Léxico: «chancelar»

Autenticar com chancela

      «Os emigrantes [portugueses na Córsega] precisam de um posto consular para tratar de questões como o cartão do [sic] cidadão, passaportes e procurações e muitas vezes, segundo [o deputado do PS] Paulo Pisco, “ficam presos na ilha” porque não conseguem em tempo chancelar oficialmente as declarações que lhes permitem sair da ilha com os filhos» («Emigrantes desesperam sem posto consular», João Pedro Henriques, Diário de Notícias, 18.11.2013, p. 10).
[Texto 3535]

Léxico: «porta-helicópteros»

Não o vi em nenhum dicionário

      «Também o Reino Unido envia o porta-helicópteros Illustrious, capaz de transportar 22 mil toneladas de material e equipado com um dispositivo que permite dessalinizar a água do mar» («Ajuda às Filipinas só agora começa a chegar», Albano Matos, Diário de Notícias, 16.11.2013, p. 27).
[Texto 3534]

Léxico: «graneleiro»

A granel

      «Dois homens foram encontrados mortos, ontem de manhã, num dos porões do navio graneleiro Vatan L, de bandeira turca, no início da operação de descarga da matéria-prima que trazia a bordo para o fabrico de rações, no porto de Ponta Delgada» («Descobertos dois mortos em porão de navio turco», Paulo Faustino, Diário de Notícias, 16.11.2013, p. 17).
      O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não regista o adjectivo «graneleiro», que, diga-se, não é recente.
[Texto 3533]

Segundo o AO, «infantojuvenil»

Quando adoptar

      «No próximo sábado, 26, será lançado o seu [de Álvaro Magalhães] mais recente romance infanto-juvenil, O Rapaz dos Sapatos Prateados» («O brincador», Florbela Alves, Visão, 24.10.2013, p. 112).
      Se a Visão já tivesse adoptado as novíssimas normas ortográficas, seria «infantojuvenil» que a jornalista teria escrito. Assim, está tudo certo.
[Texto 3532]

«Esqueletos no armário»

Forasteira

      «Temperamental, o mayor [Rob Ford] já teve inúmeros problemas com as autoridades, mas a família sempre o apoiou. Até nos últimos incidentes, a mãe realçou que não haviam prejudicado o seu trabalho. E foi exatamente o que ele defendeu no debate de quarta-feira. Mas também admitiu que pode ter mais esqueletos no armário...» («Um autarca em apuros por causa de droga e prostitutas», Sofia Fonseca, Diário de Notícias, 16.11.2013, p. 28).
      As palavras são portuguesas, todos as reconhecemos. A expressão, contudo, é inglesa, skeletons in the cupboard, não nos diz nada, pois não faz parte do nosso reportório de expressões idiomáticas.

[Texto 3531]

«Escrutíneo»!

Já não há dicionários?

      «Confrontado com o pedido para se afastar temporariamente e “resolver os problemas longe do escrutíneo público”, Rob Ford garantiu que vai cumprir o mandato até ao fim» («Um autarca em apuros por causa de droga e prostitutas», Sofia Fonseca, Diário de Notícias, 16.11.2013, p. 28).
[Texto 3530]

«Missa exequial»

Mais uma missa

      Coincidências. Outra missa: «O corpo de monsenhor José Agostinho Moita chegou ontem à tarde à Casa Sacerdotal por volta das 17:00. Para hoje, está marcada, para as 10:00, uma missa exequial que será presidida pelo patriarca emérito cardeal D. José Policarpo» («Faleceu o antigo secretário do cardeal António Ribeiro», H. R., Diário de Notícias, 16.11.2013, p. 37).
[Texto 3529]

«Missa póstuma»

Rezada, cantada, póstuma

      Santa Cristina, a Admirável, morreu com 20 anos e ressuscitou durante a missa de corpo presente. Quando morreu pela segunda e — até agora, decorridos quase oitocentos anos — definitiva vez, já tinha 70 anos. Mero pretexto para dizer que «missa de corpo presente» está nos dicionários, mas não, por exemplo, «missa póstuma». Porquê, se registam, por exemplo, «missa cantada» e «missa rezada»?

[Texto 3528]

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