Definição: «caranguejo-azul» | Léxico: «navalheira-azul»

Comestíveis, graças a Deus

      «On se pince: le crabe bleu américain est tellement invasif que même le WWF recommande d’en manger. Ça tombe bien, Callinectes sapidus est peut-être bleu fluo, mais c’est un excellent comestible. Son nom latin signifie d’ailleurs “bon nageur savoureux”» («Le WWF demande de manger ces crabes bleus qui prolifèrent en mer», Jocelyn Rochat, Le Matin Dimanche, 9.08.2026, p. 23). 
       Está no dicionário da Porto Editora, sim senhor, mas tem erros e lacunas: «ZOOLOGIA (Callinectes sapidus) caranguejo grande e comestível, da família dos Portunídeos, natural da costa atlântica da América do Norte mas presente em Portugal (onde é considerado espécie invasora), pode atingir mais de 20 centímetros de comprimento e caracteriza-se por apresentar pleópodes de margens azuladas (macho); caxangá, siripuã». Tem pleópodes de margens azuladas? Os pleópodes são pequenos apêndices abdominais, geralmente recolhidos sob o abdómen. A coloração azul característica observa-se sobretudo nos quelípodes, isto é, nas patas terminadas em pinça, particularmente nos machos. E o erro repete-se, pois então, em três verbetes: caranguejo-azul, caxangá e siripuã. E só não é em quatro porque o dicionário não regista «navalheira-azul», termo também muito usado para designar esta espécie. Tem mais erros, mas passemos à principal lacuna, que é não se indicar a característica dos Portunídeos mais imediatamente reconhecível: o último par de patas é achatado, em forma de remo, e adaptado à natação. 
      Tudo visto, proponho ➠ caranguejo-azul ZOOLOGIA (Callinectes sapidus) crustáceo decápode comestível, da família dos Portunídeos, de carapaça larga e achatada, com um longo espinho de cada lado, quelípodes azulados, sobretudo no macho, e último par de patas achatado, em forma de remo; pode ultrapassar 20 centímetros de largura de carapaça; originário da costa atlântica americana, do Canadá à Argentina, encontra-se introduzido na Europa e é considerado espécie invasora em Portugal; cavalheira-azul, caxangá, siripuã.
[Texto 23 811]

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P. S.: Se não podemos vencê-los, comamo-los. Não é assim que se costuma dizer? O caranguejo-azul, anotem, é uma das raras espécies invasoras com valor culinário. Ainda agora quando estive em Génova o vi nas ementas dos restaurantes: spaghetti al granchio blu.

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