«Polaroid»/polaróide

Muito bem, muito mal

      Ora digam-me o que pensam deste par polaróide/Polaroids. «Era uma fotografia polaróide que continha o padrão da projecção do sangue e que me levou a considerar que o arguido estaria a mentir. Há pessoas que perguntam por que razão ainda se usam as Polaroids
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Tradução

Pequenos nadas

      «São raros os exemplos deste fenómeno regressivo, diz o geneticista Steve Jones, da [sic] Colégio Universitário de Londres. “A redução da fecundidade não está ainda bem demonstrada. O outro exemplo que me ocorre é o da ovelha Soay (espécie na Escócia que está a encolher). Os machos lutam furiosamente pelas fêmeas, mas após algumas semanas, os sexualmente mais activos ficam sem esperma”» («Mórmons poligâmicos tiveram menos filhos», Rita Carvalho, Diário de Notícias, 28.02.2011, p. 28).
      Se pode ter designação em português, que se traduza. Nove em cada dez vezes, lê-se University College London (UCL). Mas eis que, de vez em quando, um jornalista (ou um tradutor) tem um vislumbre. Colégio Universitário de Londres, pois claro.

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Léxico: «genrear»

É uma espécie de parasita

      «Horas depois, em Londres, Kate acompanhou o noivo e o futuro genro, o príncipe Harry, na visita à Embaixada da Nova Zelândia, onde assinaram o livro de condolências em memória das vítimas do terramoto que assolou aquele país» («Kate Middleton já é a nova princesa do povo», Raquel Costa, Diário de Notícias, 28.02.2011, p. 49).
      A realeza sempre teve relações estranhas, mas aqui é um manifesto exagero... Foi um lapso, é claro: no meio de tantos in-laws, a jornalista atrapalhou-se. Oportunidade para dar a conhecer um verbo que só os Brasileiros usam: genrear — ser financeiramente dependente do(s) sogro(s). Ao indivíduo nestas circunstâncias dá-se o nome de genreador.
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Aposentado/reformado/jubilado

É uma alegria

      Em conversa ontem com um amigo, professor recém-aposentado, surgiu a questão da etimologia da palavra e, era inevitável, a destrinça entre reformado, aposentado e jubilado. Se reformado é o que voltou à primeira forma, ao primeiro estado, está aqui uma grande mentira, pois nunca se volta ao primitivo estado. Mas reformado também significa desfigurado, o que já se aproxima da verdade, sobretudo ao fim de 36 anos de trabalho. Quanto a jubilado, a injustiça é óbvia: só os professores universitários e os juízes se jubilam. Jubilar(-se) é encher-se de júbilo, de intensa alegria ou contentamento, e nem todos têm motivos para isso. (No Brasil, também os estudantes universitários são jubilados, mas não me parece que fiquem cheios de júbilo...)
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Anglicismos

E cá?

      Na crónica de hoje de Ferreira Fernandes no Diário de Notícias, ficámos a saber que os Franceses foram aconselhados a referir o iPad e aparelhos semelhantes como «ardoise». 
      «O londrino The Times fez ontem um artigo à volta de uma fotomontagem. Descrevo-a: numa sala de aula, garotos de há meio século mostram as suas ardósias (para os leitores mais novos: uma pedra preta onde se escrevia com giz — escrevia-se e apagava-se, hoje chamar-se-ia um objecto sustentável). Mas há uma menina que em vez da lousa segura algo parecido: um iPad. A fotomontagem ilustrava este assunto: a Comissão de Terminologia e Neologismos [Commission générale de terminologie et de néologie], polícia francesa da língua, proíbe que os dez milhões de funcionários franceses chamem “iPad” àquela magia plana e fina, um computador do tamanho de uma ardósia, que permite navegar na Internet, ler livros e jornais (esta semana, o DN aderiu a essa maravilha). E o que propõe a tal comissão como nome para combater o termo anglófono? “Ardoise”, ardósia. Não está mal lembrado. Primeiro, pela certeira evocação antiga. Segundo, porque sugere um sentimento de gratidão para com a Apple (“ardoise”, em francês, também quer dizer dívida). Terceiro, porque a Apple chegou a pensar chamar iSlate ao seu invento (“slate”, em inglês é ardósia). E, sobretudo, quarto, porque nenhuma língua deve deixar-se apagar. Para o que americanos chamam IT (Information Technology) os franceses inventaram a palavra “informatique” e conseguiram exportá-la: nós (e os americanos!) adoptámo-la. Às vezes, um pouco de teimosia vence batalhas dadas por perdidas» («O regresso da ardósia perdida», Ferreira Fernandes, Diário de Notícias, 27.02.2011, p. 68).
      Cá ninguém quer saber: não temos nenhuma entidade encarregada de velar pela língua e a apregoada defesa da língua são só palavras.
      (Na semana passada, vi uma tradução do inglês em que se tinha usado o vocábulo «pedra» para traduzir «slate», e, de facto, pedra também é lousa escolar, ardósia, mas é ambíguo.)
[Post 4498]

