (Lisboa: Centro Internacional de Línguas, 1958). Na página 98, lê-se: «Será tudo bom nos clubes? Claro que não. Certo escritor inglês, Thackeray, referindo-se, acidentalmente, à vida nos clubes, observou com justeza um aspecto desagradável da vida clubística
[Texto 2744]

«Sob o fogo da crítica»

Fogo!

      «Já o grau de responsabilidade da Universidade de Lisboa é enorme e incontornável: recordo as dezenas de docentes da sua Faculdade de Letras que, logo em 1986, se manifestaram criticamente contra o acordo então celebrado e do qual passaram ao de 1990 alguns dos principais tópicos que continuam sobre o fogo da crítica, e recordo também, que, como toda a gente sabe, pelo menos vários dos mais ilustres professores de Direito da mesma instituição têm tomado posições públicas quanto ao facto de o AO não poder considerar-se em vigor» («Ainda a edição de Vieira e o Acordo Ortográfico», Vasco Graça Moura, Público, 6.04.2013, p. 33).
      Não é difícil imaginar a crítica como um braseiro sobre o qual estes «tópicos» estão ao rubro, mas o fogo da crítica, ainda que metafórico, são tiros. Logo, sob o fogo da crítica.

[Texto 2743]

«Discordar de/concordar com»

E por erros estapafúrdios...

      «Atenção que não me estou a referir aqui a diferenças políticas, desentendimentos ideológicos ou divergências quanto ao zeitgeist. Qualquer um de nós é capaz de reconhecer inteligência em pessoas com as quais discorda profundamente. Do que eu falo é de uma outra coisa — é de gente que acumula os erros mais estapafúrdios, oferecendo o flanco para ser parodiada por qualquer indígena (eu incluído)» («A primavera do PS e o gonçalvismo do PSD», João Miguel Tavares, Público, 5.04.2013, p. 53).
      O verbo «discordar» rege a preposição «de»: discordar de. O verbo «concordar» é que pede a preposição «com»: concordar com.
[Texto 2742]

Sobre «maple»

A moda já passou

      «Notem os desnacionalizados de Portugal que ninguém por cá chama às poltronas essa coisa ridícula de maple, simples marca inglesa de poltronas feitas para exportação» (A Língua Inglesa e a Vida em Londres, Vasco Botelho de Amaral. Lisboa: Centro Internacional de Línguas, 1958, p. 13).
[Texto 2741]

Sobre «leitura»

Depois do paquete

      «Meu caro, isto tem duas leituras possíveis», acabou de me dizer certa pessoa. De onde nos vem esta acepção — maneira de compreender, de interpretar um texto — do substantivo «leitura»? Só pode ser do inglês ou do francês. Vejamos... Ah, sim, do francês: «manière de comprendre, d’interpréter un texte, un événement». Já não chegou no paquete do Havre, mas cá está.
[Texto 2740]

Léxico: «varascada»

A toda a hora

      Lembrei-me de repente (podia explicar porquê, mas não interessa) da palavra «varascada» (com a variante «varancada»), que é a pancada com vara; chibatada; verdascada. Vão agora ao Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora ver se a encontram. Não está, claro.
[Texto 2739]

Léxico: «mota»

Não é redução de «motocicleta»

      «Foi feito um curso para o rio [Lis] e foram feitos, a designação técnica é umas motas no rio, ou seja, uns muros em terra, a ladear as margens do rio para conter as águas» (Henrique Damásio, técnico da Associação de Regantes e Beneficiários do Vale do Lis [ARBVL], Portugal em Directo, 3.04.2103).
      É mais ou menos isso: mota é, como se lê no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, o «aterro à beira dos rios para resguardar os terrenos marginais das inundações».
[Texto 2738]

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