Nomenclatura científica

Agora também em Angola

      «Em latim, o seu nome científico quer dizer Titã de Angola, a que se juntou o apelido Adamastor, numa referência à figura mitológica de Os Lusíadas, que representava os perigos que os portugueses enfrentaram nas viagens de descoberta pela costa africana. O Angolatitan adamastor, o primeiro dinossauro encontrado em Angola, e até agora único, é hoje descrito numa revista científica brasileira como sendo de um género e uma espécie novos para a ciência» («Primeiro dinossauro de Angola recebe o apelido Adamastor», Teresa Firmino, Público, 16.03.2011, p. 14).
      Em latim, e do mais lídimo e pulcro, senhora jornalista. A nomenclatura científica lá está a entrar na compreensão de todos, depois de tantas cincadas e tantas críticas.

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4 comentários:

Venâncio disse...

Por ordem cronológica:

«mas vesivelmente gostam os olhos d'aquelle spectaculo como sendo verdadeiro» (Francisco de Holanda, A pintura antiga).

«e como os gentios tinhão odio aos christãos, disse-lhe o amo que, como sendo elle gentio ella era christã, que tornasse logo atraz» (Luís Fróis, Historia de Japam).

«Pois, como sendo tao avantajado poeta, o não tendes visto?» (Francisco Manuel de Melo, Apólogos dialogais).

«D. Paula tornou aos seus bailes de outro tempo, às suas eternas valsas que faziam pasmar a toda a gente, às mazurcas, que ela metia à cara das sobrinha como sendo a mais graciosa cousa do mundo» (Machado de Assis, Dona Paula).

«E logo uma idéia sulcou-me o espírito, com um brilho de visitação celeste.. Levar à Titi um desses galhos, o mais penugento, o mais espinhoso, como sendo a relíquia fecunda em milagres (Eça de Queirós, A relíquia).

Mais clássicos ainda, Montexto? Ou que tal curar-se duma certa hipocondria gaulesa?

Anónimo disse...

1
Caro Kupo, queira dizer-me por gentileza com que concorda, e o que não deixa de perceber, e evita. Peço desculpa, mas não percebi.

2
Caro Venâncio, eu já disse que tenho forcejado por atingir a ataraxia, vou avançando, mas de vez em quando acontece-me alguma que me faz boquiabrir, como agora, e regrido.
Primeiro: pelo visto ainda não reparou, mas eu não tenho nenhuma hipocondria gaulesa (nem espanhola, nem britânica, nem germânica, nem escandinava, nem eslava, nem nipónica, nem chinesa, etc.): leio e tenho de ler até mais em francês do que em português. A «hipocondria» que eu tenha é aos que não escrevem a sua própria língua segundo a índole, o vocabulário e a gramática dessa língua, e a mareiam escusadamente. Segundo: o «sendo» no «como sendo» francesado (de «comme étant»), é uma coisa, e o «como sendo» português lídimo é outra. — O primeiro pode suprimir-se, como suprimia quem conhece ou conhecia a sua língua, pois não faz falta nenhuma: suprima o dos exemplos de Machado e Eça, e as frases só ficam a ganhar. Esse é o giro afrancesado, já exprobrado por Botelho de Amaral no seu dicionário de dificuldades, e não será por acaso que surge em autores do final do séc. XIX. — O segundo não se pode suprimir, só substituir por outra forma do verbo, querendo. Estão neste caso todos os outros passos que citou, de antes do séc. XIX, e até de antes do séc. XVIII, e verdadeiramente exemplares e clássicos.
Mas quando o meu caro Venâncio se deixa encandear com estes cambiantes, suposto que um nadinha acatassolados, eu só digo, como outrora o bom Sá, «perigoso imigo corre, se Deus nos não vale aqui».
— Montexto

Anónimo disse...

Concordo com o seu primeiro comento, que era o único visível aqui quando escrevi o meu. Concordo com a desnecessidade de "como sendo" em construções daquelas. E evito o seu uso.

Anónimo disse...

Caro Paulo, se ainda não está esclarecido, eu desisto. Como dizia o outro, nem mais um soldado para o Ultramar.
— Mont.

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