Léxico: «pensionamento»

Pela primeira vez

      Acabei de a ver num texto de natureza económica, de autor português. Pensionamento. Os dicionários gerais da língua portuguesa desconhecem-na. Mas existe pensionado, pensionar, pensionário, pensioneiro, pensionista. Encontro-a nos dicionários de italiano: «Il mettere o il mettersi in pensione, collocamento in pensione di un lavoratore che ha cessato la propria attività» (in Enciclopédia Treccani). Não dirá a nossa palavra «aposentação» rigorosamente o mesmo?
[Texto 2385]
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Acordo Ortográfico

O desastre está aí

      O número de falantes que adoptaram o novo Acordo Ortográfico e que escrevem «contato» revela-se, a cada dia que passa, assustador. E estou a falar de licenciados para cima. Professores universitários, investigadores... Convenhamos que ainda não foi ultrapassado o pior desconchavo nesta matéria: o daquela professora de Português que introduzira paulatinamente, mesmo antes de frequentar uma «ação de formação» específica, as novas regras nos textos que dava aos alunos, «adatando-os». Assim mesmo, sem p nem pés nem bom senso.
[Texto 2384]
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Léxico: «cremona»

Também do francês

      «Quando acordou[,] viu que Raul, de tronco nu, fazia a barba olhando-se no espelho pequeno que tinha por hábito pendurar na cremona da janela mais pequena» (Nunca É de mais, Maria Roma. Lisboa: Bertrand Editora, 2003, p. 214). Conheci-a ontem. Na definição do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, é o «ferrolho duplo, comprido, da altura da porta ou da janela, que fecha simultaneamente em cima e em baixo». Também se diz carmona.
[Texto 2383]
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Sobre «impasse»

Se são meramente descritivos

      «Encontro», escreve a autora sobre Lisboa, «ruas que vão dar a impasses e escadas que acabam de repente.» Sempre achei muito curioso este galicismo. Impasse é o mesmo que beco sem saída. O termo, que talvez tenha sido introduzido na língua na década de 1940, já está nos dicionários, mas há imprecisões que é necessário corrigir. No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, por exemplo, estão registadas duas acepções — e nenhuma é esta. No Dicionário Priberam da Língua Portuguesa aparece como terceira acepção, mas com esta particularidade: «[Portugal: Madeira] Rua sem saída». Ai sim? Experimentem pesquisar no sítio Lisboa Interactiva e verão quantos impasses por ali estão. Se acolheram o galicismo, têm de registar todas as acepções usadas na nossa língua, que são precisamente as do étimo, como se pode comprovar no Le Trésor de la Langue Française Informatisé: «Rue sans issue. Synon. cul-de-sac» e «position ou situation qui ne présente pas d’issue favorable».
[Texto 2382]
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Dia da Espiga

Pois então

      Na obra Festividades Cíclicas em Portugal, de Ernesto Veiga de Oliveira (Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1984, p. 113), é Dia da Espiga, com maiúsculas iniciais, que se pode ler. Por analogia com outras datas, também sou de opinião que se deve grafar desta forma.
[Texto 2381]
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Léxico: «feijão-mungo»

Nutritivos

      Hoje comprei rebentos de feijão mungo no supermercado, para fazer com ravióis. É o que se lia na embalagem, e eu pensei logo que havia de ser designação mal traduzida do inglês: mung beans sprouts... Engano o meu: está na honestíssima Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira (vol. 11, p. 28): feijão-mungo, nome vulgar do Phaseolus mungo Lin., também conhecido como feijão-do-congo. Não está no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora.
[Texto 2380]
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«Catarense»/«catariano»

Seria melhor

      «Há ainda outros dois trunfos que reforçam a esperança do xeque do Qatar. Uma delas é a amizade entre Mourinho e o presidente do Paris Saint-Germain, o também catari Nasser Al-Khelaifi, que numa entrevista recente ao jornal espanhol Marca desfez-se em elogios a Mourinho. “É muito inteligente e está a fazer um grande trabalho em Madrid”, disse» («PSG seduz José Mourinho com oferta estratosférica», Carlos Nogueira e Madalena Esteves, Diário de Notícias, 29.11.2012, p. 37).
      Está longe de ser português, como salta à vista. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista catariano, que remete para catarense.
[Texto 2379]