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«Reconstruir/reconstituir»

Crime

      «O Ministério Público (MP) dá por encerrado o inquérito ao desaparecimento do menor no despacho de 11 de Fevereiro. O advogado da família de Rui Pedro, Ricardo Sá Fernandes, disse ontem que para esta acusação contribuiu o trabalho de uma nova equipa da Polícia Judiciária (PJ) do Porto que “conseguiu reconstruir o que se passou nas 24 horas consequentes ao desaparecimento de Rui Pedro”» («Amigo acusado de rapto de Rui Pedro 13 anos depois», Carlos Rodrigues Lima e Rute Coelho, Diário de Notícias, 27.02.2011, p. 2).
      Uma das acepções de reconstruir é «reconstituir», mas o certo é que habitualmente se diz «reconstituir um crime», «reconstituição de crime». E a falta de propriedade com que o adjectivo «consequente» foi usado é evidente. Tanto quanto vejo, consequente apenas significa que se deduz, que segue naturalmente, que vem por consequência (omito as restantes acepções, de nenhum interesse para o caso em apreço). Tire lá o com (con-, aqui): sequente, que (se) segue, que vem ou acontece logo depois; seguinte.
[Post 4497]

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«Confucianismo/confucionismo»

Quase não há escolha

      «O confucianismo não é tanto uma religião no sentido ocidental da palavra como sobretudo uma moral, baseada no equilíbrio cósmico e procurando a integração social» («As religiões místicas», Anselmo Borges, Diário de Notícias, 26.02.2011, p. 70).
      Talvez não haja dicionário que não registe as duas variantes: confucianismo e confucionismo (não confundir com confusionismo, mal endémico diagnosticado por mim e por Montexto), e ambas são usadas, talvez com a mesma frequência. No verbete desta última, o Dicionário Houaiss regista que é forma não preferível da primeira.

[Post 4496]
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E/mas

Conjunções infelizes

      «Kilbourne, nascido a 10 de Julho de 1920 nos EUA, reformou-se com 80 anos, mas dedicou grande parte da vida profissional a estudar as doenças infecciosas» («Uma vida a desenvolver novas vacinas contra a gripe», H. R., Diário de Notícias, 26.02.2011, p. 57).
      O e pode ter valor adversativo; o mas nunca indica conexão ou adição.

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Linguagem

Contra-ataque

      Ontem decidi perder tempo a ver a primeira emissão do novo programa de Nicolau Breyner, Nico à Noite. Parecia uma imitação bera do pior Herman José. A displicência e a galhofa com que entrevistou Eurico Cebolo, um ex-professor de Música, chegou a indignar-me. Bem, mas não sou crítico de televisão. 
      O sidekick do programa também não surpreendeu: não deu uma para a caixa. Em Julho volto a ver televisão.
      No Contra-Análise, na RTPN, a propósito de escutas ilegais, disse Correia de Campos: «Tal como é lamentável [sic] as transcrições por escrito de telegramas que são feitas no Wikileaks.» Haverá transcrições orais?
[Post 4494]
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Ortografia: «braço-direito»

Taras

      «E o que levou a tanta revolta? O Governo acabava de anunciar que daqui a dias a velocidade máxima nas auto-estradas espanholas passará de 120 km/h para 110. Julgando que só o dinheiro motivaria os cidadãos, o ministro Pérez Rubalcaba (o braço direito de Zapatero) adiantou a poupança a que levaria a diminuição da velocidade: menos 18 milhões de barris de petróleo importados por ano» («“Não mexam nos meus pedais!”», Ferreira Fernandes, Diário de Notícias, 26.02.2011, p. 72).
      Há quem dê nome a partes do corpo (normalmente os homens em relação ao seu membro viril). Neste caso, é Zapatero que ao seu braço direito chama ministro Pérez Rubalcaba. Taras... Já vimos esta questão mais de uma vez: aqui, aqui e aqui.
      Também tenho dúvidas sobre a localização de um gerúndio na crónica de Ferreira Fernandes: «Mas isso sendo despesas públicas, e pouco interessando, logo ele passou para as vantagens pessoais de cada condutor: poupança de 11% no consumo de gasóleo e de 15% de gasolina (parece que a máxima eficiência energética dos automóveis é à volta dos 90 km/h, a partir daí havendo cada vez maior desperdício)» (Idem, ibidem). Não seria melhor escrever «havendo a partir daí cada vez maior desperdício»?

