«Comer vegetais»

Veggies, always!


      «Bobbi Brown deu apoio com as suas maquilhagens e disse: “Quand [sic] comecei [a colaborar com este desfile], há sete anos, não sabia que as doenças do coração são a primeira causa de morte das mulheres”. Brown deu conselhos: não fumar, beber muita água, comer vegetais, ter um estilo de vida saudável. “Não é só bom para o corpo, é bom para a vida, é bom para o cabelo, é bom para rosto”, defendeu» («Nova Iorque. Mulheres de vermelho contra os males do coração», «P2»/Público, 10.02.2012, p. 19).
[Texto 1086]

Sobre «bilíngue»

Bem lembrado, mas

      «A cedência à ortografia brasileira talvez faça vender alguns dicionários mas será altamente prejudicial para a aprendizagem da língua pelas futuras gerações de Portugueses da Europa, que já não precisam de ser desajudados. As profundas alterações introduzidas pelo presente “acordo” na ortografia portuguesa não são equivalentes à substituição do “ph” de “pharmácia” por “f”, pois esta alteração não afectou a fonética da palavra, como a supressão do “c” mudo afectará a pronúncia dos compostos do étimo “afecto” se este “acordo” for por diante. Ignora Rui Tavares o que aconteceu ao fonema “güe” na palavra “bilingüe” quando o trema foi suprimido em Portugal (o Brasil não nos acompanhou e fez bem)?» («Consoantes mudas ou colunistas surdos?», Manuel Villaverde Cabral, Público, 10.02.2012, p. 33).
      Bem lembrado. Aconteceu o que se ouve no Prontuário Sonoro. Embora — diga-se — nada tenha que ver com consoantes, mudas ou palradoras. Tem que ver com uma reforma ortográfica e com a falta que faz este sinal gráfico, que em má hora foi eliminado da língua portuguesa.
[Texto 1085]

Como se fala na televisão

Por parte de todas as partes

      Rita Marrafa de Carvalho, em directo da Praça do Munícipio, ontem à noite: «Foram quatro longas horas aqui no Tribunal da Relação para ouvir estas alegações finais por parte de todas as partes que dizem respeito a este processo que é o Processo Casa Pia sem qualquer pausa. Ricardo Sá Fernandes foi de facto o mais intenso, aquele que com maior intensidade e veracidade se mostrava indignado perante as suas alegações finais.»
[Texto 1084]

De escombro em escombro

Um aviso a precisar de talas

      O aviso de D. Januário Torgal Ferreira, ordinário castrense das Forças Armadas e de Segurança, não saiu lá muito escorreito: «Começo a sentir o cheiro à queda do regime. Não me admiraria que, de escombro em escombro, este governo pudesse ter horas contadas. Que não.» Saiu tão bem ou tão mal, na verdade, como estoutra: «A questão social está a ser perfeitamente esbulhada, nos seus direitos e deveres, nesta hora, em Portugal.»
[Texto 1083]

Água-de-colónia/«eau de toilette»

Sistematizar

      Há-de ser por facilidade que o Dicionário Francês-Português da Porto Editora dá como tradução de «une eau de toilette au chèvrefeuille» «uma água-de-colónia de madressilva», pois o próprio Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista que a eau de toilette é a «solução preparada com álcool, água e diversas essências aromáticas, de concentração superior à da água-de-colónia e inferior à do perfume». E José Pedro Machado também escreveu que a eau de toilette é a «loção perfumada, mais do que a água-de-colónia e menos do que o perfume propriamente dito». Segundo os manuais de perfumaria, a eau de toilette tem entre 4 % e 8 % de óleo essencial; a água-de-colónia, entre 2 % e 5 %. Nem vale a pena complicar com a eau de parfume ou o splash ou splash cologne.
      E, segundo o Acordo Ortográfico de 1990, não se esqueçam: «Nas locuções de qualquer tipo, sejam elas substantivas, adjetivas, pronominais, adverbiais, prepositivas ou conjuncionais, não se emprega em geral o hífen, salvo algumas exceções já consagradas pelo uso (como é o caso de água-de-colónia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao deus-dará, à queima-roupa).»
[Texto 1082]

Como se escreve nos jornais

Na América, escreve-se assim

      Ora vejam como escreve o «nosso correspondente em Hollywood»: «[Meryl Streep] Faz de Margaret Thatcher nos anos do crepúsculo, quando a nova Britânia se invadiu de lojistas imigrados e gente nova que a ignora com impaciência» («“Foi uma maneira de sentir empatia por alguém com quem discordava”», John-Miguel Sacramento, Metro, 8.02.2012, p. 11).
[Texto 1081]

Sobre «racional»

Dizem que é um génio

      Zurzido ontem por Ana Sá Lopes no Público, Henrique Monteiro responde hoje mansamente na secção «Cartas à Directora»: «Pelo meu, [sic] lado, além de detestar o tipo de jornalismo que fez Margarida Cardoso, gostaria de deixar claro a quem leu a peça em causa, [sic] que apenas questionei o racional do negócio, pelo que a prosa por vós citada nada tem a ver com algo que eu tenha dito, ou sequer pensado» («O i, Ana Sá Lopes e Henrique Monteiro», p. 38).
      Ainda não percebi o que é isto do «racional». Ora tenham a bondade.

[Texto 1080]

«Face a»

Agora já é tarde

      «No sábado, Nora Berra publicou no seu blogue oficial uma nota em que recomendava medidas a adoptar face ao frio, designadamente por “sem-abrigo, crianças, idosos ou quem sofra de patologias crónicas”. Normal. O problema é que, quatro parágrafos depois, aconselhava as mesmas “populações vulneráveis” a “evitarem sair” de casa» («Gaffe em França em plena vaga de frio polar», João Manuel Rocha, Público, 9.02.2012, p. 23).
      Não é monomania, não... mas face a não é francês escarrado e cuspido? Mes recommandations face au froid...
[Texto 1079]

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