Léxico: «fóssil vivo»

Em vez de palha

      «O primeiro anfíbio a ser declarado extinto pelo principal organismo mundial de conservação [União Internacional para a Conservação da Natureza, UICN] foi considerado um “fóssil vivo”, depois de terem sido descobertos exemplares vivos no norte de Israel, revelaram hoje investigadores» («Encontrada rã declarada extinta em 1966», Diário de Notícias, 5.06.2013, p. 41).
      Em vez das aspas e de palavreado mais ou menos vão, uma explicação do que são fósseis vivos era muito mais útil. Ver aqui.

[Texto 2930]

Léxico: «enxambrador»

Para não nos esquecermos

      Já tinha lido numa obra de Mário Cláudio, mas não liguei muito e creio que até já tinha esquecido, mas agora voltei a ler a palavra «enxambrador», que, tanto quanto vi, nenhum dicionário regista. Conhecia, isso sim, as variantes ensamblador e enxamblador. É o nome que se dá ao marceneiro que ensambla, isto é, que faz embutidos em madeira; embutidos de madeiras raras, embutidos de madrepérola, embutidos de metal, etc.
[Texto 2929]

Há sempre melhor

Afinal, não é preciso «líder»

      «Para o coordenador do grupo, Bin He, este é um passo decisivo para a criação de futuros equipamentos que tornarão mais fácil a vida de pessoas paralisadas devido a acidentes ou doenças degenerativas» («Helicóptero voa só com a força do pensamento», Filomena Naves, Diário de Notícias, 5.06.2013, p. 41).
[Texto 2928]

«Príncipe Guilherme»

A tradição continua

      «Isabel II subiu ao trono em fevereiro de 1952, mas só foi coroada a 2 de junho do ano seguinte. Ontem, 60 anos depois, a Rainha de Inglaterra voltou à Abadia de Westminster para as celebrações oficiais. A monarca fez-se acompanhar por duas dezenas de membros da família real, entre eles o filho Carlos, herdeiro do trono, e o neto Guilherme, segundo na linha de sucessão» («Isabel II. Festa dos 60 anos da coroação», Diário de Notícias, 5.06.2013, p. 9).
[Texto 2927]

«Tendem a haver»!

Mais um erro, e dos piores

      «Reconhece, porém, que nos cancros em que está presente o HPV [sigla inglesa de vírus do papiloma humano] tendem a haver melhores reações ao tratamento» («Tabaco e álcool superam sexo oral no risco de cancro», Diana Mendes, Diário de Notícias, 4.06.2013, p. 16).
      A jornalista refere-se sempre ao papilomavírus humano, nunca a vírus do papiloma humano, cuja sigla portuguesa, que é a que interessa, é VPH. Muito mais grave, não é ocioso recordá-lo, é o «tendem a haver», imperdoável num texto de um jornalista.
[Texto 2926]

«Comercializável/comerciável»

Não me parecem sinónimos

      «[João Machado, presidente da CAP, Confederação dos Agricultores de Portugal] Nega que em Portugal se esteja a destruir os produtos não comerciáveis ou que haja uma retaliação por a UE passar a dar aos agricultores metade do subsídio pelos excedentes que doam à solidariedade. [...] Aquele é um programa comunitário que apoia os produtores que entreguem às instituições os bens de baixo calibre (não comerciáveis)» («Agricultores dão fruta a pequenas instituições», Céu Neves, Diário de Notícias, 4.06.2013, p. 17).
      «Comerciável» e «comercializável» são mesmo sinónimos? Comerciar é exercer o comércio, ter comércio; comercializar é fazer entrar no circuito comercial, pôr à venda.
[Texto 2925]

«Austeritário»

Não era preciso

      «À partida, parece que nada mudou na minha vida com a chegada da crise e das medidas austeritárias que estão a asfixiar os portugueses» («Agora, o supermercado vai lá a casa», Graça Henriques, Diário de Notícias, 4.06.2013, p. 6).
      Já tínhamos visto aqui, recentemente, «antiausteritário»; agora, como era previsível, é «austeritário» que nos aparece. Neologismo necessário ou invencionice descabelada?

[Texto 2924]

«Evacuação de casas»

Está melhor

      «A Áustria também não escapou às chuvas torrenciais[,] que provocaram um morto e forçaram à evacuação de centenas de casas» («Cheias forçam milhares a deixar as suas casas», Helena Tecedeiro, Diário de Notícias, 4.06.2013, p. 25).
      Sobre o verbo «evacuar», lê-se no livro de estilo do Estado de S. Paulo: «Use o verbo apenas no sentido fisiológico: evacuar sangue. Nos demais, prefira desocupar, esvaziar, retirar de, sair de, deixar livre.»
[Texto 2923]

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