[Post 4493]

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«Esplanada/terraço»

Era assim

      «John Galliano foi detido pelas autoridades francesas na sequência de um incidente ocorrido no bairro judaico de Marais, situado em Paris. Várias testemunhas presenciaram o momento em que o famoso criador da Casa Dior se dirigiu a um casal, que se encontrava no terraço de um café parisiense, com expressões racistas e anti-semitas» («Dior suspende Galliano por comentários racistas», Márcia Gurgel, Diário de Notícias, 26.02.2011, p. 69).
      Não sei quando se passou a designar por «esplanada» o que a jornalista chama «terraço», mas nas primeiras décadas do século XX era esta última a única que se usava. Seja como for, vêm ambas, directa ou indirectamente, do francês, mas «esplanada» não traz nenhuma ambiguidade. A jornalista usou o vocábulo pela mais óbvia das razões: a imprensa de língua inglesa que refere o incidente usou a palavra «terrace». Um mero exemplo, no Guardian: «The flamboyant designer, who is head of the French couture house Dior, was arrested in the Marais district after allegedly verbally accosting a couple sitting on a cafe terrace.» Já temos sorte que não tenha escrito «estilista flamboiã»…

[Post 4492]


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Como se fala na rádio

Leva um R.

      José Guerreiro, no noticiário das 7 da tarde na Antena 1: «António Mouzinho, o presidente... ahn... o líder da ANTRAM entrevistado pelo jornalista Miguel Videira.» Como é que se pode «corrigir» de «presidente» para «líder»? Já aqui vimos este modismo idiota.

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Como se escreve nos jornais

Atirou mal

      Estão a ver ali o «prime-time» hifenizado no texto de Fernanda Câncio? Muito bem. Agora vejam este excerto de outro artigo: «O presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia foi, de resto, o primeiro dos três convidados a entrar em estúdio. “Já era justo que o Nico tivesse um talk show em prime time na televisão portuguesa”, disse o autarca» («Nicolau Breyner regressa ao ‘prime time’ entre políticos», Ana Filipe Silveira, Diário de Notícias, 25.02.2011, p. 9). E agora leiam o que se recomenda no Livro de Estilo do The Times: «Prime time noun, primetime adjective.» Vai sendo mais necessário saber inglês do que português... Neste último artigo, temos prime time, talk show, stand up comedy, sketches e esta aberração: «Também Nuno Eiró está de regresso, após ano e meio afastado do pequeno ecrã. “Sou o sidekick do programa. Estou no exterior, tenho intervenções em estúdio... É um regresso com muito prazer porque é com o Nico”, atirou» («Nicolau Breyner regressa ao ‘prime time’ entre políticos», Ana Filipe Silveira, Diário de Notícias, 25.02.2011, p. 58).
[Post 4490]
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Como se escreve nos jornais

Mettre en poche

      «Não é à China, nem à Rússia, nem à Venezuela, nem ao Brasil; nem tanto, sequer, aos países da zona. É aos que historicamente culpam por todos os seus males e que forjaram cumplicidades com todos os ditadores em causa — mesmo os que, como Kadhafi, mandaram abater aviões civis europeus — em troca de petróleo, contenção da imigração e investimentos bilaterais, os que empocham sorridentes o dinheiro das oligarquias e fecham os olhos a todas as violações de direitos humanos que não apareçam em prime-time (só agora é que a Suíça percebeu que Mubarak e Kadhafi são facínoras, para decidir congelar-lhes as continhas?) que os líbios e os bahreinianos pedem apoio: a velha Europa e a velha América» («24.02.2011», Fernanda Câncio, Diário de Notícias, 25.02.2011, p. 9).
      No Diário de Notícias, não há jornalista tão propenso ao barbarismo. Experimente, Fernanda Câncio, perguntar aí aos seus colegas se sabem o que significa «empochar». Não sei se há algum dicionário da língua portuguesa que acolha o verbo, tirante José Pedro Machado no Grande Dicionário da Língua Portuguesa (Lisboa: Amigos do Livro Editores, 1981, p. 375), que condena o seu uso: «Empochar, v. tr. Galicismo de uso condenável, pois só há vantagem em o substituir por embolsar.» «O empochar, por embolsar, já se vai vulgarizando, e não tardará que digamos poche em vez de bôlsa» (Paladinos da Linguagem, Agostinho de Campos. Lisboa: Livrarias Aillaud e Bertrand, 1922, p. 237). «Empochar. É galicismo inaceitável por embolsar» (Dicionário de Dificuldades da Língua Portuguesa, Vasco Botelho de Amaral. Lisboa: Editora Educação Nacional, p. 178).
      Para juntar o pior de outros e deste tempo, a jornalista também achou imprescindível o anglicismo prime-time. Tem receio de, se não escrever desta forma, não ser entendida...

[Post 4489]

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Acordo Ortográfico

Ensandeceram

      Relativo a matéria? Matérico. Inopcidade (?). Linguagem de filósofo, mas não é disto que quero falar. No laboratório, vejo que alguns escrevem (e não são professores de Física disléxicos) «fição», outros escrevem (e não são cegos) «diotrias». É o novo acordo ortográfico e são professores que assim escrevem. Pês e cês é tudo para deitar abaixo a esmo e a eito. Vamos a ver se o que sobra é legível.

