Léxico: «produção em ilha»

Um de cada vez


      «Através de um pequeno vidro é possível ver a turbina que é a chave da produção em ilha. “É uma turbina como se fosse a de um avião 737, da marca Rolls-Royce, que funciona a gás natural“, explica o diretor. “Funciona como se fosse um queimador que liberta gases de escape”, acrescenta e diz que “esta massa de ar quente é aproveitada para a secagem dos atomizadores”» («A empresa que contornou a falta de eletricidade a partir de dentro e agora ilumina mais de 150 casas em Leiria», Marina Ferreira, Observador, 6.02.2026, 22h57). 

      Há dois conceitos totalmente diferentes de produção em ilha: este é, como se vê, relativo à energia, pelo que proponho ➜ produção em ilha ENERGIA modo de produção de energia eléctrica em que uma instalação ou conjunto de instalações funciona de forma autónoma e isolada da rede eléctrica pública, produzindo localmente electricidade para consumo próprio ou local, de forma permanente ou temporária, independentemente da tecnologia utilizada, sendo frequente o recurso à co-geração.

[Texto 22 386]

Léxico: «vinho medieval»

Um palhete


      Muito se falou, naquela reportagem (De Gente & De Vinha | O Vinho Medieval de Ourém – Herança Monástica ainda Viva) do Conta Lá, em ➜ vinho medieval ENOLOGIA vinho produzido segundo métodos tradicionais anteriores à enologia moderna, geralmente sem desengace, com fermentação em lagar de uvas brancas e tintas misturadas, como sucede na região de Ourém, onde se conserva este tipo de vinificação artesanal.

[Texto 22 385]

Léxico: «ripanço | ripar»

Esqueçam agora o linho


      Vi uma reportagem no nupérrimo Conta Lá sobre o vinho medieval, um palhete produzido no concelho de Ourém. Na adega que mostraram, o produtor e o filho, ainda adolescente, desengaçavam as uvas na ciranda, uma mesa de ripanço. Ora, o dicionário da Porto Editora esquece-se disto no verbete «ripanço». Dado que a primeira acepção se refere ao linho, proponho esta ➜ ripanço 2. utensílio tradicional usado na vindima para separar os bagos do engaço das uvas, geralmente constituído por uma armação ripada (mesa de ripanço) onde os cachos são esfregados manualmente. 

      O que nos obrigará a acrescentar em ➜ ripar 2. VITICULTURA separar os bagos do engaço das uvas, geralmente à mão, com auxílio de uma mesa ou utensílio apropriado (mesa de ripanço).

[Texto 22 384]

Léxico: «escúter»

Não parece


      «Este nuevo escúter GT amplía la gama de productos de la marca QJ Motor que comercializa con éxito Motos Bordoy en nuestro país» («Escúter tecnológico», Jordi Botella, La Vanguardia, 8.02.2026, p. 75). Saberão os nossos lexicógrafos que é assim também que se escreve no Brasil?

[Texto 22 383]

Como se pontua por aí

Nunca será diferente


      Enquanto tivermos — o que me parece que será sempre — jornalistas a pontuarem desta maneira, não vamos longe: «O neurocientista português, Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues, alertou para a necessidade de reforçar a vigilância epidemiológica em Portugal face ao vírus Nipah (NiV), num contexto de surtos recentes na India e do aumento dos fluxos migratórios e turísticos provenientes de regiões endémicas» («Especialista pede maior vigilância ao vírus Nipah», Rui Farinha, Jornal de Notícias, 7.02.2026, p. 26).

[Texto 22 382]

«Comboio de tempestades», «tren de borrascas»

Lá nos entendemos nisto


      «Un tren de borrascas, ocho encadenadas en lo que va de año -seis en cuatro semanas-, mantiene en alerta a la Península, especialmente en la mitad sur, donde en la tarde de ayer y se espera que durante el día de hoy, domingo, agrave las consecuencias de la devastadora borrasca Leonardo. Su sucesora, Marta, llegó ayer, con intensas precipitaciones, fuertes vientos y nieve» («‘Marta’, la borrasca que sigue a ‘Leonardo’, sitúa a Andalucía aún más al límite», La Vanguardia, 8.02.3036, p. 34).

[Texto 22 381]

Definição: «bambu»

As coisas evoluíram


      «Bamboo (called ‘baans’ in Hindi, and ‘moongil’ in Tamil) is an ancient plant that grows fast in wet soil in broad sunlight. It is well known to people in Asia and Latin America, where communities use bamboo plants for a variety of purposes» («Rediscovering the virtues of bamboo, an ancient plant», D. Balasubramanian, The Hindu, 8.02.2026, p. 12).

      O autor vai por aí fora, tal como faremos nós propondo (afinal, até em Portugal há uma empresa que constrói bicicletas de bambu) mais exemplos de uso (e acepções) a bambu 1. BOTÂNICA designação comum dada a várias plantas da família das Gramíneas, sobretudo dos géneros Bambusa, Dendrocalamus e Phyllostachys, frequentes em regiões tropicais e subtropicais, de crescimento rápido, com colmos ocos, lenhosos, resistentes e flexíveis, usados em construção, cestaria, fabrico de móveis, instrumentos musicais, brinquedos, utensílios domésticos, esquadrias, andaimes, bicicletas e outros artefactos; os rebentos de várias espécies são comestíveis e têm aplicações medicinais; 2. BOTÂNICA planta do género Bambusa, de colmo altíssimo e folhas lineares, geralmente cultivada para fins ornamentais, alimentares, agrícolas ou industriais; 3. o colmo dessas plantas, utilizado em múltiplas aplicações artesanais, agrícolas, industriais ou decorativas; 4. bastão ou bengala feita com o colmo de bambu, usada como apoio, arma ou símbolo; 5. vara comprida usada por equilibristas em corda bamba, para ajudar a manter o equilíbrio.

      Quanto à etimologia, vem do marata bāmbū, ou do malaio buluh; formas portuguesas antigas mambu, mambum, séc. XVI.

[Texto 22 380]

Léxico: «ataque de força bruta»

Força, bruto


      Caramba, se até em romances (e bons, bem traduzidos) encontro a expressão, como podemos continuar a achar que não deve estar nos dicionários? Assim, proponho ➜ ataque de força bruta INFORMÁTICA método de ataque a sistemas informáticos, mecanismos de autenticação ou dados protegidos que consiste em testar de forma sistemática e exaustiva todas as combinações possíveis de palavras-passe, chaves criptográficas ou outros parâmetros até encontrar a correcta; caracteriza-se pelo uso intensivo de recursos computacionais, podendo ser mitigado por medidas como limitação de tentativas, atrasos temporais, uso de captchas ou autenticação multifactorial.

[Texto 22 379]

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