Sobre «saibro»

É difícil explicar...

      «Foi durante a remoção de quatro altares barrocos da capela de Santa Comba, em Baião, que se descobriu um verdadeiro tesouro: uma pintura do final do século XV numa delicada película sobre o saibro da parede» («Pintura mural de valor incalculável achada em capela», Ana Carla Rosário, Jornal de Notícias, 17.09.2012, p. 22).
      Parece-me, a avaliar pela amostra de meia dúzia que consultei, que os dicionários não se põem inteiramente de acordo sobre o que é saibro.
[Texto 2098]

Gerúndio

Viajando no Alentejo

      Anteontem, ao passar na serra do Cercal, no Alentejo, viam-se muitos trabalhadores à beira da estrada e um sinal em que se podia ler: «Máquinas pintando». E lá vi, alguns quilómetros mais adiante, máquinas pintando.
[Texto 2097]

Léxico: «Queruscos»

Vão desaparecendo

      Se alguém quiser saber o que significa Queruscos (acabei de ler numa obra que estou a rever), vai ter de recorrer a uma enciclopédia. Se não tiver acesso à internet, claro. Os dicionários gerais da língua não o registam. Na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira: «Antigo povo da Germânia» (Vol. 24, p. 15).

[Texto 2096]

«Interpor recurso para ou a»?

Já que a língua é a mesma

      Jornalista Olga Tancredo, na emissão das 6 da tarde do Rádio Jornal, na Rádio Nacional de Angola: «No final do encontro, o porta-voz da CASA-CE [Convergência Ampla de Salvação de Angola-Coligação Eleitoral], Lindo Bernardo Tito, afirmou que aquela coligação vai interpor recurso ao Tribunal Constitucional dentro dos prazos previstos por lei.» O mais habitual é usar-se a construção «interpor recurso para».
[Texto 2095]

Perifrástica

Logo os dois?

      «A primeira aula de Carlos Fiolhais foi em 1962. “Já lá vai meio século!”, exclama o catedrático de Coimbra, que haveria de doutorar-se em Física Teórica, vinte anos depois do primeiro dia de escola, na Alemanha. [...] Olhando para o seu percurso, é curiosa a confissão: “A minha meta era o exame da 4.ª classe.” Fiolhais é responsável pelo passo em frente da Física em Portugal, mas diz: “Não fazia ideia de que haveria de passar na escola os próximos 20 anos da minha vida. E não podia imaginar que os 30 anos seguintes também os ia passar na escola.”» («“Chorei baba e ranho no primeiro dia”», Jornal de Notícias, 13.09.2012, p. 9).
      Já vimos que a perifrástica, no condicional, se constrói com o auxiliar no pretérito imperfeito do indicativo (havia de) e com o verbo principal no infinitivo (doutorar-se e passar).

[Texto 2094]

«Chefiar» reabilitado

Um pouco, pelo menos

      «Ana Cristina Jorge inspetora superior do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), vai chefiar a unidade de operações da agência europeia Frontex, a Agência Europeia de Gestão da Cooperação Operacional nas Fronteiras Externas dos Estados-Membros da União Europeia, a partir de do dia 1 de novembro» («Portuguesa vai chefiar agência europeia», Jornal de Notícias, 13.09.2012, p. 6).
      Ena, ena, até já estão a esquecer-se um pouco do tal verbo.
[Texto 2093]

Tradução: «fiscal anticorrupción»

Traduziram mal

      «Segundo o El País, nos últimos meses o juiz e o fiscal anticorrupção que tem conduzido este caso têm defendido que o estatuto de organização não governamental do Instituto Nóos era “aproveitado” para realizarem negócios lucrativos com o governo regional de Valência, organizando assim eventos para os quais cobravam taxas muito elevadas, envolvendo o dobro ou até o triplo do preço real do serviço prestado» («Genro do Rei acusado de desviar três milhões», João Moço, Diário de Notícias, 11.09.2012, p. 26).
      Continuam a traduzir, erroneamente, fiscal anticorrupción por «fiscal anticorrupção», o que já tínhamos visto aqui. Também temos fiscais, mas exercem outras funções.
[Texto 2092]

Tradução: «con»

Traduziram bem

      «Na primeira página do jornal, o magnata aparece com uma mala de viagem e um sorriso na cara, uma imagem que critica a sua possível fuga ao fisco francês. “Vai-te lixar, rico estúpido!” [Casse-toi, riche con!], pode ler-se no título da manchete da publicação» («‘Libération’ critica dono da Louis Vuitton», Diário de Notícias, 11.09.2012, p. 53).
      É um mero pretexto para trazer para aqui a língua francesa. Quem não estiver farto do inglês levante a mão. Ah, ninguém...
[Texto 2091]

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