[Post 4488]

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«Medicamento órfão»

Próximo!

      Paula Brito e Costa, da associação Raríssimas, no noticiário das 9 da manhã da Antena 1: «E depois não vão querer que a Paula Costa diga que os doentes estão a morrer. Estão a morrer! E, neste momento, dois doentes do São João estão muito prestes a morrer porque não têm acesso ao medicamento órfão.»
      Os jornalistas, tanto quanto ouvi, não explicaram o conceito, novo para mim, de «medicamento órfão». (Não são apenas alguns gestores hospitalares, como disse António Arnaut, que deveriam estar em fábricas de sabonetes...) Cheirou-me logo a bifecamone, como diria Montexto, mascarado de português. E é: vem de orphan drugs. São produtos médicos destinados à prevenção, diagnóstico ou tratamento de doenças raras muito graves ou que constituem um risco para a vida.

[Post 4487]

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«Guichet/guichê/guiché»

Senha 27

      «Seriam umas dez horas quando estranhei a ausência de acção. “Mas este processo não é aqui!”, respondeu-me a menina do guichet, abanando a cabeça enquanto me apontava no papel: era na 2.ª Secção do 3.º Juízo e não a [sic] 3.ª Secção do 2.º Juízo» («A cafrealização de Vara e outras histórias», Jorge Fiel, Diário de Notícias, 24.02.2011, p. 7).
      Eu pensava que no Diário de Notícias se escrevia «guiché» (ou, cá está a dupla grafia, «guichê»). Isto para quem não quer usar um vocábulo bem português, como postigo ou portinhola. (Para certos falantes — no Alentejo? —, «portinhola» é sobretudo a braguilha.) No século XIX, abundavam na literatura as portinholas — das carruagens.

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«Prof/profe», de novo

Não custa nada

      «Os dez passos dos profs para o bloqueio» (Ana Bela Ferreira, Diário de Notícias, 24.02.2011, p. 2).
      Cá está: se se grafar profe no singular, o que é mais conforme à língua portuguesa, teremos um plural regular: profes. Tentem.
                                                          
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«Taser/taser», de novo

Vacilações

      Na página 19, feminino: «As Taser passaram a ser utilizadas nas prisões portuguesas na sequência de um incidente no EP de Pinheiro da Cruz, em Novembro de 2006» («Motim levou prisões a usar ‘Tasers’», Luís Fontes, Diário de Notícias, 24.02.2011, p. 19). Na página 60, masculino: «No princípio deste mês, o Presidente Sarkozy, em visita a uma esquadra em Orleães, foi apresentado a um taser: “Experimentou-o em si próprio?”, perguntou ao polícia. Este respondeu: “É a regra. Isso permite saber as capacidades do material.”» («O vídeo-choque do choque ao preso», Ferreira Fernandes, Diário de Notícias, 24.02.2011, p. 60). E não é só no género que há vacilações. Taser ou taser?aqui tínhamos visto a questão. Uma coisa é certa: a arma eléctrica usada agora na Prisão de Paços de Ferreira foi uma Taser X60. «Descarga eléctrica denominada de ondas-T altera o sistema nervoso central e a pessoa atingida cai», lê-se na infografia que acompanha o primeiro dos artigos citados.

[Post 4484]

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Acordo Ortográfico

Últimas

      Já há pessoas, compatriotas nossos, gente à primeira vista normal, que dizem e escrevem afoitamente «assumpção», autorizadas, julgam elas, pelo Acordo Ortográfico de 1990. É só mais um delírio. Não veio Gonçalves Viana acabar, em 1911!, com esta grafia? Está a par da «dição».

[Post 4483]

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Selecção vocabular

Ao calhas

      «No processo, segundo o DN apurou, consta que os três disparos ficaram registados na comunicação rádio da polícia antes da chamada para o 112. Nessa gravação audio [sic] ouve-se um primeiro disparo seguido de outros dois seguidos (o que corrobora o que o arguido contou agora em tribunal)» («“Não sou maluco para andar aos tiros ao calhas”», Rute Coelho, Diário de Notícias, 23.02.2011, p. 19).
      «Um primeiro disparo seguido de outros dois seguidos», escreveu o jornalista, como se não houvesse sinónimos nem paciência para escrever melhor. «Comunicação rádio» também é assaz estranho.


