Léxico: «stockagem»

Não chegam para as encomendas


      Numa conversa/debate na Rádio Observador a propósito dos efeitos da tempestade Kristin, Nuno Ribeiro da Silva, antigo governante e especialista no sector da energia, falou na dificuldade em repor a energia nas zonas afectadas, o que, entre outros motivos, se deve à escassa stockagem dos materiais (postes, condutores, etc.) necessários.

[Texto 22 370]

Léxico: «entrada à tabela | dupla entrada»

Vamos lá aprender


      «Jude Owens é o mais novo de sempre a conseguir uma “jogada à tabela” e uma “entrada dupla”. Com apenas dois anos e 302 dias, o pequeno britânico arrecadou dois recordes do Guinness e tornou-se na maior esperança mundial de snooker» («Prodígio de dois anos bate recordes do Guinness a jogar snooker», Jornal de Notícias, 29.01.2026, 12h14, itálicos meus). Então, arrecademo-los ➜ entrada à tabela contacto da bola com uma tabela (rebordo almofadado da mesa) durante a jogada, usado para alterar a trajectória por ricochete ou cumprir regras específicas do bilhar e do snooker. Assim como ➜ dupla entrada tacada em que a bola toca em duas tabelas (rebordos almofadados da mesa) antes de atingir o alvo ou o buraco, jogada usada tacticamente no bilhar e no snooker.

[Texto 22 369]

Definição: «camelo-bactriano»

Porque a Ásia é extensa


      «Tropas ucranianas foram filmadas, num vídeo de outubro divulgado no Tiktok, a resgatar um camelo-bactriano, animal originário da Ásia Central adaptado para sobreviver em condições climáticas severas e transportar cargas pesadas, que tinha sido usado por soldados russos durante uma ofensiva no leste da Ucrânia, ainda de acordo com o The Telegraph» («Rússia equipa cavalos com antenas Starlink para aceder à internet no campo de batalha», Mariana Furtado, Observador, 8.01.2026, 23h38).

      Exactamente, originário da Ásia Central, porque afirmar, como fazem certos dicionários, que é de origem asiática não deixa de ser demasiado vago. Assim, proponho ➔ camelo-bactriano ZOOLOGIA (Camelus bactrianus) mamífero quadrúpede, da família dos Camelídeos, originário da Ásia Central (especialmente das estepes da Mongólia e do Norte da China), de grande porte, ruminante, com pelagem castanha, pescoço comprido e duas corcovas dorsais, muito utilizado como meio de transporte e animal de carga em regiões de clima árido e extremo.

[Texto 22 368]

Definição: «armanhaque»

Há mais para dizer


      Quinto episódio de Cemitério Índio (RTP2). Jean Benefro oferece um copo de armanhaque a Lidia Achour, que, depois de o cheirar e provar, se engasga um pouco. Pudera... «Gosta? É armanhaque. Feito com castanhas, açúcar e tempo.» É a nossa oportunidade de definir melhor ➜ armanhaque aguardente vínica francesa da região demarcada de Armagnac, no Sudoeste de França, obtida por destilação contínua de vinhos brancos secos em alambique de coluna de cobre, com teor alcoólico geralmente entre 40 % e 48 %, envelhecida durante longos períodos, que podem atingir cerca de vinte anos, em barris de carvalho, de cor dourada a âmbar e aroma intenso e complexo, segundo regras fixadas por denominação de origem controlada.

[Texto 22 367]

Léxico: «evacuação vertical»

E se eles sabem disto


      «O segundo conselho passa por evacuar antes que a água chegue ao nível do joelho. “Quando a água atinge essa altura, a pressão da água torna quase impossível para um adulto caminhar contra a corrente. Se o nível da água subir rapidamente acima dos joelhos enquanto estiver em casa, não tente sair; suba para o andar mais alto da casa (evacuação vertical)”» («Embaixada do Japão partilha recomendações para sobreviver às cheias em Portugal», Nascer do Sol, 5.02.2026, 13h00). Assim, proponho ➜ evacuação vertical PROTECÇÃO CIVIL deslocação de pessoas para andares superiores ou zonas mais elevadas dentro do mesmo edifício, com o objectivo de as posicionar acima do nível de perigo (como águas de inundação ou fumos tóxicos), quando a saída horizontal se revela impossível ou demasiado arriscada.

