Pronúncia: «chanceler»

Mas que raio...


      Então, lá vou ter de dizer isto mais uma vez: o que se passa para que muitos dos nossos jornalistas não saibam pronunciar correctamente a palavra «chanceler»? A última vez que sofreu uma sonora silabada foi pela boca da jornalista Sandra Sousa, no Jornal 2, da RTP2, na segunda-feira da semana passada. Mas qual é a dificuldade? E não ouvem os outros falantes?

[Texto 22 338]

Acordo Ortográfico

Tu és Pedro, e sobre esta pedra

      Há minutos, Pedro Rolo Duarte, no programa Hotel Babilónia, da Antena 1, usou a palavra «estupefacção». E pronunciou — coisa que eu nunca tinha ouvido em dias da minha vida — sonoramente o primeiro c: estupefaCção. Estupefacto fiquei eu. Bem, sendo assim, não está capaz de aplicar as regras do Acordo Ortográfico. Agora leia-se esta afirmação do consultor D’Silvas Filho no Ciberdúvidas: «Os cientistas que estudaram o novo AO resolveram uniformizar foneticamente as sequências consonânticas. Assim, consegue-se mais facilmente saber se a consoante se escreve ou não: cai se for muda na pronúncia. Por exemplo, em Portugal, deve escrever-se estupefacto porque o c se pronuncia, mas estupefação porque nesta palavra já não se pronuncia o c.» (A primeira frase é um tudo-nada esotérica, acho eu, e não é tanto pelos «cientistas».)
[Texto 489]

Pronúncia: «euro»

Mais um

      Está agora a ser emitido, na Antena 1, o programa Visão Global, que tem como comentador permanente o ex-embaixador José Cutileiro. A moeda da União Europeia foi já referida mais de uma vez. Ora, José Cutileiro pronuncia a vogal da sílaba átona de «euro» como u. Eu tinha escrito, há uns tempos, que a jornalista Isabel Gaspar Dias, da Antena 1, devia ser dos poucos portugueses que pronunciam a palavra «euro» com o a soar, dada a posição de átona final, como u (à semelhança de qualquer palavra grave, como «cinco», «lado»...).

[Texto 181]

«Estereótipo» e «inêxito»

O interesse dos debates

      Maria Flor Pedroso acaba de usar, na Antena 1, a palavra «estereótipo», mas deslocou a tónica para a sílaba -ti-, e logo, talvez também escreva «estereotipo». Não demorará muito e todos os dicionários registarão, sem indicação de forma preferencial, as duas variantes.
      Estes debates das legislativas são também uma fonte de interesse linguístico. Ontem, Bagão Félix falava em «êxitos e inêxitos». «Inêxito» não é nada de novo, mas ouve-se muito poucas vezes. Poderá ter-nos chegado do Brasil na década de 1950. «Ser ou não ser, perseguindo com irremediável inêxito um critério de opção sem que, mau grado o inêxito, se possa desistir — é trágico: Antero» (Fernando Pessoa, Poeta da Hora Absurda, Mário Sacramento. Porto: Editorial Inova, 1970, p. 193).
[Texto 100]

Pronúncia

Ainda ganha um prémio

      É quase inacreditável, eu sei, mas basta ouvir: na emissão de ontem do programa Histórias Assim Mesmo (Antena 1, 8.04.2011), dedicado à lenda das maias de Portalegre, Mafalda Lopes da Costa, das seis vezes que disse a palavra «Portalegre», quatro soaram «Porto Alegre». (Ainda se se tratasse de Estremoz...) A determinada altura, disse também que o rei Lísias foi ver da filha, Amaia, «e só encontrou o corpo».

[Post 4717]

«Sede de poder»

Corta!

      «Em geral», escreveu aqui uma vez Montexto, «na fala só a repetição torna a irregularidade ou o deslize realmente censurável.» Estamos de acordo. Nada disso, porém, se aplica ao programa Lugares Comuns (Mafalda Lopes da Costa, Antena 1, 18.04.2011), cujo guião é escrito antecipadamente e pode ser revisto e, ao que julgo, não sendo em directo, pode ser regravado. A emissão de hoje era sobre a expressão «jovem turco». Mafalda Lopes da Costa explicava então que é aquele que tem «sède de poder». Assim mesmo, /sède/local onde funciona um tribunal, uma administração ou um governo, local onde uma instituição tem a sua direcção ou administração... Não, não, não, cara Mafalda Lopes da Costa: /sêde/, desejo vivo, ardente, imoderado — de poder, de cultura, de vingança...

[Post 4700]

Pronúncia. Dissimilação

Afinal, é de mau gosto

      Comecemos por dizer, com Vasco Botelho de Amaral, que as disputas à volta da pronúncia são insensatas. E façamos como ele: falemos, mais uma vez, de pronúncia. No último Câmara Clara, com o tema «Gainsbourg e os outros franceses», uma das obras referidas foi Príncipes de Portugal, Suas Grandezas e Misérias, de Aquilino Ribeiro. Paula Moura Pinheiro, no que pode ter sido lapso, mas isso não interessa, pronunciou a palavra «príncipes» sem dissimilação. A pronúncia normal, como se sabe, é com dissimilação, tal como se faz com os vocábulos «vizinho», «ministro» e outros. Só refiro o caso porque ainda na semana que passou uma professora de Português me confessava que nunca tinha compreendido porque se havia de pronunciar dessa forma. Vou revelar-lhe um segredo, cara M.: não tem de pronunciar dessa forma. «Não quere isto dizer que os que pertençam a regiões, onde fique natural a manutenção dos ii, sejam obrigados à dissimilação. Apenas o que me parece especioso é, sob color de gôsto de sonoridade, cair-se no mau gôsto de ajanotar a fala quotidiana» (Meditações Críticas sobre a Língua Portuguesa, Vasco Botelho de Amaral. Lisboa: Edições Gama, 1945, p. 266).

[Post 4533]

«Herculano», pronúncia

Repita lá

      No programa Páginas de Português desta semana, que acabei de ouvir, alguém (um actor, decerto) leu a carta premiada do mês, na rubrica «Uma Carta É Uma Alegria da Terra». O texto referia Alexandre Herculano. «Olha o Hérculano...», ouviu-se. Leiam e digam-lhe, por caridade.

[Post 4532]


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