 

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Como se escreve nos jornais

Está na hora de mudar de jornal

      «A ausência do Presidente da Rússia, Vladimir Putin, durante as últimas semanas na comunicação social causou estranheza e especulação entre a população, com o chefe de Estado a vir ontem explicar-se: Putin, 60 anos feitos em maio e cinturão negro em judo, garantiu ter-se magoado num combate, tendo lesionado-se na coluna, o que lhe tem provocado dores nas costas» («Putin lesiona coluna no judo», Diário de Notícias, 29.11.2012, p. 26).
[Texto 2378]
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Aspas escusadas

Pecha muito vista

      «Tanto ela [Ana Saltão] como o marido tinham ido ao funeral da octogenária assassinada, cerimónias que decorreram este sábado. Mas, apesar de estar habituada e ter conhecimentos técnicos sobre como ‘ler’ cenários de crime, a inspetora terá cometido alguns deslizes, cruciais para o sucesso desta investigação. A arguida, de 36 anos, natural da Figueira da Foz, estava de baixa médica devido a uma intervenção cirúrgica» («Inspetora da PJ recusa explicar porque matou», Paula Carmo, Diário de Notícias, 29.11.2012, p. 19).
       Não interessa se é um sentido principal ou um sentido figurado — não precisa das aspas.

[Texto 2377]
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Ortografia: «inclusive»

Para a próxima

      «Ao longo dos meses, a investigação conseguiu também reunir muitas outros tipo de prova, nomeadamente através da vigilância realizada tanto na Sé como junto às habitações. O agente em causa foi inclusivé visto a sair da casa de Aurélio, pertencente ao grupo de detidos e que está em prisão domiciliária à espera de ser julgado por tráfico de droga. Terá avisado os restante detidos de rusgas agendadas e terá inclusivé reunido com os advogados dos indivíduos. Nos autos constam ainda escutas telefónicas onde [sic] o polícia participa» («Chefe da PSP que avisava traficantes fica em preventiva», A. T., Diário de Notícias, 29.11.2012, p. 19).
      Pode ler-se assim, pode, mas não se escreve dessa forma, pois trata-se de uma palavra grave.

[Texto 2376]
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Como se escreve nos jornais

Não é para aqui

       «Depois de várias negas, Ana Filipa [Miranda] apresenta-nos o primeiro classificado. Certamente um dos poucos que não terá sofrido ataques de ansiedade» («Cardiologia e neurocirurgia no topo das escolhas de novos médicos», Diana Mendes, Diário de Notícias, 29.11.2012, p. 17).
      «Negas»... Tanto informalismo ficava melhor numa conversa à esquina, entre amigos, a jornalista deve saber isso.
[Texto 2375]
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Como se escreve nos jornais

Não era necessário

      «Já o juiz presidente tentou, sem sucesso, que Anabela Moreira fizesse um esforço de memória ao listar algumas das célebres prendas enviadas por Manuel Godinho por alturas do Natal apreendidas pela PJ na residência de José Penedos» («MP passou rasteira a ex-secretária de José Penedos», Júlio Almeida, Diário de Notícias, 29.11.2012, p. 12).
      Listar é, mais propriamente, pôr em lista, inscrever, alistar; catalogar. Creio que nenhuma se adequa ao contexto. Não seria melhor «enumerar» ou «mencionar»? E, se escrevem «juiz-conselheiro», não deviam escrever «juiz-presidente»?
[Texto 2374]
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Léxico: «grife»

Como tantas outras

      «Miranda Kerr pode deixar de ser um dos ‘anjos’ da Victoria’s Secret. A notícia caiu como uma bomba uma vez que a australiana é uma das manequins preferidas da marca, mas a justificação é simples: foi noticiado que a conhecida grife de lingerie usava produtos tóxicos na sua confeção, segundo o The Daily Telegraph» («Miranda Kerr quer deixar de ser ‘anjo’», Ana Lúcia Sousa, Diário de Notícias, 28.11.2012, p. 53).
      Parece que já é portuguesa... No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, o verbete remete para «griffe». A acepção é a primeira: «empresa produtora e/ou distribuidora de artigos de vestuário e acessórios de luxo».
[Texto 2373]
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Sobre «operacional»

