Prefixo «anti-»

Há sete anos a dizer o mesmo

      «O ‘Cerco ao Congresso’ – que concentrou os participantes de manifestações anti-austeridade partidos de vários pontos da cidade – estava marcado para as 18.00 (17.00 em Lisboa), mas a essa hora ainda eram poucas as pessoas que se concentravam na praça de Neptuno, levando a crer que a manifestação poderia decorrer pacificamente» («‘Cerco ao Congresso’ provoca caos em Madrid», Catarina Reis da Fonseca, Diário de Notícias, 26.09.2012, p. 23).
      Este erro não é cíclico: é continuado, permanente. Estatui o Acordo Ortográfico de 1990 que não se emprega o hífen «nas formações em que o prefixo ou pseudoprefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por vogal diferente, prática esta em geral já adotada também para os termos técnicos e científicos». Logo, antiausteridade.
[Texto 2147]

Léxico: «vintil»

Ora, parece-me que sim

      Se o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora acolhe o termo «centil» — aliás muito mal explicado: «denominam-se decis 0, 1, 2, ... 10 os valores da variável estatística, tais que 0%, 10%, 20% ... 100% das observações lhe são inferiores» —, não devia acolher também o termo «vintil»? O mais próximo que regista, porém, é «vinil»...
[Texto 2099]

Sobre «saibro»

É difícil explicar...

      «Foi durante a remoção de quatro altares barrocos da capela de Santa Comba, em Baião, que se descobriu um verdadeiro tesouro: uma pintura do final do século XV numa delicada película sobre o saibro da parede» («Pintura mural de valor incalculável achada em capela», Ana Carla Rosário, Jornal de Notícias, 17.09.2012, p. 22).
      Parece-me, a avaliar pela amostra de meia dúzia que consultei, que os dicionários não se põem inteiramente de acordo sobre o que é saibro.
[Texto 2098]

Gerúndio

Viajando no Alentejo

      Anteontem, ao passar na serra do Cercal, no Alentejo, viam-se muitos trabalhadores à beira da estrada e um sinal em que se podia ler: «Máquinas pintando». E lá vi, alguns quilómetros mais adiante, máquinas pintando.
[Texto 2097]

Léxico: «Queruscos»

Vão desaparecendo

      Se alguém quiser saber o que significa Queruscos (acabei de ler numa obra que estou a rever), vai ter de recorrer a uma enciclopédia. Se não tiver acesso à internet, claro. Os dicionários gerais da língua não o registam. Na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira: «Antigo povo da Germânia» (Vol. 24, p. 15).

[Texto 2096]

«Interpor recurso para ou a»?

Já que a língua é a mesma

      Jornalista Olga Tancredo, na emissão das 6 da tarde do Rádio Jornal, na Rádio Nacional de Angola: «No final do encontro, o porta-voz da CASA-CE [Convergência Ampla de Salvação de Angola-Coligação Eleitoral], Lindo Bernardo Tito, afirmou que aquela coligação vai interpor recurso ao Tribunal Constitucional dentro dos prazos previstos por lei.» O mais habitual é usar-se a construção «interpor recurso para».
[Texto 2095]

Perifrástica

Logo os dois?

      «A primeira aula de Carlos Fiolhais foi em 1962. “Já lá vai meio século!”, exclama o catedrático de Coimbra, que haveria de doutorar-se em Física Teórica, vinte anos depois do primeiro dia de escola, na Alemanha. [...] Olhando para o seu percurso, é curiosa a confissão: “A minha meta era o exame da 4.ª classe.” Fiolhais é responsável pelo passo em frente da Física em Portugal, mas diz: “Não fazia ideia de que haveria de passar na escola os próximos 20 anos da minha vida. E não podia imaginar que os 30 anos seguintes também os ia passar na escola.”» («“Chorei baba e ranho no primeiro dia”», Jornal de Notícias, 13.09.2012, p. 9).
      Já vimos que a perifrástica, no condicional, se constrói com o auxiliar no pretérito imperfeito do indicativo (havia de) e com o verbo principal no infinitivo (doutorar-se e passar).

[Texto 2094]

«Chefiar» reabilitado

Um pouco, pelo menos

      «Ana Cristina Jorge inspetora superior do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), vai chefiar a unidade de operações da agência europeia Frontex, a Agência Europeia de Gestão da Cooperação Operacional nas Fronteiras Externas dos Estados-Membros da União Europeia, a partir de do dia 1 de novembro» («Portuguesa vai chefiar agência europeia», Jornal de Notícias, 13.09.2012, p. 6).
      Ena, ena, até já estão a esquecer-se um pouco do tal verbo.
[Texto 2093]

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