Léxico: «azevia»

Pois é, não está

      «Azevia. Este peixe, frito, é outra das iguarias da cozinha tradicional acompanhado de um bom arroz» («Governo quer mais polvo do que jaquinzinhos no prato», Ana Bela Ferreira, Diário de Notícias, 7.02.2013, p. 14).
      Lá está ela no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, mas onde pára a acepção relativa ao doce frito, em forma de pastel, com recheio de doce de batata, grão-de-bico ou chila?
[Texto 2571]

Ortografia: «extensão»

A aventura da ortografia

      Do regulamento do concurso «Uma Aventura... Literária 2013»: «O tema é livre e deve ter a extenção máxima de uma a duas páginas manuscritas ou dactilografadas.» E nem têm a desculpa de confusão com qualquer vocábulo homófono. Para quem, porque há criaturas assim, não acredita, ver aqui.

[Texto 2570]

Léxico: «fracalhote»

Mais uma falha

      «E o chulo, um fracalhote, anda inquieto e pálido, fareja o perigo, o rival... A bordo é preciso manter a linha, acabou-se o negócio, são gente respeitável» (Gente de Terceira Classe, José Rodrigues Miguéis. Lisboa: Estúdios Cor, 1971, p. 23).
      Porque não está fracalhote nos dicionários? No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, por exemplo, está registado «frescalhote», mas não «fracalhote». Critério?

[Texto 2569]

Ortografia: «antitempestade»

Uma solução

      «O homem que manteve seis dias uma criança de cinco anos presa num abrigo anti-tempestade no estado do Alabama, nos EUA, foi morto pela polícia e a criança resgatada, noticiaram os media americanos na segunda-feira à tarde (noite em Lisboa)» («Polícia mata raptor e resgata criança», Público, 6.02.2013, p. 26).
      Seja qual for o acordo ortográfico — aquele que combatem ou aquele que afirmam defender —, é antitempestade que se escreve, sem hífen. Acabei de sugerir que o Dicionário Inglês-Português da Porto Editora inclua a locução tornado shelter e a tradução, abrigo antitempestade. Talvez diminuam assim os erros.
[Texto 2568]

Obras do P. António Vieira

Promete

      «Pela primeira vez vai ser reunida a obra completa do Padre António Vieira, com cartas, sermões, profecias, política, teatro, incluindo textos inéditos — a edição dos 30 volumes pelo Círculo de Leitores tem o custo de 500 mil euros e a Santa Casa da Misericórdia (SCML) é o mecenas principal, associando-se à Universidade de Lisboa (UL)» («Santa Casa paga 500 mil euros para editar todo o Padre António Vieira», Alexandra Prado Coelho, Público, 6.02.2013, p. 30).
      O conjunto vai incluir um dicionário sobre António Vieira e 60 cartas inéditas, encontradas agora na Torre do Tombo.
[Texto 2567]

Léxico: «ismaelita»

Não só, não só

      «Nicolas Sarkozy regressou à advocacia e o seu primeiro cliente foi o bilionário Karim Aga Khan. Aos 76 anos, o imã dos ismailitas encontra-se enredado no segundo processo de divórcio e o jornal britânico The Times garante que requisitou os serviços do ex-presidente francês» («Sarkozy defende Aga Khan em divórcio», Diário de Notícias, 5.02.2013, p. 27).
      Claro que é ismaelita que se escreve. Mas consultemos o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. «Ismaelita», neste dicionário é, como substantivo, o «descendente de Ismael, filho de Abraão», e como adjectivo, «relativo à tribo de Ismael» e «árabe». Está incompleto. Onde pára a acepção do texto? Os ismaelitas são um dos três ramos dos muçulmanos xiitas.
[Texto 2566]

Léxico: «madrasto»

De madrasta

      «Depois, com o tempo, por vicissitudes da própria actividade e da vida, as coisas vão regredindo, portanto, e vai havendo aqui um certo desalento e abandono, por dificuldades de comercialização, por dificuldades de organização, por dificuldades, portanto, de baixo rendimento, porque nós realmente desenvolvemos a actividade num meio que nós não controlamos, dependemos do clima, e isso por vezes é muito madrasto e tem dificuldades e tem consequências, digamos, muito nefastas» (Luís Saldanha Miranda, presidente dos Confederação Nacional dos Jovens Agricultores, no programa Portugal em Directo, 4.01.2013).
      Vá lá, ainda a encontramos aí pelos dicionários: «hostil e ameaçador». Muita gente, comprovei nas últimas horas, desconhecia a palavra. Ora, estamos sempre a tempo de aprender e usar.

[Texto 2565]

Porque não «micro-hostal»?

Seria mais coerente

      «Abriu este fim-de-semana [sic] o primeiro micro-hostel do mundo, no centro de Moscovo, a capital da Rússia» («Rússia inaugura primeiro micro-hostel do mundo», M. A. B., Diário de Notícias, 4.02.2013, p. 33).
      Se escrevem «hostal», como já vimos aqui (vocábulo que, por minha sugestão, passou a fazer parte, juntamente com «hostau», do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora), porque não escrevem «micro-hostal»?
[Texto 2564]

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