Definição: «mandarim»

Porque é bem mais do que afirmas


      Explicaria de uma penada porquê o nome mandarim para a língua e para o alto funcionário, mas isso ficará para outra ocasião. Agora, e com urgência, importa corrigir e enriquecer a definição de «mandarim» no dicionário da Porto Editora. Assim, proponho ➔ mandarim HISTÓRIA designação europeia dos altos funcionários da administração dos antigos Estados da China, do Vietname e da Coreia, pertencentes à classe letrada e recrutados por exames públicos, integrados numa hierarquia burocrática ao serviço do monarca, com funções administrativas, judiciais, fiscais ou, em certos casos, militares.

      Quanto à etimologia, deverá dizer-se que já estava atestado em português desde 1514; do malaio menteri, «ministro, conselheiro», do sânscrito mantri, «conselheiro»; a forma portuguesa terá sido influenciada pelo verbo mandar, difundindo-se depois do português para outras línguas europeias.

[Texto 22 456]

Como se fala por aí

Prefiro ouvir, mas


      Estive surdo mais de um mês, e senti-me muito mal. Agora, já totalmente recuperado, ouço coisas extraordinárias. No sábado, no Notícias 21, da RTP Notícias, a pivô Carolina Freitas perguntou ao comentador Ricardo Jorge Pinto qual a sua «visão» da semana. A propósito da demissão da ministra da Administração Interna, respondeu ter-se «dificuldade em compreender como é que Luís Montenegro resistiu tanto tempo a permanecê-la no lugar». Ora, este comentador aparece sempre com um fundo virtual a simular uma biblioteca repleta de livros do chão ao tecto. Reais ou virtuais, não há ali, não pode haver, gramáticas.

[Texto 22 455]

Léxico: «forint | fillér»

Preparemo-nos


      «Péter Magyar, o adversário político de Viktor Orbán, lançou a campanha para as eleições de 12 de abril um dia depois do primeiro-ministro húngaro, com a aposta no combate à corrupção, na saúde e nos transportes, mas sobretudo com uma mensagem pró-europeia, e que inclui preparar o país para adotar o euro em 2030» («Magyar quer Hungria na moeda única em 2030», C. A., Diário de Notícias, 17.02.2026, p. 23). 

      Ainda falta algum tempo, mas parece-me quase inevitável. Entretanto, podemos e devemos melhorar a definição do nome da unidade monetária e enriquecer a etimologia. Assim, proponho ➔ forint ECONOMIA unidade monetária da Hungria, introduzida em 1946, subdividida em 100 fillér, subunidade entretanto retirada de circulação. 

      Quanto à etimologia, vem do húngaro forint, e este do italiano fiorino, «florim», do latim medieval florenus, «(moeda) de Florença». 

      Ora bem, disseram-no a tempo: isso obriga-nos a dicionarizar também ➔ fillér ECONOMIA antiga subunidade monetária da Hungria, correspondente a 1/100 de um forint, retirada de circulação em 1999. Vem do húngaro fillér, e este do alemão Heller, designação de pequena moeda de baixo valor corrente na Europa Central, originalmente ligada à cidade de Hall (na actual Alemanha).

[Texto 22 454]

Léxico: «zé-prequeté»

Um zé-ninguém ainda mais obscuro


      «Questão melindrosa é averiguar como um zé-prequeté, o apagado Bolsonaro, aparece em arquivos privativos a chefes de Estado, príncipes europeus e magnatas. Plausível é considerar o neofascismo ascendente não como “onda” nebulosa, e sim como estrutura complexa, embora sem bases materiais delineadas. A ela se ajusta o conceito reflexivo de “máquina” como fluxo de energia produtor de realidade» («Bolsonaro nos arquivos de Epstein», Muniz Sodré, Folha de S. Paulo, 15.02.2026, p. A3).

[Texto 22 453]


Léxico: «esteroidogénese | esteroidogénico»

Não os deixemos escapar


      «Ao monitorizar a atividade neuronal durante o exercício físico, verificaram também que um grupo específico de células nervosas no hipotálamo ventromedial, denominadas neurónios do fator esteroidogénico 1 (SF-1), eram ativadas quando os animais corriam na passadeira» («Quer saber porque se sente tão bem depois de fazer exercício? A ciência explica», Rádio Renascença, 13.02.2026, 16h05).

[Texto 22 452]

A ver se nos entendemos

O nome certo


      «Era um “media mujahideen” (combatentes da luta armada pela jihad), descreve o Ministério Público que a partir de uma investigação da Unidade Nacional de Contraterrorismo da PJ, em dezembro do ano passado, o acusou de quatro crimes de terrorismo: dois incitamentos e duas glorificações» («Filho de testemunhas de Jeová tornou-se terrorista islâmico em cadeia britânica», Tiago Rodrigues Alves, Jornal de Notícias, 14.02.2026, p. 16). 

      Parece-me que é a primeira vez que me deparo com esta tipificação, que não é a da lei. Há legislação especificamente contra o terrorismo, mas o tipo geral do Código Penal, o artigo 298.º, «Apologia pública de um crime», chega e sobra.

[Texto 22 451]

Definição: «descarregar»

A mais actual


      «Nas Europeias de 2024, o ex-porta-voz da CNE, Fernando Anastácio, confirmou a receção de uma dezena de queixas de eleitores que chegaram às mesas de voto e o seu nome já tinha sido descarregado dos cadernos eleitorais» («Eleitor “incrédulo” após ser impedido de votar nas Caldas», Alexandra Inácio, Jornal de Notícias, 15.02.2026, p. 27).

      Exactamente, e por isso é que a 10.ª acepção de descarregar, Porto Editora, deve dizer isto: «riscar num rol ou assento ou caderno eleitoral». Tanto mais que, desaparecido o rol da roupa suja (exemplo também de Rebelo Gonçalves), já ninguém sabe exactamente o que é isso de rol. Há roupa suja, até mais que nunca, e lavada fora de casa, mas não há róis nem roleiros.

[Texto 22 450]

Léxico: «subposição»

Usada por quem precisa dela


      «A partir de 1 de Julho de 2026, a taxa será calculada por categoria distinta de produto, identificada segundo as subposições pautais, o que significa, por exemplo, que uma encomenda com uma blusa de seda e duas de lã passe a ser considerada como contendo duas categorias diferentes e implique o pagamento de seis euros de direitos aduaneiros» («UE acaba com isenção aduaneira nas encomendas até 150 euros e cria taxa de três euros», Público, 11.02.2026, 18h13).

[Texto 22 449]

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