«Quadrado», «square»
16.11.12
Importado com as telenovelas?
«Os matristas, mais inclinados ao “ser” do que ao “fazer”, tendem a deixar que os outros sigam o seu próprio caminho. Normalmente, não irão insistir com os puritanos para que estes ponham de parte as suas inibições e adquiram novos hábitos. Podem zombar deles, chamar-lhes square, tentar, mesmo, envergonhá-los um pouco; mas não estabelecem dispositivos de controle» (Pensar o Futuro: Uma Solução Progressiva, Gordon Rattray Taylor. Tradução de Virgílio dos Reis Cadete Valadas. Lisboa: Editorial Verbo, 1973, p. 63).
O leitor Rui Almeida, que me enviou a citação acima, diz que «uns anos depois poderia muito bem ser substituído por “quadrado”, vulgarizado entre nós por via da cultura brasileira». Para começar, o tradutor devia ter evitado aquele inconcebível square. Foram os Brasileiros que forjaram o sentido e no-lo mandaram juntamente com as telenovelas? É verdade que o Houaiss afirma que é regionalismo brasileiro — mas diz o mesmo, erradamente, de outros vocábulos, como já vimos. Já em Vieira, segundo Morais, homem quadrado era o homem constante nas adversidades. Não se terá passado daqui para o sentido de pouco receptivo a inovações; convencional; retrógrado; tradicionalista? Claro que, como facilmente se conclui, nada disto impede que esta particular acepção tenha sido forjada no Brasil.
[Texto 2331]
edit
Sem comentários:
Enviar um comentário