Léxico: «porta-helicópteros»

Não o vi em nenhum dicionário

      «Também o Reino Unido envia o porta-helicópteros Illustrious, capaz de transportar 22 mil toneladas de material e equipado com um dispositivo que permite dessalinizar a água do mar» («Ajuda às Filipinas só agora começa a chegar», Albano Matos, Diário de Notícias, 16.11.2013, p. 27).
[Texto 3534]

Léxico: «graneleiro»

A granel

      «Dois homens foram encontrados mortos, ontem de manhã, num dos porões do navio graneleiro Vatan L, de bandeira turca, no início da operação de descarga da matéria-prima que trazia a bordo para o fabrico de rações, no porto de Ponta Delgada» («Descobertos dois mortos em porão de navio turco», Paulo Faustino, Diário de Notícias, 16.11.2013, p. 17).
      O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não regista o adjectivo «graneleiro», que, diga-se, não é recente.
[Texto 3533]

Segundo o AO, «infantojuvenil»

Quando adoptar

      «No próximo sábado, 26, será lançado o seu [de Álvaro Magalhães] mais recente romance infanto-juvenil, O Rapaz dos Sapatos Prateados» («O brincador», Florbela Alves, Visão, 24.10.2013, p. 112).
      Se a Visão já tivesse adoptado as novíssimas normas ortográficas, seria «infantojuvenil» que a jornalista teria escrito. Assim, está tudo certo.
[Texto 3532]

«Esqueletos no armário»

Forasteira

      «Temperamental, o mayor [Rob Ford] já teve inúmeros problemas com as autoridades, mas a família sempre o apoiou. Até nos últimos incidentes, a mãe realçou que não haviam prejudicado o seu trabalho. E foi exatamente o que ele defendeu no debate de quarta-feira. Mas também admitiu que pode ter mais esqueletos no armário...» («Um autarca em apuros por causa de droga e prostitutas», Sofia Fonseca, Diário de Notícias, 16.11.2013, p. 28).
      As palavras são portuguesas, todos as reconhecemos. A expressão, contudo, é inglesa, skeletons in the cupboard, não nos diz nada, pois não faz parte do nosso reportório de expressões idiomáticas.

[Texto 3531]

«Escrutíneo»!

Já não há dicionários?

      «Confrontado com o pedido para se afastar temporariamente e “resolver os problemas longe do escrutíneo público”, Rob Ford garantiu que vai cumprir o mandato até ao fim» («Um autarca em apuros por causa de droga e prostitutas», Sofia Fonseca, Diário de Notícias, 16.11.2013, p. 28).
[Texto 3530]

«Missa exequial»

Mais uma missa

      Coincidências. Outra missa: «O corpo de monsenhor José Agostinho Moita chegou ontem à tarde à Casa Sacerdotal por volta das 17:00. Para hoje, está marcada, para as 10:00, uma missa exequial que será presidida pelo patriarca emérito cardeal D. José Policarpo» («Faleceu o antigo secretário do cardeal António Ribeiro», H. R., Diário de Notícias, 16.11.2013, p. 37).
[Texto 3529]

«Missa póstuma»

Rezada, cantada, póstuma

      Santa Cristina, a Admirável, morreu com 20 anos e ressuscitou durante a missa de corpo presente. Quando morreu pela segunda e — até agora, decorridos quase oitocentos anos — definitiva vez, já tinha 70 anos. Mero pretexto para dizer que «missa de corpo presente» está nos dicionários, mas não, por exemplo, «missa póstuma». Porquê, se registam, por exemplo, «missa cantada» e «missa rezada»?

[Texto 3528]

«Esta prova é um erro CrXto»!

Será mesmo um erro?

      «A ideia surgiu», respondeu o professor Arlindo Ferreira, «um pouco por brincadeira, nos comentários do blogue. Uma leitora sugeriu fazer T-shirts para os protestos [que se realizam hoje em várias cidades] e até sugeriu algumas frases. Acabou por ficar “Esta prova é um erro CrXto”. Depois juntou-se outro colega que tinha capacidade para tratar da impressão e entrega das T-shirts. E foi assim que surgiu a campanha» («“Será difícil convencer 500 professores a corrigir a prova”», Patrícia Jesus, Diário de Notícias, 16.11.2013, p. 48).
      Hã?! Primeiro, vem-nos à mente o acrónimo ΙΧΘΥΣ. A frase que se lê em todo o lado é «Esta prova é um erro Crato»; na T-shirt, em cima do que pode ser um a, surge o sinal de errado. Como diriam os da glote, a frase permite várias leituras. Quem escreveu a frase (um aluno?) enganou-se e em vez de «crasso» saiu «crato» (como está tudo grafado em maiúsculas, o nome do ministro é apenas sugerido). Por isso, algum professor — competentíssimo, que certamente não precisa de se submeter à prova de avaliação — apôs o sinal de errado sobre o a. Ou — inclino-me mais para esta — o que se pretendia escrever era uma apóstrofe ao ministro da Educação, mas, como até revisores (!) e professores de Português (!!) fazem, sem a vírgula antes do vocativo: «Esta prova é um erro, Crato.» São Marcos lhes valha.
[Texto 3527]

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