Então está errado

      «Em junho de 2011, Nuno Pereira, inspetor-chefe da Polícia Judiciária (PJ) na reforma, matou a empregada que fazia a limpeza em sua casa com um tiro na cabeça, alegadamente por motivos passionais. O crime ocorreu no escritório da sua casa e pensa-se que foi motivado pela recusa da vítima, uma ucraniana de 45 anos, em iniciar um relação amorosa com o ex-operacional» («Homicídio passional», Diário de Notícias, 28.11.2012, p. 18).
      Mas «operacional» não se aplica apenas a militares? É o que se pode comprovar nos dicionários. No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora só está registado como adjectivo. Se, em vez da Polícia Judiciária, se tratasse da GNR, que é uma força de segurança de natureza militar, talvez se adequasse.

[Texto 2372]
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Pronúncia de «cônjuge»

Impressionante!

      E no mesmo Jornal das 8 da TVI, a jornalista Judite de Sousa contribuiu activamente para divulgar entre as massas uma calinada das grandes: «Uma marcha que acontece no dia em que as Mulheres Socialistas apelaram à mudança da lei que permite ao assassino de um cônjugue ser herdeiro da vítima e ter direito a pensão de sobrevivência.» Tão experiente, e sai-nos com uma destas. Saiba a jornalista que essa palavra não existe. Existe «cônjuge», que só tem uma forma de ser pronunciada: /côn–ju–je/. Um conselho: consulte o Prontuário Sonoro da RTP.
      Aproveitemos também para lembrar que «cônjuge» é um substantivo sobrecomum, isto é, tem um género determinado e invariável, masculino, neste caso, para designar as pessoas de um ou outro sexo: seja homem ou mulher, diz-se sempre «o cônjuge».
[Texto 2371]
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«Terá abrido fogo»

Mas estava assustado

      Tiroteio em São Miguel d’Acha. Anteontem, no Jornal das 8 da TVI, o alferes da GNR Tiago Delgado, ainda com ar assustado, afirmou: «Um dos indivíduos que tinha fugido terá regressado numa moto. Os militares, ao avistarem a moto, estranharam porque o indivíduo até estaria sem capacete. Ao tentarem abordá-lo, o indivíduo imediatamente sacou de uma caçadeira e terá abrido fogo sobre os militares.» É o particípio passado regular do verbo «abrir» — mas caiu em desuso. O alferes Delgado, com vinte e tal anos, devia saber isto.
[Texto 2370]
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Conjunção subordinativa causal

Pois

      «A conjunção pois não tem sido classificada como conjunção [subordinativa] causal», escreveu o consultor do Ciberdúvidas numa consulta datada de 6 de Março deste ano. Tem a certeza? Veja lá, é que eu tenho a certeza do contrário — e provo-o já: Celso Cunha e Lindley Cintra (Nova Gramática do Português Contemporâneo. Lisboa: Edições Sá da Costa, 1984, pp. 381-82) integram-na entre as conjunções subordinativas causais, o que abonam com uma frase de Érico Veríssimo de Um Lugar ao Sol: «Tio Couto estava sombrio, pois aparecera um investigador da polícia perguntando por Gervásio.» Lá está a iniciar oração subordinada denotadora de causa.
[Texto 2369]
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Ortografia: «alto-mar»

Como neste caso

      «A EDP, que tem a única eólica de alto mar em operação em Portugal, quer instalar mais cinco novas torres de produção de energia, desta vez no mar perto da Nazaré. “Com grande probabilidade será desenvolvido na zona-piloto [de energia das ondas] em São Pedro de Moel”, referiu ao DN/Dinheiro Vivo fonte da empresa» («EDP quer cinco eólicas de alto mar perto da Nazaré», Ana Baptista, Diário de Notícias, 26.11.2012, p. 30).
[Texto 2368]
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Ortografia: «borboleta-do-mar»

Espécime dos pterópodes

      «O animal em causa, Limacina helicina antarctica, é uma espécie de caracol marinho, conhecido popularmente como borboleta dos mares. Num artigo publicado na revista Nature Geoscience, uma equipa de investigadores da British Antartic Survey, coordenada por Nina Bednarsek, confirmou que esta espécie já revela enfraquecimento ou mesmo dissolução de duas estruturas laterais duras, que caracterizam esta espécie» («Borboleta dos mares afetada por maior acidez do oceano austral», Diário de Notícias, 26.11.2012, p. 30).
      E os hífenes? E não apenas isso: o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora grafa-o assim: borboleta-do-mar.
      (O apelido da investigadora na verdade é Bednaršek, mas isso talvez não tenha qualquer importância.)