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Selecção vocabular

O que adverte

      Parece que a regeneração da pátria chegará das ilhas, mas não o bom português: «Segundo apurou o DN, o valor das multas está a ser estudado para ser depois regulamentado, sendo certo que poderão abranger ainda os pais que não compareçam nas instituições de ensino para monitorizarem a situação dos filhos» («Governo dos Açores quer multar pais de alunos problemáticos», Paulo Faustino, Diário de Notícias, 23.02.2011, p. 14).
      Caro Paulo Faustino, não encontrou verbo melhor? Monitorizar é supervisionar, sim, mas vem-me sempre à mente a acepção «rastrear, medir e/ou analisar (dados científicos levantados por aparelhagem específica)», como se lê no respectivo verbete do Dicionário Houaiss.


[Post 4481]

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Acordo Ortográfico

Cardíaca

      No laboratório, de novo. Trinta professores de Português. Um diz: «Saliento, pois, a maior aproximação agora vigente da escrita e da fonética, sobretudo na síncope das consoantes mudas.» Ora, eu pensava que tal fenómeno fonético é a supressão de um fonema ou sílaba, e as consoantes mudas ou não articuladas são meros grafemas. Outro, demonstrando saber manipular a sinonímia, já chama «duplicidade» à dupla grafia... Doblez ou mesmo, com um sabor mais arcaico, dobrez lhe chamaria Vasco Graça Moura. Agora sim, já estou mesmo convencido: vão-se cometer as maiores barbaridades na aplicação do Acordo Ortográfico de 1990. E os algozes serão os professores.

[Post 4480]


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Acordo Ortográfico

Enterro da língua

      Vasco Graça Moura continua a zurzir no Acordo Ortográfico de 1990. Transcrevo o mais relevante: «A maneira como essas entidades [parte da comunicação social] se prestaram a acatar uma ignomínia, aliás inaplicável, que dá pelo nome de Acordo Ortográfico é eloquente: para não falar já nas trapalhadas relativas ao emprego do hífen e ao uso de maiúsculas e minúsculas, acontece que ninguém é capaz de fazer funcionar correctamente as suas regras, por ser impossível determinar, no tocante às chamadas consoantes mudas, quando é que elas se mantêm, por serem pronunciadas num ou noutro dos lados do Atlântico, e quando é que elas se suprimem, por não o serem em nenhum deles.»
      Quanto ao hífen, concordo: as regras relativas a este sinal não vieram, como se impunha, simplificar o seu uso. Quanto às regras sobre o uso das maiúsculas e das minúsculas, é matéria menor.
      VGM continua: «Não fez impressão a essas luminárias que, para escrever “correctamente” a sua própria língua, um cidadão português tenha de saber como é que ela se pronuncia num país estrangeiro... E agora as coisas estão a ser levadas ao extremo do inconcebível: não se sabendo como aplicar o Acordo, vai-se mais longe do que o previsto no seu próprio texto e zás!, varre-se de uma penada consoantes que não são mudas e continuam a ser pronunciadas no Brasil! De maneira que se gera um novo fosso ortográfico da asneira, ainda mais absurdo do que o texto que é invocado.» 
      Posso estar enganado, mas para a aplicação das regras da Base IV do AO90 não se impõe o conhecimento de «como é que ela se pronuncia num país estrangeiro».
      Há-de referir-se ao Brasil, porque os restantes países de língua oficial portuguesa não parecem contar muito. VGM escreve ainda: «À sombra do Acordo estão a ser criminosamente fabricadas grafias anómalas que o Brasil não aceita nem pratica. E continua a não constar que países como Angola, Moçambique ou a Guiné, [sic] tenham ratificado a imbecilidade ortográfica que pretensamente as sustenta.» Sim, essas grafias anómalas já andam por aí. 
      E a estocada final: «É claro que não vale a pena falar do que está ou vai passar-se nas escolas do nosso país, nem se pode ainda medir até que ponto alguns oportunismos editoriais, para não perderem o negócio, vão contribuir para escorar as soluções mais aberrantes em matéria de livros e manuais escolares» («Um país invertebrado», Diário de Notícias, 23.02.2011, p. 54).

[Post 4479]

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Sobre «soar»

Manet et manebit

      Relativo a máquina? Maquínico. Tornar caótico? Caotizar. Linguagem de filósofo, mas não é disto que quero falar. «Segundo o próprio pai, mais que combater, o prodígio com nome a soar a pintor francês esteve na retaguarda a preparar a estratégia militar e as negociações de paz que se seguiram» («Chama-se Manet e faz tudo para ter boa pinta», Leonídio Paulo Ferreira, Diário de Notícias, 21.02.2011, p. 7).
      Soar é polissémico, sim, mas no caso não se trata da acepção «ter semelhança com; parecer-se»? (Acepção que nem todos os dicionários acolhem, decerto por distracção.) Então o nome de Hun Manet, filho do primeiro-ministro cambojano, não tem nome a soar a pintor francês — tem o mesmo nome. Se se chamasse Mainet, por exemplo, é que soaria a nome de pintor francês.

