Léxico: «beethoviano | mozartiano»
2.11.26
Discriminação lexicográfica
«Disparition du pianiste Stephen Kovacevich, beethovénien d’exception» (Nicolas Poinsot, 24 heures, 30.10.2026, p. 24). O pianista Stephen Kovacevich, falecido aos 86 anos, era um beethovénien d’exception, ou seja, um excepcional intérprete da obra de Beethoven. Ora, quem consultar o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora verificará que «beethoveniano» é apenas adjectivo, definido como «relativo a Ludwig van Beethoven, compositor alemão, 1770-1827, ou à sua obra musical». Falta-lhe, portanto, uma acepção que permita designar quem admira, estuda, conhece profundamente ou interpreta a obra do compositor. Não é, porém, um caso isolado. O mesmo dicionário define «mozartiano» apenas como adjectivo, mas já regista «bachiano», como nome masculino, na acepção de «admirador ou estudioso da obra de J. S. Bach». E faz exactamente o mesmo com «chopiniano», enquanto «wagneriano» tem, entre outras, a acepção de «admirador e/ou especialista na obra de Wagner».
No dicionário da Porto Editora, Bach, Chopin e Wagner têm admiradores e estudiosos. Beethoven e Mozart, pelos vistos, não. Não se percebe a razão desta disparidade. A acepção substantiva deveria ser contemplada em todos estes vocábulos, independentemente do compositor a que se referem. Aliás, nada impede que se reconheça igualmente o emprego adjectival nesta acepção, como faz o Houaiss em «mozartiano».
[Texto 23 797]
edit
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