[Texto 2367]
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Ortografia: «micrometeorito»

Da pressa não é, porque demora mais

      «Na mira destes caçadores de meteoritos estão, não apenas os de dimensão média de uma pequena pedra, mas também os chamados micro-meteoritos, com tamanhos inferiores a dois milímetros, que são os mais abundantes de todos» («Caçadores de meteoritos a caminho da Antártida», Filomena Naves, Diário de Notícias, 26.11.2012, p. 30).
      Quando é necessário hífen, como já vimos inúmeras vezes, não o usam. Vá lá a gente percebê-los.

[Texto 2366]
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Léxico: «papável»

Não percebo

      «Luis Antonio Tagle. Filipino, 55 anos, arcebispo de Manila, é um dos mais novos cardeais, apontado como papabile, pelo dinamismo da Igreja na Ásia» («Quem é quem», Diário de Notícias, 25.11.2012, p. 26).
      Se temos o adjectivo papável — que pode ser eleito papa —, para quê usar um termo estrangeiro, italiano no caso? E porque dirá o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora que é um termo coloquial?
[Texto 2361]
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Parece uma brincadeira

Com muita pedagogia

      Já fiz, mais do que uma vez, sugestões para o Prontuário Sonoro, do portal da RTP. Não sei, nem isso agora interessa, se as aceitaram ou não. Convém que aceitem esta: corrijam «uxorcida», que não existe. Se o radical é uxori, que fizeram do i? É uxoricida. A transcrição também está mal, mas é coerente com o primeiro erro: /ukssurssida/. E, por fim, alguém pronuncia a palavra que não existe. Não estiveram envolvidas menos de quatro pessoas — e tudo para tamanho erro. E estão a ensinar os colegas...

[Texto 2356]
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Sobre «iúca»

Com que então, uma árvore...

      Aqui a nossa protagonista está em casa a comer «cold yuca with hot oil». «Iúca», verte o tradutor, e bem. Para o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, porém, iúca é apenas a «árvore da família das Liliáceas (género Yucca), própria das regiões da América, cultivada em Portugal com fins ornamentais». Incompleto, pelo menos. A iúca tanto pode ser um arbusto como uma árvore. A iúca comestível é uma raiz tuberculosa (tadinha... poor thing!), extraída do arbusto, e usada para fazer pão e tapioca. Os dicionários têm muito por onde melhorar e nós estamos cá para ajudar.
[Texto 2299]
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Tradução: «cocoa pañyol»

Ou não?

      A rapariga, nascida em Trindade, era «cocoa pañyol». Está bem, mas podemos saber o que significa em português? O conceito em inglês: «someone of mixed race». Ah, mestiço, então.
[Texto 2298]
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Tradução: «pussy»

Coño

      «And I have to touch her pussy...» «E eu levo-lhe a mão ao chocho...» Nunca tinha ouvido ou lido tal. Em português, digo, porque isto é vulgarismo espanhol: cona, rata. Vá lá perceber-se o que leva a estas opções descabeladas...
[Texto 2297]
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Sobre «livre-arbítrio»

Qual a vossa preferida?

      Há algum problema com o livre-arbítrio? Talvez haja dois: não é raro vê-lo escrito — mesmo por professores universitários, tradutores, escritores — sem hífen. O outro problema é o da definição. Para o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, é o «poder de escolher ou não escolher um acto ou uma atitude, quando não se tem razão para se inclinar mais para um lado do que para o outro». Para o Dicionário Houaiss, é a «possibilidade de decidir, escolher em função da própria vontade, isenta de qualquer condicionamento, motivo ou causa determinante». Com mais quatro caracteres, é a minha preferida. E agora leio outra, quase lapidar, com 58 caracteres, de um livro em edição: capacidade de actuar sobre as coisas do mundo por iniciativa própria. Mais breve do que esta, em inglês, do Merriam-Webster: «freedom of humans to make choices that are not determined by prior causes or by divine intervention».
[Texto 2296]
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«Dedo auricular»