[Post 4478]

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«Ser um moço de corda»

Antes surdo

      «Aos moços de fretes também se chamava moço de esquina ou ainda moço de corda, aludindo com isso que estaria ligado por uma corda, qual títere fantoche, ao patrão. E é precisamente desta última asserção, enquanto alguém ligado por uma corda invisível ao patrão, que a expressão “ser um moço de corda” tira o seu actual significado de pau-mandado» (Mafalda Lopes da Costa, Lugares Comuns, Antena 1, 21.02.2011).
      O que fica transcrito é sensivelmente metade da crónica — e não é preciso ler duas vezes para perceber que podia estar quase tudo assinalado a vermelho. Desconcordâncias, má redacção, repetições, erro crassíssimo («asserção»!)... E também me sobra a suspeita de que a explicação para a expressão não é a referida. Não se deverá antes ao facto de antigamente os galegos estarem aí pelas esquinas da cidade com cordas ao ombro à espera de alguém os contratar para qualquer trabalho que requeresse força bruta?

[Post 4477]


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Dicção/dição

E agora?

      Um pequeno mistério: porque incluíram os redactores do Acordo Ortográfico de 1990 o par dicção/dição entre os vocábulos em que se conservam ou se eliminam facultativamente o c, quando se proferem numa pronúncia culta, quer geral quer restritamente, ou então quando oscilam entre a prolação e o emudecimento? Dição é uma variante lexical de dicção. Talvez até tenha entrado na língua antes desta. Terá vindo, não através do genitivo, mas do nominativo do étimo latino. Distracção? O que acha, Fernando Venâncio?

[Post 4476]


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Selecção vocabular

Catarros estremenhos

      «Florinda Chico deu entrada na Clínica Virgen del Mar, em Madrid, na sexta-feira queixando-se de um catarro persistente. Tão forte que a actriz espanhola não resistiu» («Secundária como actriz, protagonista para o público», Diário de Notícias, 21.02.2011, p. 47).
      Também temos o vocábulo «catarro», e ambos significam o mesmo — muco proveniente da inflamação das mucosas; defluxo ou constipação acompanhada de tosse e expectoração. (Para não ir mais longe, eu próprio estou encatarrado há semanas.) Contudo, não escolheria, para traduzir, o termo «catarro», mas sim «constipação».
      «Nascida na localidade extremenha», lê-se no obituário, «de Don Benito, perto de Badajoz, a 24 de Abril de 1926, Florinda Chico estudou canto durante a juventude e era considerada uma das mais emblemáticas actrizes secundárias do cinema e da televisão, reconhecida pelo seu físico corpulento e ar desenrascado (e por causa do qual fez tantas vezes de criada).» O mesmíssimo Diário de Notícias, de vez em quando, grafa, e bem, Estremadura e estremenho, como já aqui vimos.

[Post 4475]
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Uso da maiúscula

Historietas

      «O Convento das Clarissas de Évora, da ordem franciscana, foi fundado pelo bispo D. Vasco Perdigão em 1492 e na sua clausura esteve recolhida a princesa D. Joana, a Excelente Senhora, malograda noiva de D. Afonso V. Para a história ficou um rico património artístico, monumental e gastronómico, este último compilado num receituário conventual que as freiras conservaram durante séculos para seu uso privado» («Évora recupera receita de pastéis conventuais “perdida” há 100 anos», Luís Maneta, Diário de Notícias, 20.02.2011, p. 26).
      Agora é assim, a História é uma coisa menor. A pequena história. Esta gente nem precisa de novo acordo ortográfico.

[Post 4474]


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Léxico: «púrria»

No Mississípi e aqui

      «Estava livre de ser apanhado e castigado, e então dirigiu-se à praça da vila onde duas púrrias se iam encontrar, para se bater, como tinham combinado» (As Aventuras de Tom Sawyer, Mark Twain. Tradução de Berta Mendes. Lisboa: Editorial Inquérito, 1944, p. 33).
      Quem é que, hoje em dia, conhece o termo «púrria»? Ninguém. É, na definição do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, um bando de garotos. O Dicionário Houaiss, porém, não se fica por aí: de rapazes mal-educados. Gente como Huckleberry Finn, imagino.

[Post 4473]
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Léxico: «urbanita»

Na cidade e na Lua

      «He had a citified air about him that ate into Tom’s vitals.» «Tinha um ar citadino que revolvia as entranhas de Tom» (As Aventuras de Tom Sawyer, Mark Twain. Tradução de Berta Mendes. Lisboa: Editorial Inquérito, 1944, p. 18). Este trecho fez-me lembrar o vocábulo «urbanita» (que ou quem reside em cidade; citadino), usado pelo geógrafo Jorge Gaspar no documentário Orlando Ribeiro, Itinerâncias de um Geógrafo, já aqui referido de outras vezes. No meu caso, primeiro conheci o vocábulo «selenita», o hipotético habitante da Lua.


