«Há seis meses»
16.11.12
Cá estamos para o que der e vier
«2. A crise gera as mais diversas formas de austeridade. Exceto na fala. Há dias, um comentador de futebol pontuava mesmo o seu interminável discurso (duas horas sem se calar é obra!) com a inusitada evocação da dramática infância de um dos jogadores... Já nem sequer se acredita na justeza de expressões como “há seis meses”. Poderia dizer-se também “seis meses atrás”. Mas não. Agora passou a ser chique mostrar que se conhecem as duas hipóteses: “há seis meses atrás”. Não, não estou a inventar: ouça-se o anúncio de um automóvel que anda a passar em todas as televisões. E já se sabe: mesmo o mais triste disparate, quando é aplicado pela todo-poderosa publicidade, transforma-se em norma social» («Falar mal e não pensar», João Lopes, Notícias TV, n.º 252, p. 72).
Qual chique! Ignorância da língua. E não são apenas os mais novos que falam assim, mas todos. Júlio Machado Vaz, no programa da rádio O Amor É, não fala de outra forma: «há ... atrás». Talvez também aqui o soberano senhor que é o uso desfaça inexoravelmente o que é lei.
[Texto 2333]
edit
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