Onde se fala da digitoagnosia

      Ao ler, agora mesmo, a palavra «digitoagnosia» (sim, talvez demasiado técnica para estar nos dicionários comuns — mas estão lá outras igualmente técnicas), lembrei-me de outro caso recente de tradução do inglês. Havia uma personagem, e não era pirata, que tinha um diamante... onde? No auricular. Pobre leitor... «Dedo auricular, o mínimo, porque é o que acode aos ouvidos», escreveu Madureira Feijó. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista-o, e remete para «mendinho». Como podia remeter para mínimo, mindinho, minguinho, meiminho...
[Texto 2295]
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«Hiperceratose/hiperqueratose»

Essa muleta

      «Oitenta e cinco por cento dos portugueses sofre de doenças dos pés», disse o jornalista João Tomé de Carvalho na edição de ontem do Bom Dia Portugal. Não falta quem afirme que, nestes casos, é indiferente que o verbo fique no singular ou no plural. Não é assim para mim. Não está tudo no plural? Então, o predicado deve ir para o plural, concordando com o sujeito, que também está no plural. Este foi apenas o intróito para a entrada do podologista Pedro Lopes, que tinha um bordão da linguagem menos ouvido agora: usou, em dois minutos, oito «portantos». (Agora espero que, lá por ser podologista, não me queira pisar os calos...) E, por fim, usou, e bem, a palavra «hiperqueratose». O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora só regista a variante «hiperceratose».
[Texto 2294]
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«Raízes tuberculosas»

Rabanetes e parvoíces

      A ignorância é sempre atrevida. O autor disse que o Homem começou por se alimentar de raízes tuberculosas... «Tuberosas», julgou corrigir a virago abigodada lá ao fundo. Mas tuberculoso é o relativo a tubérculo, que é o cormo engrossado, em regra subterrâneo, com folhas reduzidas e carregadas de reservas nutritivas.

[Texto 2293]
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«Topographical error»

Quase

      «In mentioning the rivers which the missionaries had lately crossed, our author has been guilty of a great topographical error in placing the river Dissennith between the Maw and Traeth Mawr, as also in placing the Arthro between the Traeth Mawr and Traeth Bychan, as a glance at a map will shew» (The Itinerary of Archibishop Baldwin through Wales, Giraldus Cambrensis. Middlesex: The Echo Library, 2007, p. 107).
      Agora imaginem que alguém traduzia topographical error por «gralha topográfica». Que pensaria o pobre leitor sem acesso ao original? Ia acontecendo...

[Texto 2292]
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Léxico: «subsidência»

Nem todos faltam

      «Além do já “habitual culpado” aquecimento global, que faz subir o nível médio do mar, Veneza ainda sofre os efeitos de décadas de bombeamento de águas subterrâneas, que causaram danos significativos à frágil fundação da cidade e deram origem a um fenómeno denominado de subsidência. Este consiste no progressivo afundamento do solo devido à extração de águas subterrâneas. Ou seja, a cidade está cada vez mais “afundada” relativamente ao nível médio do mar» («Ações do homem agravam fortes inundações que alagam toda a cidade de Veneza», Ricardo Simões Ferreira, Diário de Notícias, 2.11.2012, p. 25).
      Está registado no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: «movimento de descida do fundo de uma bacia de sedimentação».
[Texto 2291]
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Ortografia: «coro alto»

Porquê?

      «Voltaram os andaimes ao Mosteiro de Santa Clara-a-Velha por causa do desprendimento de um brasão de pedra de grandes dimensões, que estava desde a década de 40 do século passado no topo do coro-alto» («Engenheiros testam ‘culpa’ do som na queda de brasão», Paula Carmo, Diário de Notícias, 2.11.2012, p. 22).
      Por vezes, vê-se assim, com hífen, mas não vejo razões para isso. Há séculos que se usa coro alto, e é assim que continuarei a escrever.
[Texto 2290]
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Sobre «bufete»

