«Retratos-robôs»

Não devia

      «A Scotland Yard tem dois retratos-robôs de um homem que considera prioritário identificar no âmbito da investigação ao desaparecimento de Madeleine McCann» («Polícia britânica com nova versão sobre o caso Maddie», Público, 14.10.2013, p. 7).
      É curioso — sem deixar de ser preocupante — ver que o Vocabulário Ortográfico Português não regista este plural, apenas «retratos-robô», na verdade mais usado.
[Texto 3383]

«Pé», unidade

Que nós não temos tempo

      «Tudo recolhido, é preciso encher um contentor com o material. Um contentor com 40 pés, que transporta 32 toneladas, custa cerca de 3000 euros para chegar à Guiné-Bissau» («Cartazes das autárquicas com bilhete para a Guiné em formato solidário», Sara Dias Oliveira, Público, 14.10.2013, p. 12).
      Para os agentes de navegação, é coisa de todos os dias, não para o leitor comum do Público. O é uma unidade de comprimento do sistema inglês e americano equivalente a 30,480 cm. É fazer contas, como dizia o outro.
[Texto 3382]

Tradução: «jumper suit»

Desaparecido

      «Dick trazia vestido um fato-macaco azul; as letras cosidas nas costas diziam BOB SAND» (A Sangue Frio, Truman Capote. Tradução de Maria Isabel Braga. Lisboa: Livros do Brasil, s/d (1978?), p. 33). E, no original, lê-se isto: «Dick was wearing a blue jumper suit; lettering stitched across the back of it advertised Bob Sands’ Body Shop.» Pelo menos no Dicionário Inglês-Português da Porto Editora, «jumper suit» não consta. Ah, sim o original diz mais do que a tradução...
[Texto 3381]

Os que nos precederam

Esses são os clássicos

      «Ambos acreditavam», lê-se numa magnífica biografia que está agora no prelo, «que a genialidade só pode ser alcançada através do estudo daqueles que os precederam.»
[Texto 3380]

Tradução: «Lord Chancellor»

Sendo assim

      Lord Chancellor: para o Dicionário Inglês-Português da Porto Editora, é «o mais alto cargo da magistratura judicial inglesa». O problema, já o tenho escrito em relação a outros verbetes deste dicionário, é que isto não é um equivalente. Devemos então traduzir por «presidente da Câmara dos Lordes», «Lorde Chanceler» ou, como já tenho lido, «ministro da Justiça»? Claro que, ao usarmos alguma das duas primeiras, o leitor não saberá que o titular deste cargo é simultaneamente a mais alta autoridade judiciária no Reino Unido. É não, era: houve em 2007 uma alteração legislativa.
[Texto 3379]

Ortografia: «haltere»

Assim pesam menos

      «Sentado, parecia um homem de estatura acima do normal, forte, dotado de uns ombros, de uns braços, de um tronco maciço e desenvolvido de campeão de pesos e alteres — este desporto era, na verdade, a sua paixão» (A Sangue Frio, Truman Capote. Tradução de Maria Isabel Braga. Lisboa: Livros do Brasil, s/d (1978?), p. 25).
      É muito raro ver a palavra bem escrita: ou lhe falta, como é o caso, o h, ou, sobretudo se está no singular, o e final. Como se pode falhar em coisas tão simples? Como, Maria Isabel Braga?

[Texto 3378]

«Voluptuário/sumptuário»

Vamos recorrer

      «As juízas do Tribunal da Relação que analisaram o caso invocam os elevados montantes despendidos em “gastos totalmente voluptuários e despropositados (perfumes, charutos, aluguer de Porches [sic], refeições e vinhos de preços escandalosos)” para concluírem que, mesmo que tivessem sido devidamente autorizadas, essas autorizações “ofenderiam os bons costumes enquanto valoração do social e moralmente aceitável, tendo em conta a gravidade dos factos”» («Gastos “voluptuários” do maestro Graça Moura não foram desculpados», Ana Henriques, Público, 11.10.2013, p. 6).
      Voluptuário é o relativo à voluptuosidade, ao prazer — mas há prazeres gratuitos. Em iguais circunstâncias, costuma falar-se em gastos sumptuários, isto é, em que há grande luxo.
[Texto 3377]

Tradução: «Indian summer», de novo

Estamos quase na época

      «Finalmente, decorrido o mês de Setembro, o tempo muda e surge um Verão de S. Martinho que por vezes se prolonga até ao Natal» (A Sangue Frio, Truman Capote. Tradução de Maria Isabel Braga. Lisboa: Livros do Brasil, s/d (1978?), p. 20).
      E no original? «At last, after September, another weather arrives, an Indian summer that occasionally endures until Christmas.» Já nos tínhamos ocupado desta questão aqui no Linguagista porque — lembram-se? — alguém traduziu por «Verão índio»…
[Texto 3376]

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