[Texto 22 366]

Léxico: «armas de fogo longas e curtas»

Não só pelo tamanho


      «Mas entre 2018 e 2021 destruíram-se, em cada ano, mais de 30 mil armas, com especial destaque para as armas de fogo longas (espingardas e carabinas, por exemplo), que representaram o grosso das armas destruídas. Desde 2017 até ontem, foram destruídas mais de 169 mil armas de fogo longas, mais de 46 mil armas de fogo curtas (pistolas e revólveres) e mais de 18 mil armas brancas» («PSP destruiu mais de 325 mil armas em 14 anos», João Pedro Pincha, Público, 31.01.2026, p. 27). Há-de parecer que não há mais nada a dizer, mas a distinção técnica entre armas de fogo curtas e longas não se baseia apenas na aparência, mas na forma de uso. Assim, proponho ➜ arma de fogo curta arma de fogo portátil concebida para ser utilizada com uma só mão, sem apoio ao ombro, incluindo pistolas e revólveres; nos termos da legislação portuguesa, considera‑se curta qualquer arma de fogo cujo cano não exceda 30 cm ou cujo comprimento total não exceda 60 cm. | ➜ arma de fogo longa arma de fogo portátil concebida para ser utilizada com as duas mãos e apoiada ao ombro, incluindo espingardas, carabinas e fuzis; de acordo com a legislação portuguesa, é longa qualquer arma de fogo que não preencha os critérios legais de classificação como arma curta.

[Texto 22 365]

Léxico: «sala de crise | sala do risco»

Estamos sempre a tempo


      «As declarações geraram reação imediata por parte das empresas. Ana Figueiredo, CEO da Meo, assegurou que a operadora ativou desde o dia 28 de janeiro o seu plano de contingência, com mais de 1.500 técnicos mobilizados em “condições exigentes” e uma sala de crise em funcionamento 24 horas por dia”» («“O senhor Presidente da República está certamente muito mal informado.” Empresas de telecomunicações respondem às críticas de Marcelo Rebelo de Sousa», Nascer do Sol, 4.02.2026, 20h23).

      Enquanto a sala de crise é activada para gerir directamente uma situação de emergência e coordenar respostas estratégicas, a sala de situação, que levámos para o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora em 8 de Setembro do ano passado, centra-se na recolha e análise contínua de dados, servindo de apoio técnico à decisão, mesmo fora de cenários críticos. Assim, proponho ➜ sala de crise espaço físico ou virtual activado durante uma emergência, onde se reúne o núcleo decisor de uma organização para coordenar respostas estratégicas, monitorizar impactos e definir medidas urgentes; pode dispor de acesso a dados em tempo real, comunicação interna e externa e instrumentos de apoio à decisão.

[Texto 22 364]

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P. S.: Não te faltam menos de doze salas no verbete «sala», Porto Editora. A maior ausência, a mais chocante, porque até recentemente a ouvi numa reportagem televisiva num pequeno estaleiro naval dos nossos dias que ainda usa técnicas artesanais, talvez seja a histórica ➜ sala/casa do risco espaço num estaleiro naval tradicional onde se traça, à escala real, o plano geométrico de uma embarcação com vista à execução das peças estruturais e auxiliares necessárias à sua construção.


Léxico: «pranchar»

Não falta em todos os dicionários


      «Outro serviço muito procurado por elas é conhecido como alisamento brasileiro: técnica que combina métodos desenvolvidos no Brasil — como escovar o cabelo, pranchar (com uma chapinha) com mechas muito finas — e produtos também do país» («Cabeleireiro chegou a Portugal com 750 euros e hoje atende 500 clientes por mês», Sérgio Nascimento, Público, 4.01.2026, 14h57).

[Texto 22 363]

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