Pode não ser

      «No documento, que estabelece os alimentos a retirar dos bufetes das escolas – que o DN noticiou em setembro (ver caixa) –, a DGS enuncia um conjunto de alimentos e produtos “que contêm glúten”, e que deve ser tido em conta pelas escolas e empresas que confecionam as refeições para os alunos» («DGS previne alergias nas cantinas», P. S. T., Diário de Notícias, 3.11.2012, p. 15).
      Das quatro acepções de «bufete» registadas no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, qual é a do artigo acima? Bem, talvez nenhuma.
[Texto 2289]
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Frades, marifusas

É da crise

      «Alheios a essas questões, logo que surgem as primeiras chuvas de outono centenas de pessoas percorrem as florestas de Trás-os-Montes. Este ano, o “exército de apanhadores” é engrossado por muitos desempregados como Augusto Lopes 45 anos de Poiares (Peso da Régua). “Não há trabalho, temos de sobreviver e sustentar a família, por isso nesta época dedico-me à apanha de cogumelos, mas a maioria é para consumir em casa.” Confrontado com a recente morte de três conterrâneos seus por ingestão de cogumelos venenosos, foi rápido na resposta: “Sei o que apanho: primeiro só apanho ‘frades’ (nome popular da espécie Macrolepiota procera), e já o faço há mais de 20 anos, e aqueles que não conheço nem lhes toco”» («Comércio ilegal de cogumelos gera cinco milhões de euros só no Norte», José António Cardoso, Diário de Notícias, 3.11.2012, p. 20).
      Vírgulas a menos, aspas a mais, parênteses errados... Mas o que me interessa agora: «frade» não é o regionalismo para «cogumelo», como se lê no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, mas apenas o nome comum, regionalismo, sim, da espécie Macrolepiota procera, também conhecida por marifusa.
[Texto 2288]
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Léxico: «embrace»

Um abraço

      Em inglês diz-se curtain cord, eu conhecia-o apenas por cordão, mas o nome em português é embrace (por derivação regressiva de embraçar): «cordão ou faixa com que se prende um reposteiro, cortina de porta ou janela, etc.», conforme se lê no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora.

[Texto 2287]
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Tradução: «twist»

Outro golpe

      Não seria traduzir para francês, mas quase. Twist por «golpe de teatro», decalque escusado do francês coup de théâtre. Parecido, mas inteiramente português, é lance teatral. Dependendo do contexto, lance imprevisto também poderá adequar-se.
[Texto 2286]
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Tradução: «bay window»

Escusadamente

      O tradutor quis que fosse «janela de bojo», mas o que me parece é que é querer inventar o que já foi inventado. Até na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira leio «janela saliente». E já li, algures, traduzido por «janela de ângulo», o que não se me afigura correcto, pois esta é a que, numa esquina, se abre nas duas paredes contíguas, muitas vezes mainelada por uma coluna ou pilar na prumada do cunhal, no que não apresenta qualquer semelhança com a bay window.
[Texto 2285]
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Tradução: «knickerbockers»

Não desta vez

      Então se até o Dicionário Inglês-Português da Porto Editora dá como tradução de knickerbockers «calças à golfe» (que faz anteceder do labéu de «antiquado»...), o tradutor deixa no original? Não pode ser. «E já muda o turno, agora é um rapaz alto, de aspecto amável, calças à golfe, cabelos loiros de caracol à Tintin. O homem sorri-se, lembra-se de Óscar com seis anos ao seu colo, a ouvi-lo ler a história de Les Bijoux de la Castafiore» (Não Te Esqueças de Mim: O Pó das Palavras Mortas, Nuno de Figueiredo. Lisboa: Escritor, 2000, p. 173).
[Texto 2284]
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Tradução: «doily»

Com paninhos

      Fico sempre perplexo quando alguém traduz do inglês — com termos de outra língua que não a portuguesa. Desta vez, a palavra era doily ­— paninho ornamental, segundo o Dicionário Inglês-Português da Porto Editora. O tradutor quis que fosse napperon. Mas até o temos aportuguesado, naperon. E é assim que ele aparece abundantemente na obra de António Lobo Antunes, talvez o autor que mais a usa.

