E o primeiro nome?

Maldita macaqueação

      Já o escrevi há anos no Assim Mesmo. Infelizmente, a tendência é para se usar cada vez mais. «Há, em seguida, uma pequena interrupção no deleite (que maçada, não?): “No domingo, Botella regressou a Espanha, para assistir ao velório de uma das jovens falecidas no Madrid Arena.”
      (Outro estrangeirismo cultural, este anglo-saxónico, que assassina a elegância e gentileza latinas: tratar uma senhora pelo apelido. Botella! Alguma mulher pode ser chamada de Botella? Garrafa, para mais? Em português, a minha língua, a língua de que me orgulho porque sabe ter tonalidades de ternura e de requinte, uma senhora nunca é só o seu apelido: é o seu nome – e depois o apelido. Malvada hora em que se escreveu Ferreira Leite sem antepor Manuela, Nogueira Pinto sem preceder de Maria José. Que eu saiba, só as enfermeiras é que trazem – ou traziam – a placa só com o apelido: “Enfermeira Marques, faça isto, se não se importa. Enfermeira Rodrigues, traga-me aquilo, por favor.” Sempre achei que era uma deselegância para com elas. Aqui garanto que jamais tratarei uma senhora – da mulher da praça à de um Presidente – por Senhora Dona Fonseca! Muito feliz ficaria se isto fizesse escola, por exemplo no Livro de Estilo do DN, que anda a ser elaborado a querosene, de tão lento que avança...)» («Tem de haver limites ao direito de o público escrutinar os políticos», Oscar Mascarenhas, Diário de Notícias, 10.11.2012, p. 47).
[Texto 2307]
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