[Post 4472]

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Acordo Ortográfico

Como dantes

      «Era uma espécie de gorjeio de pássaro, assim como um trinado fluido, produzido pelo contacto da língua com o céu da bôca, de quando em quando, no meio da música» (As Aventuras de Tom Sawyer, Mark Twain. Tradução de Berta Mendes. Lisboa: Editorial Inquérito, 1944, p. 18).
      Era assim, como locução substantiva, que se grafava antes do Acordo Ortográfico de 1945 — e depois também, mas os dicionários «inovaram» hifenizando-a, e, desta maneira, tornou-se unidade semântica. Ora consultem aí o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. O AO90 foi mais longe no uso do hífen (pelo menos nestes casos) e escrever-se-á «céu da boca». Entretanto, o Vocabulário Ortográfico do Português (VOP), do Instituto de Linguística Teórica e Computacional (ILTEC), adoptado para o sistema de ensino pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011, regista «céu da boca». Como regista barriga de freira, braço de ferro, boca de sino, bota de elástico, caminho de ferro, fim de semana...

[Post 4471]


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Ortografia: «Cádis»

Temos de gramar?

      «A pardela-balear é uma espécie muito recente: até há dez anos era considerada uma subespécie do patagarro ou da pardela-do-mediterrâneo. É frequente desde a baía de Cádiz (Espanha) até ao Atlântico Norte, excepto no período de reprodução, que ocorre nas ilhas espanholas Baleares, em especial em Formentera, e daí a sua designação de balear» («A pardela das Baleares», Roberto Dores, Diário de Notícias, 20.02.2011, p. 44).
      Da pardela nada há que dizer. Já quanto ao topónimo, nem pensar: é Cádis que se deve escrever. E assim continuará, claro, segundo as novas regras ortográficas (Base II, 5.º do AO90). Quando descreveu a pardela, o jornalista cincou novamente: «Os adultos pesam cerca de 500 gr, numa envergadura de 76 a 89 cm.» O símbolo de grama é g, e não gr.


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Léxico: «aerocologia»

Algo de novo

      «Os radares são uma janela para o espaço aéreo. Enviam ondas rádio que se reflectem nas gotas de chuva ou aviões, mas também nas aves, morcegos ou até insectos. Para prever as tempestades, os meteorologistas têm de filtrar a informação e os dados emitidos pelos organismos vivos. Informação que, por outro lado, pode ser essencial para cientistas como Winifred Frick, que a usa para seguir morcegos, numa nova ciência conhecida como “aeroecologia”. […] A expressão “aeroecologia” foi inventada há dois anos por Thomas H. Kunz, da Universidade de Boston, para descrever a interacção dos organismos vivos (aves, morcegos e insectos) na baixa atmosfera» («Radar meteorológico para seguir morcegos», Diário de Notícias, 20.02.2011, p. 39).


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«Recolha porta-a-porta»

Para tudo ficar igual

      «Retirar até 2013 todos os ecopontos, à excepção dos vidrões, da via pública. É este o objectivo da Câmara Municipal de Lisboa, que, para isso, alargará progressivamente a toda a cidade a recolha selectiva de resíduos porta a porta (embalagens e papel/cartão)» («Lisboa alarga recolha porta a porta para tirar ecopontos da rua até 2013», Inês Banha, Diário de Notícias, 20.02.2011, p. 32).
      Não é locução. A jornalista devia ter escrito «recolha porta-a-porta», como já aqui explicámos.

[Post 4468]


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«Moto-quatros»?

Só se for nas pampas

      «O gaúcho é uma personagem da pampa, rebelde e insubmissa, que resume a identidade da Argentina. Mas está em vias de extinção, encurralado pelo avanço da soja e da produção de gado intensiva. “Em muitos campos, em vez de cavalos há moto-quatros para juntar o gado”, diz Lisandro Foral, enquanto conduz o seu todo-o-terreno pela fazenda de 3800 hectares de que é encarregado, sempre atento ao telemóvel e ao GPS» («Gaúchos ameaçados pela tecnologia», Oscar Laski, Diário de Notícias, 20.02.2011, p. 33).
      Oscar Laski não tem culpa: o texto é uma tradução. O plural de «moto-quatro» (o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista «moto quatro») é «moto-quatros»? Haja paciência! Quer dizer, fica invariável a palavra variável e varia a palavra invariável?

[Post 4467]

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Modismo: «sinalizar»

Marcados a fogo

      «Prédio devoluto foi isolado pelos bombeiros e câmara sinaliza mais 200 em risco» (Paulo Julião, Diário de Notícias, 20.02.2011, p. 26).
      É o irritante modismo do momento: são «jovens problemáticos», «bairros sensíveis» e outras realidades desviantes que estão (ou não estão, habitualmente) «sinalizados». Falam assim presidentes de juntas de freguesia, secretários de Estado, ministros e tecnocratas cinzentões.

