Léxico: «enxambrador»

Para não nos esquecermos

      Já tinha lido numa obra de Mário Cláudio, mas não liguei muito e creio que até já tinha esquecido, mas agora voltei a ler a palavra «enxambrador», que, tanto quanto vi, nenhum dicionário regista. Conhecia, isso sim, as variantes ensamblador e enxamblador. É o nome que se dá ao marceneiro que ensambla, isto é, que faz embutidos em madeira; embutidos de madeiras raras, embutidos de madrepérola, embutidos de metal, etc.
[Texto 2929]

Há sempre melhor

Afinal, não é preciso «líder»

      «Para o coordenador do grupo, Bin He, este é um passo decisivo para a criação de futuros equipamentos que tornarão mais fácil a vida de pessoas paralisadas devido a acidentes ou doenças degenerativas» («Helicóptero voa só com a força do pensamento», Filomena Naves, Diário de Notícias, 5.06.2013, p. 41).
[Texto 2928]

«Príncipe Guilherme»

A tradição continua

      «Isabel II subiu ao trono em fevereiro de 1952, mas só foi coroada a 2 de junho do ano seguinte. Ontem, 60 anos depois, a Rainha de Inglaterra voltou à Abadia de Westminster para as celebrações oficiais. A monarca fez-se acompanhar por duas dezenas de membros da família real, entre eles o filho Carlos, herdeiro do trono, e o neto Guilherme, segundo na linha de sucessão» («Isabel II. Festa dos 60 anos da coroação», Diário de Notícias, 5.06.2013, p. 9).
[Texto 2927]

«Tendem a haver»!

Mais um erro, e dos piores

      «Reconhece, porém, que nos cancros em que está presente o HPV [sigla inglesa de vírus do papiloma humano] tendem a haver melhores reações ao tratamento» («Tabaco e álcool superam sexo oral no risco de cancro», Diana Mendes, Diário de Notícias, 4.06.2013, p. 16).
      A jornalista refere-se sempre ao papilomavírus humano, nunca a vírus do papiloma humano, cuja sigla portuguesa, que é a que interessa, é VPH. Muito mais grave, não é ocioso recordá-lo, é o «tendem a haver», imperdoável num texto de um jornalista.
[Texto 2926]

«Comercializável/comerciável»

Não me parecem sinónimos

      «[João Machado, presidente da CAP, Confederação dos Agricultores de Portugal] Nega que em Portugal se esteja a destruir os produtos não comerciáveis ou que haja uma retaliação por a UE passar a dar aos agricultores metade do subsídio pelos excedentes que doam à solidariedade. [...] Aquele é um programa comunitário que apoia os produtores que entreguem às instituições os bens de baixo calibre (não comerciáveis)» («Agricultores dão fruta a pequenas instituições», Céu Neves, Diário de Notícias, 4.06.2013, p. 17).
      «Comerciável» e «comercializável» são mesmo sinónimos? Comerciar é exercer o comércio, ter comércio; comercializar é fazer entrar no circuito comercial, pôr à venda.
[Texto 2925]

«Austeritário»

Não era preciso

      «À partida, parece que nada mudou na minha vida com a chegada da crise e das medidas austeritárias que estão a asfixiar os portugueses» («Agora, o supermercado vai lá a casa», Graça Henriques, Diário de Notícias, 4.06.2013, p. 6).
      Já tínhamos visto aqui, recentemente, «antiausteritário»; agora, como era previsível, é «austeritário» que nos aparece. Neologismo necessário ou invencionice descabelada?

[Texto 2924]

«Evacuação de casas»

Está melhor

      «A Áustria também não escapou às chuvas torrenciais[,] que provocaram um morto e forçaram à evacuação de centenas de casas» («Cheias forçam milhares a deixar as suas casas», Helena Tecedeiro, Diário de Notícias, 4.06.2013, p. 25).
      Sobre o verbo «evacuar», lê-se no livro de estilo do Estado de S. Paulo: «Use o verbo apenas no sentido fisiológico: evacuar sangue. Nos demais, prefira desocupar, esvaziar, retirar de, sair de, deixar livre.»
[Texto 2923]

«Ecaterimburgo»

Só por isso

      «Vladimir Putin, Presidente da Rússia, veste a partir de hoje o fato de anfitrião e vai até à cidade de Ecaterimburgo, a 1800 quilómetros a Leste de Moscovo, receber os mais altos líderes da União Europeia: o presidente da Comissão, Durão Barroso, e o presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy» («Rússia recebe União Europeia com Síria em fundo», R. S. F., Diário de Notícias, 3.06.2013, p. 26).
      Muito amarelado para servir de exemplo, é verdade, mas tem ali o topónimo aportuguesado, Ecaterimburgo, que merece seguido (como dizem os Brasileiros e, de vez em vez, Montexto).

[Texto 2922]

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