Pronúncia. Dissimilação

Afinal, é de mau gosto

      Comecemos por dizer, com Vasco Botelho de Amaral, que as disputas à volta da pronúncia são insensatas. E façamos como ele: falemos, mais uma vez, de pronúncia. No último Câmara Clara, com o tema «Gainsbourg e os outros franceses», uma das obras referidas foi Príncipes de Portugal, Suas Grandezas e Misérias, de Aquilino Ribeiro. Paula Moura Pinheiro, no que pode ter sido lapso, mas isso não interessa, pronunciou a palavra «príncipes» sem dissimilação. A pronúncia normal, como se sabe, é com dissimilação, tal como se faz com os vocábulos «vizinho», «ministro» e outros. Só refiro o caso porque ainda na semana que passou uma professora de Português me confessava que nunca tinha compreendido porque se havia de pronunciar dessa forma. Vou revelar-lhe um segredo, cara M.: não tem de pronunciar dessa forma. «Não quere isto dizer que os que pertençam a regiões, onde fique natural a manutenção dos ii, sejam obrigados à dissimilação. Apenas o que me parece especioso é, sob color de gôsto de sonoridade, cair-se no mau gôsto de ajanotar a fala quotidiana» (Meditações Críticas sobre a Língua Portuguesa, Vasco Botelho de Amaral. Lisboa: Edições Gama, 1945, p. 266).

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1 comentário:

Anónimo disse...

«Procurar preservar a sonoridade possível, num idioma que vai perdendo cor», devia ser quase um imperativo nacional.
Quanto a «ministro», «vizinho», «Filipe» e que tais, sempre me ensinaram que estas vozes normalmente se pronunciam «menistro», «vezinho», «Felipe» (não se chegou a grafar «Felipe», como ainda agora em Espanha?). Também esta, para mim, é questão resolvida, que não tenciono repisar.
— Montexto

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