«Mau-estar»!

Também sem desculpa

      «O encontro, que aconteceu apesar de todas aquelas polémicas que a imprensa relatou, sobretudo a imprensa da Argentina, de que havia um mau-estar entre os dois, uma vez que o cardeal Bergoglio, até era um forte opositor a algumas das medidas de Cristina Kirchner, sobretudo o casamento entre homossexuais» (repórter Ana Santos, Jornal da Tarde, 18.03.2013).
      Nem queremos acreditar que uma jornalista se exprima desta maneira, mas assim foi. Se a repórter tiver amigos entre os nossos leitores, por favor, digam-lhe.
[Texto 2688]

«Corrector/corretor»

Sem desculpa

      «Morreu um dos advogados franceses mais célebres. O corpo de Olivier Metzner foi encontrado a boiar ao largo da ilha da qual era proprietário na região da Bretanha. A polícia descobriu na casa do advogado uma carta de despedida. Olivier Metzner, de 63 anos, foi uma figura controversa. Esteve envolvido nos principais processos dos últimos anos. Defendeu o ex-ditador do Panamá, Manuel Noriega, e o ex-corretor da Société Générale, Jérôme Kerviel, que perdeu na bolsa cinco mil milhões de euros. Representou ainda o ex-presidente da petrolífera Elf, acusado de corrupção, e o ex-primeiro-ministro Dominique de Villepin» (jornalista Hélder Silva, Jornal da Tarde, 18.03.2013).
      E como é que o jornalista leu a palavra «corretor»? Como se fosse «corrector», como tantas vezes acontece. Agora com o Acordo Ortográfico, é como se tudo fosse igual. Claro que o jornalista não tem desculpa.
[Texto 2687]

«Renascimento/Renascença»

Para que conste

      «Renascença. Há quem prefira Renascimento, talvez com receio ao francesismo Renaissance. Mas Renascença é palavra bem formada, e não há motivo para a sua proscrição. (D. D.)» (Grande Dicionário de Dificuldades e Subtilezas do Idioma Português, vol. 2, Vasco Botelho de Amaral. Lisboa: Centro Internacional de Línguas, 1958, p. 906).
[Texto 2686]

Léxico: «varroa»

Fala-se muito nela

      «Amanhã seguem viagem para Ourém, vão tratar dos outros apiários. É preciso manter as colmeias limpas, fazer desdobramentos, analisar a percentagem de varroa e enviar o mel para análise, para atestar a sua qualidade» («A morte silenciosa das abelhas», Ricardo J. Rodrigues, Notícias Magazine, 17.03.2013, p. 42).
      Está noutros dicionários, não está no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora.

[Texto 2685]

Léxico: «lanceta»

Se estiver certo, falta

      «Junta-se a Jaime Gama e os dois olhares clínicos dão o alerta: faltam duas lancetas, “a dos pulmões e a do reboque”. Russell nem queria acreditar. Com o primeiro [sic] furavam os pulmões, para depois se encherem de água e o cachalote flutuar. O do reboque servia para enganchar no magnífico cadáver flutuante, depois puxado até à costa pelos ínfimos barcos — explica o ex-MNE» («Mestre do Pico constrói bote baleeiro em New Bedford», Marina Almeida, Diário de Notícias, 17.03.2013, p. 25).
      Se está correcto, não consta dos dicionários, que registam, isso sim, uma acepção com alguma relação: pequeno cutelo pontiagudo usado nos matadouros para abater reses.

[Texto 2684]

Léxico: «rasta»

E mais esta

      «O principal suspeito é corpulento e usa rastas e ontem ainda não tinha sido capturado, segundo o DN apurou junto de fontes policiais» («Segurança reforçada após tiroteio à porta do restaurante», Luís Fontes, Diário de Notícias, 17.03.2013, p. 18).
      Ora, se o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista «rastafári», «rastafarianismo» e «rastafariano», não sei porque não há-de acolher também esta.
[Texto 2683]

Léxico: «nosocomial»

Manicómios e nosocómios

      «No relatório Saúde em Números, publicado em Janeiro deste ano pela DGS, há um capítulo dedicado às infecções nosocomiais da corrente sanguínea (INCS) nos hospitais portugueses onde se conclui que a prevalência aumentou de 3,2% em 1988 para 5,9% em 2010» («Governo vai dar prioridade ao controlo das infecções», Andrea Cunha Freitas, Público, 17.03.2013, p. 9).
      Quanto mais diversidade lexical, melhor, pelo menos desde que não sejam invencionices. Esta veio do grego, através do latim. Nosocomial: relativo a hospital ou às doenças que aí tratam.
[Texto 2682]

Tradução: «gap year»

E fazem eles bem

      «Dois anos depois de um empresário [Carlos Torres] ter desafiado dois jovens a interromperem os estudos e a viajarem pelo mundo, “para crescerem”, a discussão sobre as vantagens de uma pausa na actividade académica chega à Assembleia da República. Os ingleses, que há décadas criaram o conceito e a prática, chamam-lhe gap year. Os deputados do PS traduzem para “ano sabático” e pedem o apoio do Governo para o promover entre os alunos do ensino secundário» («Depois do 12.º ano, uma pausa para viajar», Graça Barbosa Ribeiro, Público, 17.03.2013, p. 10).
[Texto 2681]

Arquivo do blogue