[Texto 2283]
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«Golpe de magia/passe de magia»

Não vá o Diabo tecê-las

      «Como explicar, senão por um golpe de magia, esse estranho fenómeno colectivo que varreu rotinas, sacudiu torpores, quebrou tabus e nos levou, como que tocados pela graça, ao autoconvencimento de que íamos fazer História?» (Arte de Marear, Manuel Alegre. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2002, 2.ª ed., p. 116).
      Isto não cheira logo, mesmo ao longe, a galicismo? Ora golpe, coup... Prefiro «passe de magia»: «Por um verdadeiro passe de magia, o autor, desprezando a coerência da unidade espacial, faz coincidir a localização dos dois centros de acção» (Vida e Obra de Raul Brandão, Guilherme Castilho. Lisboa: INCM, 2006, p. 278). Claro que, se o autor, ou alguém por ele, decide que «golpe de magia» (e, para maior francesia, «golpe de mágica» ainda era melhor: coup de magique) é que é, nada podemos fazer.

[Texto 2282]
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Léxico: «lamieiro»

Isto não tem fim

      O que o homem disse, e a mulher repetiu, é que ano sim, ano não corta os lamieiros lá no terreno e os usa como estacas para o feijão. Que são plantas altas, fortes, com folha viçosa semelhante à da laranjeira. Alguém conhece o termo nesta acepção? Para todos os dicionários e enciclopédias que consultei, é apenas outro nome para o pisco-azul. Será regionalismo?
[Texto 2281]
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Léxico: «biotítico»

Mas devia

      «No Geoparque Arouca é possível assistir a um fenómeno que, até hoje, é considerado único no mundo. Junto à aldeia da Castanheira, num afloramento de granito com cerca de um quilómetro de extensão, discos de pedra (chamam-se nódulos biotíticos) soltam-se de rochas de granito, como se delas nascessem. São as pedras parideiras» («Pedras parideiras ganham ‘maternidade’», Helder Robalo, Diário de Notícias, 3.11.2012, p. 27).
      O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora também não regista este adjectivo: relativo à biotita (ou biotite) ou que contém este mineral.
[Texto 2280]
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Léxico: «canhotismo»

Sinistro

      Sim, «paladar» também tem essa acepção de parte superior da cavidade bucal. Veja-se o Salmo 137: «Pegue-se-me a língua ao paladar,/ se eu não me lembrar de ti,/ se não fizer de Jerusalém/ a minha suprema alegria!» É também este salmo que se refere, ao que parece, ao canhotismo — mas esperem: o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora não regista «canhotismo». Se até regista «mancinismo» e «sinistrismo»...
[Texto 2279]
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Léxico: «hostal»

Boa alternativa

      «Na Baixa de Lisboa, o Lisbon Story Guesthouse recebe hóspedes de todo o mundo. Mas estes, para além das suas histórias, deixam solidariedade para os sem-abrigo da cidade. A ideia, inédita, partiu de Bruno Ferreira, o seu proprietário e gerente, que dia após dia, via os sem-abrigo nas imediações do seu hostal» («Hóspedes entregam pão e roupa para sem-abrigo», Joaquim Cardoso e Marina Almeida, Diário de Notícias, 1.11.2012, p. 16).
      Ora muito bem: em vez de um termo estrangeiro, um termo português antigo. Curiosamente, o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que regista «estau», não acolhe nem «hostal» nem «hostau».
[Texto 2278]
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Léxico: «fashionista»

Nunca a tinha encontrado

      «E como dizem as fashionistas, a história da Cinderela é a prova de que um par de sapatos nos pode mudar a vida» («Bela sedutora com novo visual», Eunice Gaspar, Nova Gente, n.º 1885, p. 5).

[Texto 2277]
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Léxico: «congeneridade»

Mas existe

      E a propósito de «congénere». Sabiam que os dicionários registam o vocábulo «congeneridade»? Nunca a viram antes? Ei-la: «Uma escolha paradoxal, pois Salazar não nega só a congeneridade dos regimes estadonovista e mussoliniano, mas faz todo um rol de afirmações as quais, no seu conjunto, não abonam em absoluto o fascismo italiano» (Portugal e Itália: Relações Diplomáticas (1943-1974), Vera de Matos. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2010, p. 16). De «estado-novista» falámos aqui.

