Como se escreve nos jornais

Trapalhada

      «O Tribunal da Relação do Porto absolveu um pescador de Vila do Conde detido pela PSP por andar na rua com uma faca de cozinha num coldre, alegadamente para “tirar desforço” dos homens que o tinham assaltado» («Absolvido o pescador que queria vingar-se de ladrões», Diário de Notícias, 24.09.2012, p. 20). É notícia que está em todos os meios de comunicação, porque é da Lusa. Aquele «tirar desforço», correctíssimo, vê-se logo que foi da pena de um juiz que saiu.
      A redacção da notícia, porém, não é a mais clara. Ora vejam: «Em causa uma faca de cozinha, sem marca, com 19 centímetros de lâmina metálica e com cabo, de plástico, com 10 centímetros.» E, no último parágrafo, lê-se isto: «Condenado em primeira instância, o pescador recorreu para a Relação, que, por acórdão a que a Lusa teve acesso, o absolveu, considerando que não há crime porque não se trata de uma arma “sem aplicação definida”.» Quem não sabe que se deve preferir sempre a frase afirmativa? E depois ainda alguns jornalistas me escrevem a dizer que lhes custa ver a facilidade com que as críticas são feitas. Pois, pois.
[Texto 2138]
Etiquetas ,
edit

Sem comentários:

Arquivo do blogue