«À vista desarmada»

À l’oeil nu

      «E há um melhor momento para olhar para a Lua? “O mais interessante vai ser observar [a olho nu], logo que a Lua aparece acima do horizonte [ou seja, logo ao pôr do Sol]”, diz, fazendo referência a um conhecido efeito psicológico que faz com que a Lua nos pareça (ainda) maior quando está mais próxima do horizonte» («Céu oferece uma super-lua cheia em noite de festa de São João», Andrea Cunha Freitas, Público, 22.06.2013, p. 31).
      Será mesmo um efeito psicológico, têm a certeza? Não será antes um efeito óptico? No sítio do Observatório Astronómico de Lisboa (OAL), diz-se mesmo que é um «efeito cerebral». Está bem.

[Texto 3006]

«Quando muito»

Posso continuar a repetir-me

      «Para melhor observar o fenómeno, basta abrir os olhos, não há nenhuma dica especial. “Aliás, nem é recomendável observar a lua cheia com telescópio, porque fica demasiado brilhante e encandeia quem observa. Como esta até será mais brilhante do que o normal, é recomendável não observar com telescópio. Quanto muito, podem observar com binóculos”, avisa Ricardo Reis [do CAUP, Centro de Astrofísica da Universidade do Porto]» («Céu oferece uma super-lua cheia em noite de festa de São João», Andrea Cunha Freitas, Público, 22.06.2013, p. 31).
      Já vimos mais de uma vez que está errado, só pode ser confusão. É uma expressão quantitativa e escreve-se quando muito, ou seja, «no máximo».
[Texto 3005]

Ortografia: «superlua»

Não chama nada

      «O fenómeno não é raro, mas não é por isso que deixa de ser especial. A cada 413 dias (praticamente um ano e dois meses), a lua cheia coincide com o ponto de maior aproximação da Terra (o perigeu), e o resultado é o que se chama uma super-lua cheia» («Céu oferece uma super-lua cheia em noite de festa de São João», Andrea Cunha Freitas, Público, 22.06.2013, p. 31).
      Já tínhamos visto aqui — e basta pensar — que a ortografia só pode ser superlua, e é a que ficou agora registada, por sugestão minha, é verdade, no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora.

[Texto 3004]

«Nobody’s perfect»

Nunca se enganava, hein?

      «A iniciativa começou logo a fugir ao guião quando Cavaco Silva ouviu Braga de Macedo a listá-lo como o 19.º Presidente da República. “Décimo nono?”, questionou o professor logo em modo de prova oral. “Parece-me que é 18.º...”, acrescentou. “Ó Jorge, nobody’s perfect”, rematou de braços abertos perante o seu ex-ministro das Finanças. O problema é que o aluno é que tinha razão» («“Ó Jorge, nobody’s perfect”», N. S. L., Público, 22.06.2013, p. 6).
      Bem, parece-me mais grave do que alguém não se lembrar do próprio número de telefone. O aluno ter razão, caro N. S. L., não é, a todas as luzes, nenhum problema.
[Texto 3003]

«Enquanto/quando»

São gostos, talvez

     «Pouco depois, o presidente da Câmara de Sintra era fotografado pelos jornalistas enquanto abandonava o local. O aparato atraiu a atenção de turistas que por ali passavam» («Seara mantém-se candidato a Lisboa e pressiona Tribunal Constitucional», Sofia Rodrigues, Público, 22.06.2013, p. 6).
    Embora as conjunções enquanto e quando sejam em parte sinónimas, para exprimir este sentido (no tempo em que; durante o tempo em que), eu optaria, neste contexto, pela conjunção «quando».

[Texto 3002]

Sobre «Jerónimo»

Professores e índios

      Uma professora de Português escreveu aqui que os seus alunos foram em visita de estudo ao «Mosteiro dos Gerónimos». Assim vai o ensino. Geronimo só o Stilton. Não, o nome do chefe índio devemos escrevê-lo também Jerónimo. Surpreendidos com as técnicas de combate do chefe, os mexicanos que lutavam contra ele exclamavam: «Jerónimo!» Ou seja, invocavam o santo. E assim ficou, mas na realidade o índio chamava-se Gokhlayeh. Ora, tanto em castelhano como em português, o antropónimo escreve-se Jerónimo, com j. Se dice del religioso de la Orden de San Jerónimo. 
[Texto 3001]

Agora até as contas

3000 e contas erradas

      «“O SNS também beneficia em termos de preço cada vez que se recorre a este tipo de alternativa. Uma das soluções orais que há cerca de um ano era fornecida [aos hospitais] a 20 euros por embalagem, o laboratório militar fornece agora por três euros, menos 80% do preço”, exemplificou o ministro da Saúde» («O laboratório que já produz remédios em falta no País», Diário de Notícias, 18.06.2013, p. 24).
      Hum... Isso é calculado assim por alto, não? Vamos lá ser rigorosos, se faz favor. Divide-se o valor final (3) pelo valor inicial (20), tira-se 1 e multiplica-se por 100. É 85 % e não 80 %. Chumbado.

[Texto 3000]  

«Porque/por que»

Isto é grave

      «“O melhor é pedir a Deus que lhe explique, porque nós não temos explicação”, responde, num impulso, a cirurgiã pediátrica quando questionada sobre como Gilberto Kássimo Silva, 13 anos, sobreviveu com um tiro na cabeça, no dia 1 de janeiro. “Bartolo”, nome porque é conhecido no bairro da Quinta da Fonte (Sacavém), vive já há mais de seis meses com a bala, que lhe entrou pela boca, alojada no tecido muscular encostado às vértebras que ditam a mobilidade dos membros inferiores e superiores» («‘Bartolo’, o ‘imortal’, vive com uma bala na cabeça», Valentina Marcelino, Diário de Notícias, 18.06.2013, p. 12).
      Valentina Marcelino, Valentina Marcelino, então agora é assim que se escreve? Ora veja: «Também nas imediações do Rato (que, ao que se sabe, tirou o nome por que é conhecido não de nenhuma praga de roedores que o tivesse afectado, mas sim de um tal Luís Gomes de Sá e Menezes, por alcunha o Rato, fundador do convento das religiosas da Trindade — as Trinas, como normalmente eram referidas — que se encontrava onde actualmente se ergue a Igreja de N.ª S.ª da Conceição) surgiu o primeiro bairro industrial» (Esta Lisboa, Alice Vieira. Lisboa: Editorial Caminho, 1993, p. 52).
[Texto 2999]

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