Léxico: «pedipalpo»

Está, pois, incompleto

      Lembram-se do opilião? Pois ainda não está no dicionário. E agora leio que, para «detectarem o que se passa em seu redor, os opiliões utilizam os pedipalpos (segundo par de patas mais próximo da cabeça), com função sensorial». Ora, para o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, pedipalpo, como substantivo, é apenas a «ordem de aracnídeos tropicais, caracterizados por terem quelíceras terminadas por unha e o primeiro par de membros em forma de chicote». Para o Houaiss, «pedipalpo» também é o segundo par de apêndices dos aracnídeos, o que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora só conhece como palpo, «cada um dos elementos do segundo par de apêndices dos aracnídeos».

[Texto 2504]

Sobre «primeiro-imediato»

Está aí alguém da Marinha?

      «O primeiro-imediato recebeu o dinheiro que Boraxis lhe entregou e deu-lhe as instruções dos nossos quartos» (Acheron, Sherrilyn Kenyon. Tradução de Maria Margarida Malcato e revisão de Ayala Monteiro. Lisboa: Casa das Letras, 2011, p. 45).
      Posso estar enganado, mas com hífen creio que apenas em traduções a podemos encontrar. No Proz, precisamente a propósito da tradução de ship’s first mate, afirmam, seguindo, ao que me parece, o que se defende no Dicionário de Termos Navais, da autoria do Cmdt. António Marques Esparteiro, que «não existem primeiros, segundos ou terceiros imediatos...». Só imediatos.
[Texto 2503]

Léxico: «charriot»

Veio de França

      Ontem aprendi uma nova palavra... francesa: charriot ou chariot. Embora os haja para vários fins, este é uma estrutura de metal, um cabide com rodas para pendurar roupa e, em alguns casos, também para guardar ou expor sapatos (ver aqui). Os figurinistas usam-nos. Ao veículo usado para deslocar a câmara durante as filmagens também se dá o nome de charriot. Parece que não querem que haja chamadoiro português para coisa tão comezinha.
[Texto 2502]

Serra de Guadarrama

Outra surpresa

      «Na Península Ibérica, foi identificado pela primeira vez o fungo no sapo-parteiro-comum na serra de Guadamarra [sic], em Espanha, em 1997, por Jaime Bosch, do Museu Nacional de Ciências Naturais de Madrid, um dos autores do novo estudo» («No cimo da serra da Estrela já não se ouve o coaxar do sapo-parteiro», Nicolau Ferreira, Público, 11.01.2013, p. 26).
      E agora, em vez de Sierra de Guadarrama, como se espera sempre que escrevam, serra de Guadarrama. Muito bem.
[Texto 2501]

Cidade Real

Surpresa

      «O alerta foi dado em 2009. Ibone Anza passeava-se na serra da Estrela e, numa das zonas do planalto superior, a investigadora do Instituto de Investigação de Recursos Cinegéticos, na Cidade Real, em Espanha, encontrou sapos-parteiros [Alytes obstetricans] mortos junto a uma lagoa. Quando se analisaram os cadáveres, descobriu-se que estavam infectados com um fungo que causa uma doença — a quitridiomicose — que é responsável pelo declínio de muitas espécies de anfíbios» («No cimo da serra da Estrela já não se ouve o coaxar do sapo-parteiro», Nicolau Ferreira, Público, 11.01.2013, p. 26).
      Quem diria, ler no Público Cidade Real e não, atreitos que são a tudo o que é estrangeiro, Ciudad Real.

[Texto 2500]

O audacioso «acordo ortográfico»

O pouco e mal que escrevem

      «Só que os portugueses, quando não conseguem pagar as contas, pensam imediatamente em conquistar um império, de preferência o império que perderam. E, como são modestos, pensaram logo no Brasil. O nosso alto comando congeminou logo uma estratégia irresistível: importar para Portugal a ortografia brasileira. No momento em que os portugueses escrevessem (o pouco e mal que escrevem) sem consoantes mudas, o Brasil não podia deixar de se render, com uma saudade arrependida e desculpas rasteiras. Mas, como a humanidade é má, em particular no hemisfério sul, o Brasil terminantemente recusou o nosso audacioso “acordo ortográfico” e deixou Portugal sem consoantes mudas, pendurado numa fantasia ridícula e sem a menor ideia de como vai sair deste sarilho: um estado, de resto, habitual» («Histórias portuguesas», Vasco Pulido Valente, Público, 11.01.2013, p. 52).
[Texto 2499]

Podem escrever: «subestrutura»

Ora, está mal

      Querem então mais uma incoerência (lacuna, erro...) encontrada nos dicionários? Seja no de sempre. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista «substrutura», mas não «subestrutura», ao passo que acolhe o par «superestrutura/superstrutura».
[Texto 2498]

Acordo Ortográfico II

Alguém com juízo

      «A Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) vai continuar a redigir os seus documentos e a sua comunicação de acordo com a norma ortográfica antiga, recusando-se a implementar já as disposições do Acordo Ortográfico (AO). [...] Este polémico dossier teve, esta semana, mais um desenvolvimento na AR, com a aprovação, por unanimidade, na terça-feira, da criação de um Grupo de Trabalho para Acompanhamento da Aplicação do AO, sob proposta do deputado comunista Miguel Tiago» («SPA não adoptará o Acordo Ortográfico», Sérgio C. Andrade, Público, 10.01.2013, p. 27).
[Texto 2497]

Arquivo do blogue