[Post 4466]

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Como se fala na televisão

Ao menos isso

      Mudança possui tudo, Montexto? Olhe que não. Pelo menos não para todos. «Incrédulos, os moradores da Rua Dona Filipa de Lencastre, em Tires, nem queriam acreditar» (repórter José Manuel Levy no Telejornal de ontem). Acréus, incréus ou, mais prosaicamente, incrédulos, sempre todos soubemos que eles não acreditavam. Para nosso sossego, parece que assim continua a ser. Uf!
[Post 4465]
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Selecção vocabular

بنغازي, Bengazi 

      «A agitação no Médio Oriente está a tornar-se mais violenta na Líbia e Bahrein, onde as autoridades dispararam contra manifestações, fazendo numerosas vítimas. No reino do Golfo Pérsico a polícia usou ontem balas reais e fez mais de 50 feridos. Na Líbia do coronel Muammar Khadafi já morreram pelo menos 24 pessoas desde terça-feira em protestos registados em Sirte e Al-Baida. Em Bengazi, segunda cidade do país, a sede da rádio foi incendiada» («Líbia e Bahrein endurecem repressão política», Luís Naves, Diário de Notícias, 19.02.2011, p. 31).
      Apesar de, para alguns dicionários, manifestação também ser o conjunto das pessoas que se manifestam, acho que se a polícia tivesse disparado (pretérito mais-que-perfeito do conjuntivo) contra a multidão ou contra manifestantes teria feito (futuro do pretérito composto) mais vítimas. E outra coisa: aquele topónimo, Bengazi, hoje é que está bem grafado. Anteontem, vimo-lo aqui, estava errado: Bengasi.

[Post 4464]

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«Lord/lorde»

Esotérico

      «Paul Johnson enumera outros exemplos. O lorde trabalhista Clifford Allen, ex-director do jornal Daily Herald, afirmou-se “convencido” de que Hitler alimentava “um desejo genuíno de paz”. O arcebispo Temple, de York, elogiou o “grande contributo” do chanceler para “a paz e a segurança”. Lord Lothian, futuro embaixador britânico nos EUA, foi ao ponto de invocar o Tratado de Versalhes imposto aos alemães em 1919 para justificar as perseguições aos judeus» («A diferença entre um estadista e um político», Pedro Correia, «DN Gente»/Diário de Notícias, 19.02.2011, p. 7).
      Deixe ver se percebo, caro Pedro Correia: se aparece isolado, é aportuguesado, «lorde»; se aparece junto de um nome próprio, é «lord». É isto? Critério tão estranho...

[Post 4463]
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«Gás-pimenta», de novo

Conversem mais

      «Os dois reclusos atacaram os guardas com gás-pimenta e conseguiram retirar as algemas. Fugiram depois a pé, sendo ainda perseguidos, com troca de tiros. Acabaram por escapar. As grandes questões são como tiveram acesso a gás-pimenta e como conseguiram retirar as algemas quando seguiam numa carrinha celular» («Chefias e guardas envolvidos na fuga de reclusos no DCIAP», Alfredo Teixeira, Diário de Notícias, 19.02.2011, p. 24).
      Ainda na semana passada li no mesmíssimo jornal o vocábulo não hifenizado, «gás pimenta». Já aqui vimos esta questão.

[Post 4462]

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«Juancarlista/joão-carlista»

Menos mal

      «A monarquia no nosso país é atípica. Nós não nos identificamos propriamente com o regime monárquico. Identificamo-nos com Juan Carlos, sentimos que ele é um de nós. Ele cai e levanta-se, tropeça e pragueja. Somos juancarlistas, não monárquicos. Quando eu nasci, não havia rei, ensinavam-nos que eles eram bêbedos, corruptos, ladrões...» («“Há coisas grotescas na família real”», Joana Emídio Marques, «DN Gente»/Diário de Notícias, 19.02.2011, p. 92).
      Ou, se quisermos dizê-lo em português (e devemos), como o leitor Franco e Silva já nos lembrou aqui uma vez, joão-carlistas.

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Plural dos apelidos

A propósito de grotesco

      «Pelo menos é esta a opinião da jornalista, escritora e especialista em assuntos ligados à família real, Pilar Eyre, que no livro Segredos e Mentiras da Família Real Espanhola, editado agora em Portugal pela Esfera dos Livros, desvenda e analisa o percurso dos Borbón ao longo de três gerações, desde D. Alfonso XIII até D. Felipe e sua polémica mulher Letizia» (“Há coisas grotescas na família real”», Joana Emídio Marques, «DN Gente»/Diário de Notícias, 19.02.2011, p. 92).
      Hã? «Dos Borbón»? Mas isso nem é espanhol, língua em que se pluraliza Borbones, nem português, em que se pluraliza de desvairadas maneiras, mas Borbons não estará mal. E aqueles dons não são devidos.

[Post 4460]


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