Acordo Ortográfico

Magna questão

      No laboratório. Apareceram umas almas aflitas, porque não sabem se Timor-Leste continuará, no âmbito das novas regras ortográficas, a escrever-se com hífen. A regra manda hifenizar os topónimos compostos iniciados pelos adjectivos «grã», «grão» ou por forma verbal ou cujos elementos estejam ligados por artigo. Exemplos: Grã-Bretanha, Grão-Pará; Abre-Campo; Passa-Quatro, Quebra-Costas, Quebra-Dentes, Traga-Mouros, Trinca-Fortes; Albergaria-a-Velha, Baía de Todos-os-Santos, Entre-os-Rios, Montemor-o-Novo, Trás-os-Montes. Os outros topónimos compostos, lê-se numa observação, escrevem-se com os elementos separados, sem hífen. «O topónimo/topônimo Guiné-Bissau é, contudo, uma exceção consagrada pelo uso», acrescenta-se. Foi a isto que as sobreditas almas aflitas se agarraram.
      Ora bem, tanto quanto me lembro, a única referência a Timor-Leste, em relação a esta matéria, encontra-se no Segundo Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (e na própria resolução que o aprovou), e a grafia do topónimo surge com hífen. Contudo, isso é manifestamente insuficiente para tirarmos uma conclusão cabal, como seria fácil de demonstrar. Decisivo, a meu ver, é estar no Vocabulário Ortográfico do Português (VOP), do Instituto de Linguística Teórica e Computacional (ILTEC), não como entrada lexical mas fazendo parte da definição de «timorense». Não precisamos de mais. Ou não precisa de mais quem é professor, porque este VOP foi adoptado para o sistema de ensino pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011.
      Voltando à observação do n.º 2 da Base XV: com a redacção que tem, não me parece que exclua outras excepções (que as há).

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