«Ecaterimburgo»

Só por isso

      «Vladimir Putin, Presidente da Rússia, veste a partir de hoje o fato de anfitrião e vai até à cidade de Ecaterimburgo, a 1800 quilómetros a Leste de Moscovo, receber os mais altos líderes da União Europeia: o presidente da Comissão, Durão Barroso, e o presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy» («Rússia recebe União Europeia com Síria em fundo», R. S. F., Diário de Notícias, 3.06.2013, p. 26).
      Muito amarelado para servir de exemplo, é verdade, mas tem ali o topónimo aportuguesado, Ecaterimburgo, que merece seguido (como dizem os Brasileiros e, de vez em vez, Montexto).

[Texto 2922]

«Colocar em perigo»

Não desisto

      «O governo norte-americano afirma que Manning colocou em perigo com “conhecimento de causa” os Estados Unidos ao divulgar esses documentos secretos, aos quais teve acesso no exercício das suas funções como analista no Iraque desde novembro de 2009 até à sua detenção, em maio de 2010» («“O julgamento do século” de Manning começa hoje», Ana Meireles, Diário de Notícias, 3.06.2013, p. 26).
      «Colocou em perigo»... Cá está, agora todos os dias e em todos os meios de comunicação, o verbo «colocar» a substituir outros verbos, mesmo em expressões fixas. E é claro que, nestes casos, não é «conhecimento de causa» que se diz.
[Texto 2921]

Plural: «lóbi/lóbis»

A mão atrás do arbusto

      «A investigação do The Sunday Times acaba por ser mais uma (grande) acha para a fogueira da falta de transparência dos lóbies sobre os parlamentares e membros do governo do Reino Unido» («Lordes apanhados a vender os seus serviços para influenciar a política britânica», Ricardo Simões Ferreira, Diário de Notícias, 3.06.2013, p. 25).
      Umas vezes com o rabo de fora, outras com o corpo todo, o inglês está sempre à espreita. É a mão atrás do arbusto.
[Texto 2920]

Léxico: «milisievert»

Todos, múltiplos e submúltiplos

      «Os investigadores calcularam que o valor chegaria a 662 milisieverts, quando o máximo recomendado é de 1000 milisieverts para toda a carreira» («Ir a Marte é como fazer uma TAC por semana», Ana Maia, Diário de Notícias, 3.06.2013, p. 30).
      Nenhum dos dicionários que consultei regista «milisievert», mas todos registam «sievert». Contudo, nenhum deixa de registar «centímetro», «milímetro», «micrómetro»...
[Texto 2919]

Léxico: «graxo»

Que tem gordura

      «Linhaça. É a semente do linho. Devido ao seu elevado valor nutritivo, é considerada um alimento funcional. Na sua composição estão presentes proteínas, fibras alimentares e ácidos graxos (ómega 3 e 6)» («Alimentos na moda», Diário de Notícias, 3.06.2013, p. 15).
      É adjectivo — que significa que tem gordura, gordurento, oleoso — que nunca antes tinha lido num jornal.
[Texto 2918]

Ortografia: «antiausteridade»

Agora sim

      «Mário Soares afinal “está em grande forma” mas com a sua reunião das esquerdas antiausteridade, na última quinta-feira, em Lisboa “criou um problema a António José Seguro”. Isto porque dinamizou uma iniciativa “frentista” e “frentismo é o que Seguro não quer” dado o seu objetivo eleitoral da maioria absoluta» («Soares “criou um problema a António José Seguro”...», J. P. H., Diário de Notícias, 3.06.2013, p. 11).
      Muito bem, «antiausteridade», e não, como escreveu aqui uma colega deste jornalista, com hífen após o prefixo.
      Quanto a «frentista», os dicionários ignoram esta acepção. Contudo, o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora (e o Houaiss não!) acolhe o vocábulo «frentismo»: «confluência de forças políticas com o fim de fazer oposição ao poder instituído e provocar mudanças».

[Texto 2917]

Como se escreve nos jornais

Da língua é que nem por isso

      «A viagem a Sydney era a trabalho. Nos planos, o reencontro de mentes, um curso para entrepreneurs e uma conferência de marketing. Mas no meio da agenda cheia de uma emigrante portuguesa “downunder” há sempre espaço para matar saudades das raízes» («O coração de Lisboa também bate na Austrália», Sofia Carvalho, «Liv»/i, 1.06.2013, p. 15).
[Texto 2916]

Como se escreve nos jornais

Se puderem

      «O Real autoimpõe-se um blackout, mas Mourinho é apanhado a falar em Canillas, onde o seu filho é protagonista da equipa juvenil» («Mourinho. O último acto de autogestão no Real Madrid», Rui Miguel Tovar, i, 1.06.2013, p. 48).
      Então agora corrijam Camilo: «Eu queria-o para meu marido, e impus-me o dever de apresentar-me com essa nódoa, que me humilhava diante de um moço cheio de candura e sentimentos nobres» (Mistérios de Lisboa, Camilo Castelo Branco. Lisboa: Parceria A. M. Pereira, 1969, p. 202).
[Texto 2915]

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