[Texto 2276]
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Sobre «aspirina»

Uma dor de cabeça

      «Os doentes de cancro colorretal que são portadores de uma mutação específica num gene chamado PIK3CA podem sobreviver mais tempo quando tomam também uma simples Aspirina. Essa é, pelo menos, a conclusão de um estudo de médicos e investigadores norte-americanos, que foi publicada ontem na revista New England Journal of Medicine» («‘Aspirina’ prolonga a vida em certos cancros colorretais», Diário de Notícias, 26.10.2012, p. 27).
      Será necessário o itálico e a maiúscula inicial? É marca? Mas também é a designação comercial do ácido acetilsalicílico.
[Texto 2275]
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Léxico: «cicloviajante»

Conhecíamos «cicloturista»

      «[Eric Feng] Dormiu em pousadas e casas de pessoas inscritas numa rede de apoio a cicloviajantes, como aconteceu na sua última noite, em Almada, onde um grupo de ciclistas conseguiu organizar um final à medida do seu desafio. Regressou ontem à China, sem direito a fotografias ou diretos na televisão. Mas diz que gostou de Portugal» («A jornada épica de um ciclista a quem roubaram a bicicleta», André Rito, Diário de Notícias, 26.10.2012, p. 19).
[Texto 2274]
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«Custoias/Custóias»

Nada de constante

      «A Polícia Judiciária informou, ontem, a [sic] detenção de uma mulher de 30 anos, por tráfico de estupefacientes, no Estabelecimento Prisional do Porto (Custoias). Segundo a PJ, a arguida terá conseguido introduzir cerca de 66 gramas de haxixe no estabelecimento prisional, que entregou a um recluso, seu familiar» («Mulher traficava droga na prisão», Diário de Notícias, 11.10.2012, p. 19).
      «Um diretor de uma cadeia central como é o Estabelecimento Prisional de Lisboa ou Custóias, no Porto aufere cerca de 2700 euros líquidos, compreendendo já suplementos. Inclui subsídio de renda de casa, subsídios de risco e de representação e ainda carro do Estado» («Guardas prisionais já podem ser directores de cadeias», Rute Coelho, Diário de Notícias, 29.10.2012, p. 20).
      São mais de vinte os topónimos portugueses que sofreram alterações com o Acordo Ortográfico de 1990. Infelizmente, os jornalistas só quando calha é que se lembram.
[Texto 2273]
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«Publisher», de novo

Mais claro

      «Para publisher da mesma publicação – o cargo que faz a ligação entre a direção do título e a administração da empresa –, a comissão executiva do grupo Impresa decidiu nomear Júlia Pinheiro, que manterá também as suas atuais funções de diretora de Gestão e de Desenvolvimento de Conteúdos da SIC. Sofia Carvalho e Júlia Pinheiro substituem, desta forma, Clara Marques, anterior publisher e diretora da Activa» («Sofia Carvalho e Júlia Pinheiro na ‘Activa’», Diário de Notícias, 30.10.2012, p. 51).
      Já vimos por duas vezes (aqui e aqui) esta questão. Hoje ficamos com mais elementos para avaliar a necessidade do termo inglês.
[Texto 2272]
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«In corpore»

Tão cultos...

      «Um homem de 39 anos foi detido de Lisboa com 3400 gramas de cocaína no interior do organismo. “Esta foi a maior apreensão de cocaína transportada in corpore por um único indivíduo alguma vez detetada pelas autoridades em território português”, explicou a Polícia Judiciária (PJ) em comunicado» («Traficante que engoliu 3,4 quilos de droga bate recorde», Luís Fontes, Diário de Notícias, 30.10.2012, p. 21).
[Texto 2271]
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«Regras da competitividade»!

Não tem limite

      «Este negócio surgiu com o objetivo de liderar no mercado e fazer frente a Amazon, Google e Apple, que nos últimos anos têm conquistado o mercado editorial, principalmente nos livros e leitores digitais. Ainda assim, alguns analistas já colocaram em causa esta fusão, questionando se se estão a respeitar as regras da competitividade» («Editoras anunciam fusão», Diário de Notícias, 30.10.2012, p. 49).
      Sobre «colocar em causa» está, ao que me parece, tudo dito. Resta-nos esperar que lhes passe. Nunca tinha ouvido falar dessas «regras da competitividade»...
[Texto 2270]
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