Ortografia: «borboleta-do-mar»

Espécime dos pterópodes

      «O animal em causa, Limacina helicina antarctica, é uma espécie de caracol marinho, conhecido popularmente como borboleta dos mares. Num artigo publicado na revista Nature Geoscience, uma equipa de investigadores da British Antartic Survey, coordenada por Nina Bednarsek, confirmou que esta espécie já revela enfraquecimento ou mesmo dissolução de duas estruturas laterais duras, que caracterizam esta espécie» («Borboleta dos mares afetada por maior acidez do oceano austral», Diário de Notícias, 26.11.2012, p. 30).
      E os hífenes? E não apenas isso: o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora grafa-o assim: borboleta-do-mar.
      (O apelido da investigadora na verdade é Bednaršek, mas isso talvez não tenha qualquer importância.)

[Texto 2367]

Ortografia: «micrometeorito»

Da pressa não é, porque demora mais

      «Na mira destes caçadores de meteoritos estão, não apenas os de dimensão média de uma pequena pedra, mas também os chamados micro-meteoritos, com tamanhos inferiores a dois milímetros, que são os mais abundantes de todos» («Caçadores de meteoritos a caminho da Antártida», Filomena Naves, Diário de Notícias, 26.11.2012, p. 30).
      Quando é necessário hífen, como já vimos inúmeras vezes, não o usam. Vá lá a gente percebê-los.

[Texto 2366]

Léxico: «papável»

Não percebo

      «Luis Antonio Tagle. Filipino, 55 anos, arcebispo de Manila, é um dos mais novos cardeais, apontado como papabile, pelo dinamismo da Igreja na Ásia» («Quem é quem», Diário de Notícias, 25.11.2012, p. 26).
      Se temos o adjectivo papável — que pode ser eleito papa —, para quê usar um termo estrangeiro, italiano no caso? E porque dirá o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora que é um termo coloquial?
[Texto 2361]

Parece uma brincadeira

Com muita pedagogia

      Já fiz, mais do que uma vez, sugestões para o Prontuário Sonoro, do portal da RTP. Não sei, nem isso agora interessa, se as aceitaram ou não. Convém que aceitem esta: corrijam «uxorcida», que não existe. Se o radical é uxori, que fizeram do i? É uxoricida. A transcrição também está mal, mas é coerente com o primeiro erro: /ukssurssida/. E, por fim, alguém pronuncia a palavra que não existe. Não estiveram envolvidas menos de quatro pessoas — e tudo para tamanho erro. E estão a ensinar os colegas...

[Texto 2356]

Sobre «iúca»

Com que então, uma árvore...

      Aqui a nossa protagonista está em casa a comer «cold yuca with hot oil». «Iúca», verte o tradutor, e bem. Para o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, porém, iúca é apenas a «árvore da família das Liliáceas (género Yucca), própria das regiões da América, cultivada em Portugal com fins ornamentais». Incompleto, pelo menos. A iúca tanto pode ser um arbusto como uma árvore. A iúca comestível é uma raiz tuberculosa (tadinha... poor thing!), extraída do arbusto, e usada para fazer pão e tapioca. Os dicionários têm muito por onde melhorar e nós estamos cá para ajudar.
[Texto 2299]

Tradução: «cocoa pañyol»

Ou não?

      A rapariga, nascida em Trindade, era «cocoa pañyol». Está bem, mas podemos saber o que significa em português? O conceito em inglês: «someone of mixed race». Ah, mestiço, então.
[Texto 2298]

Tradução: «pussy»

Coño

      «And I have to touch her pussy...» «E eu levo-lhe a mão ao chocho...» Nunca tinha ouvido ou lido tal. Em português, digo, porque isto é vulgarismo espanhol: cona, rata. Vá lá perceber-se o que leva a estas opções descabeladas...
[Texto 2297]

Sobre «livre-arbítrio»

Qual a vossa preferida?

      Há algum problema com o livre-arbítrio? Talvez haja dois: não é raro vê-lo escrito — mesmo por professores universitários, tradutores, escritores — sem hífen. O outro problema é o da definição. Para o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, é o «poder de escolher ou não escolher um acto ou uma atitude, quando não se tem razão para se inclinar mais para um lado do que para o outro». Para o Dicionário Houaiss, é a «possibilidade de decidir, escolher em função da própria vontade, isenta de qualquer condicionamento, motivo ou causa determinante». Com mais quatro caracteres, é a minha preferida. E agora leio outra, quase lapidar, com 58 caracteres, de um livro em edição: capacidade de actuar sobre as coisas do mundo por iniciativa própria. Mais breve do que esta, em inglês, do Merriam-Webster: «freedom of humans to make choices that are not determined by prior causes or by divine intervention».
[Texto 2296]

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