Símbolos de minuto e de segundo

Desalinhados

      Já todos vimos, referido a filmes, que têm tantos minutos e segundos, e os supostos símbolos: 44' 25". A cores, a preto-e-branco. Tudo muito bonito. Acontece, porém, que esses símbolos, chamados plicas ou linhas, dizem respeito a unidades de medida de ângulo plano e não a unidades de tempo. Convenção ou distracção? Há convenções contra outras convenções?
[Texto 2873]

Símbolos de unidades de medida

Está na hora

      «O paraquedista caiu de bruços em terra batida perto de uma ruína e à velocidade calculada de mais de 300 kms./hora. O salto previa uma queda livre durante 20 ou 30 segundos, a que se seguiria a abertura do paraquedas» («Paraquedista inglês morto era um praticante experiente», José Manuel Oliveira, Diário de Notícias, 22.10.2012, p. 20).
      O jornalista não terá nunca tido notícia de que os símbolos técnicos não têm plural nem são seguidos de ponto abreviativo?
[Texto 2237]

Símbolo «km»

Erro de todos os dias

      «O corpo da menina de oito anos arrastada por uma onda quando, na tarde do 25 de abril, passeava com a avó e a irmã na praia da Memória, em Lavra, Matosinhos, foi ontem encontrado na praia do Corgo, a norte de Leixões, a poucos kms de distância do local da tragédia» («Corpo de menina deu à costa», Diário de Notícias, 5.05.2012, p. 21).
      O símbolo de quilómetro é km, e os símbolos das unidades são invariáveis, mesmo que se refiram, como é o caso, ao plural. Por outro lado, nada justifica, na frase acima, o uso do símbolo.
[Texto 1472]

Símbolo do euro

Esquerda, direita

      O símbolo do euro deve figurar à esquerda ou à direita dos valores numéricos a que diga respeito? Voltei ontem a reflectir sobre este assunto lá na redacção (algures). Em 1999, um tal D, consultor do Ciberdúvidas, respondia assim: «Segundo o Sistema Internacional de Unidades (que Portugal também respeita), os símbolos das unidades colocam-se “após um pequeno espaço, no mesmo alinhamento e à direita do valor numérico a que se referem”.» Em 2001, D’ Silvas Filho concluía assim uma consulta: «Quanto ao símbolo, penso que se deverá escrever € 40.» D e D’ Silvas Filho são uma e a mesma pessoa? Não é por nada: eu também mudo de opinião, sempre na esperança de acertar. Julgo que esta mudança de opinião, se o foi por se tratar do mesmo consultor, não foi no bom caminho. Para mim, o que faz sentido é que se grafem à direita do valor numérico a que se referem, justamente por se proceder do mesmo modo com os restantes símbolos de unidades. Está aberta a antena.


[Post 4642]

Sobre o símbolo #

Magna questão

      Na sua crónica de hoje no Público, Miguel Esteves Cardoso fala do símbolo #, que já aqui nos ocupou.
      «No Spectator datado de anteontem, Rory Sutherland divertia-se com a universalidade de gin tonic, compreensível em todos os bares do mundo, com os caprichos do símbolo #, que tem nome diferente em todas as línguas. Se puder, leia a coluna inteira: http://bit.ly/fctR14
      Senão, fique sabendo que R.S. apurou que em português dizemos “terminal”, “cardinal” ou “jogo-da-velha” — coisa que, adianta ele, significa “noughts and crosses”, mais conhecido em Portugal como o “jogo do galo”.
      Embora nunca tenha ouvido dizer “marque o número seguido de jogo-da-velha”, tenho de tirar o chapéu a quem assim chamou ao cruzamento de duas linhas horizontais com outras duas verticais. Acho até que jogo do galo, tal como arroba para o @, é a definição perfeita da disposição gráfica do caracter que se pretende» («Almofadinha cardinal», Miguel Esteves Cardoso, Público, 28.03.2011, p. 31).
      (Só um reparo: porque é que Miguel Esteves Cardoso, à semelhança de muitos outros, não pôs ponto final depois do URL, se encerra frase? Mais outro: porque é que Miguel Esteves Cardoso escreve «jogo-da-velha» mas «jogo do galo»? O Sr. Hífen continua a fazer das suas.)

 [Post 4622]

Símbolo químico

Só se mudou

      Aprendi que no símbolo químico do dióxido de carbono se usa o 2 subscrito, o que serve para representar que cada molécula contém dois átomos de oxigénio somados a um átomo de carbono — CO2. Ora, o dióxido de carbono é, sem qualquer dúvida, o gás de que mais se fala na imprensa. No Público, não me lembro de o ter visto alguma vez subscrito. «Por um lado evita-se o pesado consumo de CO2 resultante da queima das rolhas e, por outro, incrementa-se a sua produção, já que por cada mil rolhas recolhidas a Quercus planta mais uma árvore no âmbito do seu projecto Criar Bosques» («Guarde a rolha do que beber no Natal e Ano Novo», José Augusto Moreira, Público, 24.12.2010, p. 11). No Diário de Notícias, passa-se o oposto: «Acreditou-se que a crise económica baixaria os níveis de emissões de dióxido de carbono (CO2), o principal gás com efeito de estufa, mas afinal não será assim» («Emissões de CO2 estão outra vez a subir», Diário de Notícias, 23.11.2010, p. 34).
      (Uma palavra de repúdio pela designação, Green Cork, que a Quercus deu a esta campanha de recolha de rolhas. Então querem as nossas rolhas e tratam-nos como se fôssemos Ingleses? Está mal.)
[Texto 4235]

Símbolos

Cultura científica moribunda


      «Sem se aperceberem, os peões confiam no barulho que os carros tradicionais fazem para calcular a distância a que os mesmos estão. Principalmente os invisuais e os seus cães-guia. Logo, o barulho é essencial. Quando os veículos eléctricos e híbridos circulam a uma velocidade elevada ouvem-se bem pelos pneus e pela estrada. Mas quando a velocidade ronda os 50 kms a história é diferente e vão ser precisos aparelhos electrónicos nos novos carros que substituam o barulho» («O silêncio nem sempre é de ouro», Emma Forrest, Metro, 30.11.2010, p. 21).
      Este erro já passou por aqui. Como é que uma publicação com revisão apresenta erros tão básicos? Os símbolos não têm plural, cara Catarina Poderoso, revisora do Metro. Outros erros muitos comuns é kilómetro em vez de quilómetro; Kg em vez de kg; gr. em vez de g; mt. em vez de m; etc. Não passa muito pela imprensa, mas noutro tipo de publicações também se vê, por exemplo, sen α em vez de sin α e outras incorrecções.

[Post 4146]

Tonelada equivalente de petróleo

Não é tudo o mesmo


      «As importações portuguesas de electricidade cresceram dez vezes entre 2000 e 2008, de 80 mil para 811 mil toneladas equivalentes de petróleo (TEP), segundo o site Pordata, que lança hoje o serviço estatístico para a Europa» («Importação de electricidade em alta», Diário de Notícias, 3.11.2010, p. 35).
      Tanto quanto sei, trata-se de símbolo e não de abreviatura. Logo, tep e não TEP. Em certos textos escritos em português, já tenho visto (!) toe, de tonne of oil equivalent. Já algum leitor confirmará a informação.

[Post 4060]

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