Ai as aspas

É da pressa, dizem

      «A atriz esteve ontem em Lisboa para visitar a exposição da artista plástica Joana de Vasconcelos. Sharon Stone, que veio a Portugal “batizar” um navio-hotel para cruzeiros no Douro, admirou a obra exposta no Palácio da Ajuda» («Sharon Stone visita Palácio da Ajuda», Diário de Notícias, 25.03.2013, p. 53).
      Para quê as aspas? Então baptizar não é — também —, como se lê no Dicionário Houaiss, «benzer um objecto e eventualmente dar-lhe um nome»?
[Texto 2713]

«Debute» ainda não estreado

Não neste dicionário

      «Gad Elmaleh fez o seu debute nos eventos oficiais do principado governado por Alberto II, sábado à noite, no Baile da Rosa» («O debute do amor de Charlotte do Mónaco», Raquel Costa, Diário de Notícias, 25.03.2013, p. 53).
      Claro que é galicismo desnecessário, mas agora vejam: o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista-o, não neste sentido, de estreia na vida social, mas somente no de «estreia de um artista».

[Texto 2712]

«Reportar», brasileirismo

De além-mar

      «Jornalista da SIC, especializado em religião, acompanhou o conclave de 2005 e voltou este ano ao Vaticano para reportar a eleição papal» («“O que faz a história da Igreja não é a cor dos sapatos do Papa”», Marlene Rendeiro, Diário de Notícias, 25.03.2013, p. 50).
      No sentido de fazer uma reportagem, reportar é brasileirismo, embora com origem no inglês to report.
[Texto 2711]

Mais inglês desnecessário

Mais inglesias bacocas

      «O esquema do personal financial advisor foi descoberto pelo próprio banco onde trabalhava até finais de 2011. A instituição bancária apresentou queixa crime e o casal burlado também» («Jovem bancário desviou um milhão de euros», Rute Coelho, Diário de Notícias, 22.03.2013, p. 19).
      Em todo o artigo se fala do gestor de conta, mas aqui o apelo do inglês foi muito mais forte. E lá está a «queixa crime» como Montexto quer — desornada do seu hífen.
[Texto 2710]

Léxico: «carreirismo»

Já agora

      «A editora Clube do Autor vai lançar em maio o livro Sobre o Céu e a Terra, que contém longas conversas entre o então arcebispo de Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio, e o rabino Abraham Skorka. No livro, o agora Papa condenou o “pecado do carreirismo” na Igreja» («Papa vai lavar os pés a jovens prisioneiros na Quinta-Feira Santa», S. S., Diário de Notícias, 22.03.2013, p. 24).
      Consultem o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora; regista «carreirista» (termo que vem, assegura, do Brasil), mas esqueceu-se de «carreirismo».
[Texto 2709]

«Descrições gráficas»

Só inglês

      «A crítica deplorou a The Rats [obra de James Herbert] as descrições demasiado gráficas de mutilação e morte» («Um dos nomes mais populares da literatura de terror», Eurico de Barros, Diário de Notícias, 22.03.2013, p. 43).
      «Descrições gráficas»... Não me soa. Ah, já sei: do inglês. Graphic — realista, pormenorizado. Podiam escrever tudo em inglês, e talvez até recebessem um prémio atribuído pelo Governo.

[Texto 2708]

«Móveis de assinatura»

Pobres leitores

      «Segundo apurou a secção de burlas da Polícia Judiciária, o antigo bancário investiu e lavou os mais de 900 mil euros que desviou dos seus clientes de várias formas: saldou empréstimos bancários, adquiriu várias casas pelo país, uma delas em Aveiro e outra em Lisboa, comprou vários quadros valiosos, joias, móveis de assinatura» («Jovem bancário desviou um milhão de euros», Rute Coelho, Diário de Notícias, 22.03.2013, p. 19).
      Isto vem forçosamente de outra língua, e não, decerto, do tagalo, antes do inglês, talvez, mas agora nem quero saber.
[Texto 2707]

A doença das aspas

Isto nunca mais acaba ««««««««««««««

      «O segurança da discoteca africana “Mussulo”, de alcunha “Didi”, 40 anos, único suspeito do tiroteio de há uma semana no restaurante/bar “Guilty”, em Lisboa, foi detido por inspetores da Polícia Judicária anteontem» («Suspeito de tiroteio no ‘Guilty’ foi apanhado», Rute Coelho, Diário de Notícias, 22.03.2013, p. 18).
      «Ora», «senhora» «jornalista», «não» «acha» «que» «são» «aspas» «a» «mais»? Que pecha, que mania!
[Texto 2706]

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