Tradução: «plat surgelé»

Tudo simples, mas depois...

      Se fosse a tradução para inglês, havia mais gente a saber. Talvez «frozen ready meal», não? Mas em português, qual será a melhor tradução? «Refeição pré-cozinhada»?
[Texto 3568]

«Massachusetts», só com um esse

Miudezas

      «“Kennedy foi o primeiro a usar, de uma forma brilhante e inédita, os meios de comunicação social e de propaganda para criar uma imagem que não correspondia à verdade”, diz o historiador Tiago Moreira de Sá, professor na Universidade Nova de Lisboa e investigador do Instituto Português de Relações Internacionais. Kennedy mostrava-se como homem novo, bonito e dinâmico, que ficava bem de fato escuro e gravata, mas também de pólo e caquis a jogar futebol com os irmãos ou a velejar nas águas do Massachussetts» («JFK, o príncipe imperfeito», Ana Gomes Ferreira, Público, 22.11.2013, p. 24).
      Porquê o plural «caquis» e o itálico? Já muita gente errou a ortografia do nome do Estado norte-americano. São muitos ss. É Massachusetts, só com um s.
[Texto 3567]

Léxico: «tocaia»

Mais uma do Brasil

      «Foi assim que os dois jovens se viram envolvidos numa perseguição pelas ruas de Paris em Outubro de 1994, em que acabaram por matar quatro pessoas, entre as quais três agentes da polícia, explica o Le Monde. Maupin acabou por morrer de ferimentos sofridos na perseguição. Rey foi condenada a 20 anos de prisão, dos quais cumpriu 15. Só anos depois revelou Dekhar como cúmplice, a pessoa que comprou armas e ficou de tocaia na noite do assalto. Por isso ele só foi julgado em 1998 — e negou conhecer Rey ou Maupin» («Atirador de Paris denunciou em cartas “manipulação das massas pelos media”», Clara Barata, Público, 22.11.2013, p. 21).
     Não aparece muitas vezes na escrita, talvez mais na oralidade. Veio, creio que os dicionários são unânimes, do Brasil. Tocaia é a emboscada para matar alguém ou caçar, como se lê no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora.
[Texto 3566]

Tensão no Parlamento

E na gramática

      José Rodrigues dos Santos no Telejornal de ontem: «Lígia, notas, Lígia, não se se me estás a ouvir, notas alguma relutância por parte da autoridade que está a fazer a segurança do Parlamento e também da polícia de choque em actuar por se tratarem de colegas de profissão?» Por quem é, José Rodrigues dos Santos, reveja-me lá esses conhecimentos de gramática.
[Texto 3565]

Ortografia: «pobre diabo»

Sim, mas no Brasil

      «Ainda por cima, as trapalhadas da investigação do assassinato — a direcção e a quantidade de tiros (dois, três, quatro, oito), a prisão de Oswald, um pobre-diabo a roçar o louco obsessivo, e a expeditiva liquidação de Oswald por um dono de um cabaré com ligações à Máfia — permitiam especulações sem fim e ajudavam a refulgir a nossa virtude democrática» («Símbolos», Vasco Pulido Valente, Público, 22.11.2013, p. 60).
      «Pobre-diabo», «pobres-diabos» é como se escreve no Brasil. O nosso pobre diabo, o indivíduo sem importância, tolo, não tem hífen.
[Texto 3564]

Léxico: «frésia»

Não a conhecem

      «Os gladíolos, as frésias e as dálias estavam ainda aprisionadas nos botões verdes, à espera de se abrirem, enquanto as begónias e as camélias terminavam o seu ciclo de florescimento» (Lição de Tango, Sveva Casati Modignani. Tradução de Regina Valente. Alfragide: Edições Asa, 2011, 3.ª ed., p. 213).
      Anda por aí há muito tempo nos livros, não apenas desde 2011, mas poucos são os dicionários que a conhecem.
[Texto 3563]

Tradução: «café littéraire»

Les gens de lettres

      Vivem em França, e por isso não fica mal terem um café littéraire, com estantes repletas de livros. Contudo, o conceito que eu tinha de café literário (como o tradutor verteu) era precisamente o que se lê no Trésor: «Café où se réunissent les gens de lettres». Ou seja, pode não ter sequer um livro, mas apenas um exemplar do Record ou do jornal preferido dos taxistas num canto do balcão. Traduzimos ainda assim por «café literário»? Não é ambíguo?
[Texto 3562]

Sobre «pulseira electrónica»

Tornozeleira eletrônica

      «Os mais mediáticos são os casos de José Oliveira Costa (ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais de Cavaco Silva), considerado o rosto da burla que lesou o Estado em quase 4 mil milhões de euros, e o de Duarte Lima (ex-líder parlamentar do PSD). Os dois integram um grupo de nove pessoas que, no âmbito das averiguações ao BPN/SLN, estiveram (alguns ainda estão) na cadeia e encontram-se, agora, em prisão preventiva com pulseira electrónica» («Supervisor impõe multa de 400 mil euros aos antigos donos do BPN», Cristina Ferreira, Público, 2.11.2013, p. 16).
      Não vimos nós quando os guardas prisionais tiraram a pulseira electrónica a George Wright, que estava em prisão domiciliária? Espera lá. Não era à volta de um pulso, mas à volta de um tornozelo. Ainda assim, o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista: «pulseira electrónica: pulseira com um transmissor que possibilita detectar à distância e de forma permanente a localização da pessoa em cujo tornozelo foi aplicada». No Brasil, já encontraram a solução: «A PF (Polícia Federal) já adiantou que o parlamentar não terá escolta 24 horas em casa e deverá usar tornozeleira eletrônica» («Genoino deverá usar tornozeleira, diz PF», Metro Brasília, 21.11.2013, p. 3).
[Texto 3561]

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