Tradução: «gap year»

E fazem eles bem

      «Dois anos depois de um empresário [Carlos Torres] ter desafiado dois jovens a interromperem os estudos e a viajarem pelo mundo, “para crescerem”, a discussão sobre as vantagens de uma pausa na actividade académica chega à Assembleia da República. Os ingleses, que há décadas criaram o conceito e a prática, chamam-lhe gap year. Os deputados do PS traduzem para “ano sabático” e pedem o apoio do Governo para o promover entre os alunos do ensino secundário» («Depois do 12.º ano, uma pausa para viajar», Graça Barbosa Ribeiro, Público, 17.03.2013, p. 10).
[Texto 2681]

Como se escreve nos jornais

Já sabemos como é

      «Neste “convite insistente e convicto à oração da praça e do mundo pelo Papa”, nesta “sugestão de colegialidade”, pedia Francisco para os crentes “não o deixarem sozinho, para lhe darem aquela força que, para quem crê, deriva de Deus, mas também da convicção e da fraterna participação do povo cristão”, escreveu o jornal. Depois, Francisco calou-se e curvou-se, “na humildade de uma inclinação do sumo pontífice que nunca antes tinha sido vista na loggia” de São Pedro» («Sentido de humor, gestos simples e palavras sérias», Sofia Lorena, Público, p. 3).
      A jornalista deve pensar que não há na língua portuguesa nenhuma palavra correspondente.

[Texto 2680]

Como falam os políticos

Falam assim

      Miguel Frasquilho, deputado social-democrata: «Estas revisões mostram também, deixam à vista de todos, que o programa original, apresentado em Maio de 2011, tinha sido mal desenhado, mal concebido, com projecções e efeitos que, sabemos agora, tinham pouca ou nenhuma aderência à realidade.»

[Texto 2679]

«Pergunte-se cada um a si mesmo»

Outra perspectiva

      «Preguntar-se. Ensina Epifânio na Sintaxe Histórica, 102 [§ 135]: “O emprego de verbos transitivos na conjugação reflexa, sendo o pronome reflexo complemento indirecto pertence quase exclusivamente à linguagem literária: “pergunte-se cada um a si mesmo, quantos anos tem” (Vieira, Sermões, 1107)» (Grande Dicionário de Dificuldades e Subtilezas do Idioma Português, vol. 2, Vasco Botelho de Amaral. Lisboa: Centro Internacional de Línguas, 1958, p. 759).
[Texto 2678]

Léxico: «espaldão»

Inescrutável

      «Segundo referiu ao DN o comando geral da GNR, as falhas reportavam [sic], no essencial, à existência de pneus na área de tiro[,] o que pode potenciar o risco de ricochete; à falta de proteção da parede frontal do espaldão para-balas (nas carreiras de tiro de Águeda, Macedo de Cavaleiros, Évora e Guarda) [...]» («Carreiras de tiro das polícias têm falhas de segurança», Rute Coelho, Diário de Notícias, 15.03.2013, p. 19).
      Está nos dicionários. No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: «entrincheiramento destinado a servir de local de tiro a uma arma». A propósito: estranho é este dicionário grafar com hífenes «carreira de tiro».
[Texto 2677]

Simplesmente Francisco

Habemus papam et errores

      Foi preciso vir o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, a explicar que ao nome do Papa Francisco não é preciso juntar-se, para já, o ordinal romano I. «... qui sibi nomen imposuit Franciscum». Valha-nos Deus.
[Texto 2676]

«Um tal de»

Veio do Brasil ou é nossa?

      «Aos vinte annos amavas com ternura um tal Pedro Sepulveda. Aos vinte e cinco, amavas com paixão, um tal Jorge Albuquerque. Aos 30, amavas com delírio, um tal Sebastião de Meirelles. Aos 35, amavas, em Londres, com frenesi um tal... como se chamava... não me recordo... diz-me, por piedade o nome d’esse homem, que, se não, fica o meu discurso sem o effeito do drama...» (O Romance Dum Homem Rico, Camilo Castelo Branco. Porto: Tipografia da Revista, 1861, p. 74).
      A pergunta é simples: a construção «um tal de», que eu nunca uso, não terá vindo do Brasil?

[Texto 2675]

Tradução: «comedor»

Francamente

      Atrás era o insider, mas aqui é algo bem pior: «Na Argentina, desloca-se de autocarro e metro; quando viaja para Roma, insiste na classe económica. Costuma comer sozinho e raramente aceita convites para almoços e jantares — quando quebra o hábito, prefere os comedores» («Honesto, rigoroso, frugal, conservador, mas moderado», Rita Siza, Público, 14.03.2013, p. 7). Qual a necessidade de usar o termo espanhol, completamente corriqueiro, traduzível?

[Texto 2674]

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